A perseguição



Estava indecisa se deveria ou não partilhar convosco uma experiência tão escatológica como esta. Mas eu sei que vocês, seus marotos, mesmo que não admitam, têm um certo prazer obsceno em ler relatos de teor escatológico. E eu em escrevê-los, vááá.

O momento alto do meu dia de ontem, o clímax de todas as emoções, foi quando cheguei a casa à tarde, e o gato Aramis passou por mim deixando um rasto de odor fecal atrás de si. Pffff...
Nunca antes tinha acontecido, mas pensei com os meus botões que ele estaria com flatulência e não liguei.

Sentei-me a ler as mensagens do dia, e Sua-Alteza-O-Gato salta-me para o colo trazendo consigo o mesmo cheiro suspeito e nauseabundo.

Oh meus limpinhos e perfumados amigos, o meu estômago subiu e desceu em menos de um segundo no momento em que lhe levantei a cauda felpuda e vi duas bolas penduradas lá por baixo. "Queres ver que lhe cresceram testículos?", ainda pensei, num momento-insanidade.

Eram dois... dois... cagalhotos! Colados aos pêlos, ali junto ao buraquinho, estão a ver?
Nunca me levantei tão rápido de uma cadeira. O gato, assustado, saltou para o chão, e desatámos numa perseguição desenfreada em que ele se escapulia com a velocidade de um tiro com os berloques a dançar debaixo da cauda e eu corria o melhor que podia atrás dele.

Até que finalmente o agarrei. Munida de toalhetes húmidos, tentei tirar os... os... vocês sabem. Quanto mais puxava, mais empastados eles ficavam no pêlo. Empastados, é mesmo esse o termo. E o cheiro, senhores, o cheiro. It's a dirty work, but someone's gotta do it.

Coloquei o meu sensor de nojo de lado e, meio pacote de toalhetes depois, consegui limpar tudo, debaixo dos insultos e protestos miados em gatês pelo pobre bichano, que não compreendia esta minha invasão às suas partes íntimas. Desculpa, Gato!

Ainda hoje me pareceu tê-lo visto a olhar de lado para mim. Está zangado, e não o culpo.
Ficou a dúvida: deveria aparar-lhe os pêlos à volta do...?

De mãos desinfectadas,

Hazel

Como sobreviver aos dias frios sem gastar electricidade

Ai Senhores. Está frio. Está frio. Está frio.
Está frio. Está frio. Está ffffffffffffffffffffffffff... rio.

A minha vontade era ir buscar todos os aquecedores do mundo e ligá-los apontados para mim numa tentativa desvairada de recriar um clima tropical com palmeiras, araras e outras aves exóticas a cantar CRÁÁ CRÁÁ CRÁÁÁÁ à minha volta.

Só que não. Estes delírios têm um preço alto. Chama-se "factura da electricidade". Esse malfadado e abominável pedaço de papel que ninguém anseia receber.

Então, decidi tomar outro tipo de medidas. Simples, práticas e, acima de tudo, económicas:

Chá quente. Não apenas para beber, mas também para ficar a segurar na caneca por alguns minutos, enquanto aquecemos as mãos e a alma.

Meias sobre meias, camisolas sobre camisolas. A velha técnica de vestir roupas umas sobre as outras. Dá trabalho, parece que nos estamos a vestir duas vezes seguidas, mas resulta.

Abrir cortinas. Até mesmo nos dias frios de Inverno o Sol por vezes brilha. Todos os dias pela manhã abro as persianas e as cortinas completamente, de forma a entrar o máximo de luz.

Proteger as entradas de ar frio. Isolar as janelas com fita de calafetar e usar um rolo (ou chouriço) no chão junto às portas e/ou janelas.

Fazer um escalda-pés. Quando não conseguimos mesmo aquecer, este recurso é infalível!

Acender velas. Por insignificante que pareça o calor produzido por algumas velas, é um valioso contributo para aquecer uma divisão.

Mantas. Sobre as costas, sobre os joelhos, nas camas, nos sofás, em todos os lugares.

Bolsa de água quente. Para aquecer a cama por dentro antes de dormir.

Pôr o gato ao colo. O Aramis, apesar da sua extensa pelagem, é muito friorento e desespera por aninhar-se ao colo nos dias mais frios. Aquecemo-nos um ao outro, e é tão bom.

