Yule e o medo do escuro

Este post surge da necessidade de explicar às crianças a origem do Natal do ponto de vista da tradição Nórdica. As celebrações do Solstício remontam aos primórdios dos tempos, por aquilo que significava na vida prática das pessoas. Não havia diferença entre sagrado e profano.

Entrando em território da mitologia nórdica, há a comum associação do festival de Yule, ou a celebração do Solstício de Inverno, com a figura de Balder, deus da luz - que não é consistente com a morte de quase todo o panteão nórdico aquando do Ragnarok. A morte e ressurreição de Balder no Ragnarok fica para outro post. Neste tratamos de Yule.

Para ler às crianças:
Esqueçam tudo o que sabem do Natal.
Hoje, dia 21 de Dezembro, às 17h11, começou Yule. É o dia mais curto do ano. Tem apenas nove horas de luz do Sol. O Yule dura até 12 de Janeiro, quando se festeja o Jolablót, ou a oferenda de Yule. 
Nesta época, conta a lenda, o lobo que, durante todo o ano persegue o Sol, ou a deusa Sól (Sunna), consegue finalmente alcançá-la, engolindo-a. O lobo, como o lobo mau das histórias da "Capuchinho Vermelho" ou dos "Três Porquinhos", representa a morte, a escuridão e os aspectos menos bons das pessoas.
Mas, a própria morte, para os antigos povos nórdicos, não era mais que uma maneira de dizer “tempo de mudança”. Mudanças dentro de nós mesmos.
Sabem quando está escuro e vocês têm medo? É porque no escuro enfrentamos os nossos limites, os nossos medos. Quando vocês começam a imaginar coisas feias no escuro, podem imaginar também que há um senhor de barbas vermelhas e compridas que lhes vem dar com um martelo mágico na cabeça para elas desaparecerem. Suspeito que era o que muitos meninos faziam antigamente. E resultava! 
Outra coisa que, tanto os meninos, como os pais dos meninos faziam, era deixar leite e bolinhos para que as coisas feias as comessem e os deixassem em paz. Esta é uma das possíveis origens para o costume de deixar leite e bolachas para o Pai Natal. E espalhavam também véus coloridos pela casa, como aquelas fitas que se põem na árvore de natal, para os afastar. 
A partir de hoje, os dias voltam, aos poucos, a ficar maiores. Como se o Sol, bebé, estivesse a crescer no céu.
E já repararam que o Sol é uma senhora? E, ainda por cima, uma Mãe?
Naquele tempo, as pessoas pediam a iluminação das suas vidas a essa deusa. Vocês gostam de acender uma luz quando está muito escuro? Então, o que as pessoas pediam era que essa deusa acendesse luzes de amor e alegria, sempre que a vida estava mais complicada. Numa época em que todos viviam daquilo que plantavam, era também muito importante que houvesse Sol para que os alimentos crescessem.
Esta ocasião é importante para pensarem como se portaram durante o ano e como gostariam de se portar no próximo, sempre cheios do Amor maternal da deusa Sól.
(Parar de ler às crianças)
Durante este tempo de escuridão, em que a nova deusa Sol está frágil, é necessário protegê-la das forças opositoras da escuridão. Thor era aqui chamado a exercer o papel do herói.

Diz o mito que durante o tempo de Yule os Oskoreia ou Jolareia (Asgard Riders ou Yule Riders), guerreiros que não foram levados nem para as salas de Freya ou de Odin, e estão condenados a passar a eternidade em Hellheim, tinham o acesso ao mundo médio facilitado. No entanto, estes guerreiros caídos “só” atormentavam os não eram puros de coração… o que deveria ser uma grande chatice, porque ninguém queria admitir que era atormentado!

Cabra de Yule, em 2006, na Suécia. 
O culto ao deus Thor tem aqui um papel muito importante, que culmina no festival em sua honra, “curiosamente”, muito próximo do dia 12 de Janeiro. Sete dias depois, apenas.

A carruagem de Thor era puxada por cabras, que o deus do trovão matava com o seu martelo mágico. No dia seguinte, elas ressuscitavam, num símbolo de prosperidade. Esta eternidade das cabras e o facto de estarem associadas à prosperidade, fazia com que a povoação envergasse máscaras de cabras e cantasse hinos a Thor pelas ruas das aldeias. Tornou-se, assim, sinal de boa sorte comer cabra durante o período de Yule, na esperança que o deus colocasse na mesa muitas mais. As cabras tornaram-se um símbolo do Natal na Escandinávia. Podemos encontrá-las hoje, em Portugal, numa loja de móveis "fáceis" de montar...

Que a luz cresça nos vossos corações, com Amor,

Marco


Este texto não tem a pretensão de ser um texto académico, e baseia-se na minha visão (que está longe de ser original) deste fenómeno. É uma mistura das diversas visões dos vários autores que fui lendo, baseada na mitologia.

Um cantinho da minha casa


Uma casa é como uma pessoa.
É feita de recantos, de cheiros, de memórias e particularidades. Uma casa com alma conta a história da nossa vida e recorda-nos quem somos.

Estou sempre a mudar o lugar dos móveis e dos objectos, da mesma forma que eu própria mudo por dentro para me tornar tão agradável e acolhedora para mim mesma como um fim de tarde numa poltrona aquecida pelo Sol.