Comer sopas quentes. Algumas receitas minhas: Sopa de chuchu. Sopa de sangue (uia!). Sopinhas de gato.

Com o gato ao colo, duas meias, duas camisolas, mantas... e saudosa do Verão,

Hazel

Quando eu for anciã...

Lista de resoluções para quando eu chegar à terceira idade:

Primeiro, quero lá chegar. Essa ideia de "Live fast and die young" só é fascinante quando achamos que vamos viver para sempre. Ou seja, até aos 25 anos. Daí em diante, quanto mais avançamos, mais nos apercebemos da fragilidade da vida.

Segundo, não quero ser chata e séria.
Quero rir-me sempre, nem que seja das vozes imaginárias na minha cabeça. Ou dos fantasmas que insistem em troçar dos vivos e apenas eu os oiço. Quero rir-me da cara dos outros condutores quando parar num semáforo e ficarem surpreendidos com as caretas que a velha doida do carro ao lado lhes fez.

Terceiro, quero ser gira. Ainda que tenha mamas descaídas, (ai que desgosto), quero usar as mesmas roupas de boneca que gosto de usar, e ter cabelos compridos, mesmo brancos. Ou cinzentos, tanto faz. Um dia, podia pintá-los de cor-de-rosa só para chocar as vizinhas da minha idade e mostrar-lhes que posso fazer tudo o que quiser, como sempre pude.

Quarto, quero ter uma cadeira de baloiço que me embale, onde possa dormir longas sestas ao Sol sem que ninguém me chateie, com uma manta sobre os joelhos, um gato ao colo e um livro erótico que comecei a ler. Uia!

Quinto, quero morar perto das minhas comadres. Eu hei-de ter comadres que hão-de vir visitar-me para beber chá e tecer o fio da vida em conjunto comigo. As pessoas vão pensar que é chá que bebemos (até vocês pensam), mas, na realidade, será licor de whisky.

Sexto, quero ser feliz. Velha ou nova, bonita ou feia, não importa. Quero ser feliz e ter quem me ame nos meus devaneios, nos meus silêncios e nos momentos em que canto as músicas de quando era nova e os vidros se estilhaçam.

Sétimo, quero cheirar bem. Não quero usar perfumes com cheiro a naftalina. Nem perfumes simples e discretos como uso actualmente. Quero cheirar a um perfume sexy e atrevido.

Aqui estou, a declarar ao Universo. Hazel. 36 anos. É isto que quero.

Sem pressa nenhuma,

"Sinto muito. Perdoa-me. Amo-te. Sou grata."


Para mim. Para si. Para os meus amigos. Para os seus. Para quem quiser.
E quem não quiser, não quer.

Uma prática ancestral de reconciliação proveniente do Hawai (Ho'oponopono).
Para desfazer ressentimentos, demolir muros e construir pontes.
Para melhorar aquilo que "já está bom".
Mesmo que não haja nada que precise de ser desculpado, como ritual diário.

Ganhe coragem, olhe a outra pessoa nos olhos e diga-lhe:

"Sinto muito. Perdoa-me. Amo-te. Sou grato."

Com flores coloridas no cabelo,

5 hábitos de ouro - O Segredo da Eterna Juventude

Já não é a primeira vez que puxo do cartão de cidadão para comprovar que nasci mesmo no ano da graça de 1977 (aquele ano fantástico em que só nasciam pessoas bonitas).

Ora, hoje, que estou uma mãos-largas, decidi contar-vos o segredo que faz com que eu pareça tão nova, sendo, na realidade, uma velha carcaça.

Não são tratamentos de beleza.
Nem photoshop. Nem nada! Nada? Nada. Pronto, e acaba-se assim o post. Não faço nada, podem ir-se embora, cada um para a sua casinha. Xô!

Era o que mais faltava. Vamos lá. Agora é que é. Há 5 hábitos que fazem parte da minha vida há muito tempo e que são o que me mantém fresquinha e viçosa como uma folha de alface. São eles:

1. Tabaco. Nem vê-lo! Nicles. Niente. Nadica de nada. Os únicos cigarros de que gosto são mesmo os de chocolate.

2. Muitas gargalhadas por dia (não sabe o bem que lhe fazia). Até nos dias em que acordo de tal forma acabrunhada, que ninguém me atura, há sempre um momento em que me rio de alguma coisa. Não consigo passar 24 horas sem rir. Tantas foram já as vezes em que me ri sozinha, rodeada de pessoas cinzentas, incomodadas pela minha boa-disposição indiferente ao habitual estado de espírito de quem chupou um limão e todos têm de partilhar da sua amargura. HAHAHA Tomem lá!