A arrastar móveis,

Não comprar flores, não comprar pássaros

Oferecer flores "de corte" é o equivalente a oferecer pássaros em gaiolas.
Uma demonstração de afecto cujo principal ingrediente é o egoísmo, ainda que inconsciente. No meu mundo ideal, ninguém sacrificaria flores para oferecer.
Em vez disso, oferecer-se-ia plantas em vaso.

Plantas que vivem, e não plantas a morrer que se colocam numa jarra de água sobre uma mesa, entre os bibelots inúteis para os quais já ninguém olha. Ninguém se lembra dos sentimentos das flores, tão delicadas e mágicas, que até conseguem fazer música.

Ainda no meu mundo ideal, ninguém compraria pássaros presos em gaiolas, mas comedouros e bebedouros de aves para colocar nas varandas e janelas. "Grato pelo presente, tantos pássaros que virão cantar na minha janela!"

Não vão por mim - no meu mundo ideal, quem cuspisse para o chão, levava um calduço no pescoço e era obrigado a limpar. A antipatia seria considerada um crime público.
Mas só de tarde. De manhã cedo, todos teriam o direito a ser antipáticos.
E os relógios seriam abolidos.

Ainda bem que não mando no mundo. Sorte a vossa.



Oração da Lua para bebés


Esta é uma oração muito antiga e bonita, de raízes pagãs, que conseguiu sobreviver até aos dias de hoje.

Era um ritual que as mães passavam em quase-segredo às filhas, quando estas tinham os seus próprios filhos.

Este quase-secretismo, num tempo em que não havia internet e os livros sobre magia praticamente não existiam, conferia ao ritual uma aura de misticismo inigualável nos dias de hoje.

Os bebés eram, em segredo, "oferecidos" à Lua, para que crescessem sob a sua protecção mágica.

Foi-me ensinada pela minha mãe, que cumpriu este velho costume comigo, como tantas outras mães do seu tempo.

Deve ser feita pela mãe, quando estiver sozinha com o seu bebé, numa noite de Lua Cheia. Pegar no bebé de maneira que a luz da Lua reflicta nele, e dizer:

"Lua, Lua, Luar
Aqui tens o(a) meu(minha) menino(a)
Ajuda-mo(a) a criar
Eu sou Mãe
E Tu és Ama
Cria-o Tu
E eu dou-lhe mama."

Beijos mágicos,

Hazel

Querido Pai Natal...

... cá estou eu novamente!
A rapidez com que este ano passou foi estonteante.

Quero agradecer-te por leres a Casa Claridade e pelo cuidado e carinho com que tens concedido os meus pedidos todos os anos sempre das formas mais originais e inesperadas.

Não tenho mesmo o direito de afirmar que não acredito em ti e na tua Magia. Em particular, este ano, que foste tão generoso comigo.

Ainda falta realizar alguns desejos, mas compreendo que, se não o foram, é porque não chegou o momento certo. Não tenho pressa. Aliás, não tenho realmente pressa para nada. Está tudo bem como está e estou muito grata por isso.

Numa retrospectiva do meu comportamento ao longo dos últimos 365 dias, de consciência tranquila digo-te que, para uma bad girl, até me portei muito bem. Ultrapassei tantos desafios e em todos consegui renascer melhor e mais completa. Ainda tenho alguns aspectos a melhorar, mas estou a esforçar-me, Pai Natal, estou a esforçar-me!

Ora, se achares que eu mereço, aqui vão os meus pedidos para este ano:

1. Um biombo. Mas quem é que pede um biombo de presente de Natal? Eu.
Não comeces a pensar que o biombo é para esconder a desarrumação quando vêm visitas inesperadas. Na, na, na. É para a minha sala de consultas. Podes riscar isto da lista, Pai Natal. Já comprei um biombo. Menos uma coisa para as tuas renas transportarem!

2. Um pijama de Inverno. Mas que não seja deprimente como os meus! Sabes que, no outro dia, quando passei pelo espelho a caminho da cama, reparei que o meu pijama de há quase 10 anos parece o de uma pessoa fugida de um hospital psiquiátrico. Apanhei um susto!
Como é que nunca tinha reparado? Os pijamas mais feios e tristes do mundo estão todos na minha gaveta. Então, gostava de um pijama de Inverno que fosse giro. E sexy. Uia!
Eu sei, Pai Natal, que no planeta Terra não existem pijamas de Inverno que sejam giros e sexy. Vais ter de encarar isto como um desafio.

3. Uma viagem. As únicas viagens que tenho feito são astrais. Fecho os olhos e vou.
Pois, para variar, gostava de fazer uma viagem em que pudesse levar o meu corpo também. Para o Nepal, Irlanda, Mongólia, Brasil, Itália, Chile, México, Nova Zelândia, Índia... escolhe tu!

4. Uma árvore. Gostava de ter uma árvore de frutos. Pode ser uma macieira, já que o L. adora maçãs, e eu adoro tarte de maçã. Plantada, regada, cuidada e amada por mim, num pedaço de terra onde também estivesse uma casa que fosse minha. Não digas que não mereço.

5. Livros. Em papel, por favor. Sugestões: "Mistérios Nórdicos", de Mirella Faur; "O Anuário da Grande Mãe", de Mirella Faur; "Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas", de Mirella Faur; "Mulheres que correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estés.

E é tudo!
Muito grata e bom trabalho!

Oh Oh Oh e Jingle Bells,