3. Ouvir música. Ai o que seria de mim se não fosse a música. Todos os dias, sem falta, oiço muita, muita música. Obrigada, Youtube! Coloco muitas vezes o que estou a ouvir na minha página de facebook, para ajudar a rejuvenescer os que me acompanham.

4. Creme de bebé. Já disse que sou uma mulher pré-histórica? Sou uma mulher pré-histórica. Não uso produtos sofisticados de beleza. Uso no rosto, tão-simplesmente, uma pinguinha de creme hidratante de bebé. Comprado na secção de criança no hipermercado.

5. Não calçar as pantufas. Não me acomodo com algo que não me faça sentir viva e feliz. Não quero responder um arrastado "Vai-se andando..." quando perguntam como estou.
Quero poder responder "Estou fantástica! Fantabulástica!", e trabalho todos os dias para isso.
Estou viva, e quero senti-lo a cada momento! Whooo-hooo!

Forever young,



Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar.

Esta foi uma frase que ouvi ao longo de muitos anos, proferida pela minha mãe, numa tentativa (infrutífera) de me programar a fazer a cama todos os dias como uma boa dona-de-casa. Dizia-o sempre num tom ambíguo e profético.

Eu tentei sê-lo, mesmo que ninguém me tivesse perguntado se o queria ser. Era algo que se esperava de mim, que me foi imposto apenas por ter nascido com uma vag... "Dona Elvira".

Ai nasceste mulher? Estás feita ao bife! Limpar a casa, cozinhar, fazer a cama, tratar da roupa, criar os filhos, fazer as compras, está tudo por tua conta, darling!

E culpei-me pelas muitas vezes em que falhei e não consegui cumprir aquilo que o mundo tinha decidido por mim sem que eu tivesse tido qualquer voto na matéria. Mas depois deixei de me culpar. Deve ter sido no dia em que decidi que não quero mais ser dona-de-casa, mas dona-de-mim. Senão, vejamos:

- Quem é o dono da cama? Eu.
- Quem manda no meu tempo? Eu.
- Quem manda no que eu faço em minha casa? Eu.
- O mundo continua a girar, mesmo com a minha cama por fazer? Sim.
- A cama fica triste se não a fizer? Desencadeia-se uma Terceira Guerra Mundial? Não e não.
- E os outros, o que irão pensar de mim? Who cares.

A verdade é que só faço a cama quando vêm cá visitas. E às vezes nem isso. Quem me vem visitar não quer saber se eu tenho os lençóis esticados ou não, e eu não preciso de impressionar ninguém. Sou o que sou, e gosto de mim assim. E quem gosta de mim, gosta de mim quer eu tenha, ou não, a cama feita.

Oh Hazel, primeiro dizes que tens os móveis com pó e agora não fazes a cama? É.
Onde é que isto irá parar? Em tempo para fazer o que eu gosto. Por exemplo, escrever.
Em vez de fazer a cama, prefiro gastar esse tempo e energia a deleitar-me nos prazeres da escrita e vir aqui contar-vos o quão saboroso e libertador é não fazer a cama.

Nada de reclamarem comigo, hã? Vai que eu passo a ser dona-de-casa em vez de dona-de-mim, e não apareço cá mais porque tenho de limpar o pó e fazer a cama. - Naaaah!

Experimentem um dia. Não vão querer outra coisa. Sigam os meus fantásticos maus conselhos de dona-de-mim, e não digam que vão daqui mal.

Com a cama por fazer,



Aulas de Tarot



Para quem não tem ainda qualquer conhecimento sobre o Tarot e quer aprender a interpretar as cartas e fazer lançamentos.

O aluno deve trazer um caderno para apontamentos e o seu próprio baralho de Tarot, que deve ter 78 cartas e seguir a estrutura de Rider Waite Smith.

Local: Carcavelos
Duração de cada aula: 2 horas
Valor por aula: 40€
(Brasil R$130 - aulas via Skype)

Marcação/dúvidas/informações para o email: casaclaridade@gmail.com

Beijos mágicos!