Limpezas de Verão - Se não me faz feliz, não me faz falta

A casa é um ser vivo que respira através das janelas abertas. As cortinas corridas ondulam com o vento, lambendo as paredes numa cadência pachorrenta, como se falassem.
São os últimos dias do Verão a fazerem-se anunciar, relembrando que o Outono se aproxima ao longe, devagar, mas em passo seguro.

É agora o momento de iniciar as Limpezas de Verão. Fazer uma revisão profunda em todas as áreas da vida. Separar o trigo do joio, o que é para manter, o que é para alterar, o que é para eliminar. Fazer o "RESET".

No trabalho, na internet, no computador, na casa, nas gavetas e armários, nos relacionamentos, nas emoções, nas memórias, na saúde, nos hábitos, na vida toda.

Sintonizada com a Natureza, que se renova ciclicamente, também eu me preparo para mais uma renovação.

Quem quiser acompanhar este processo, mas não sabe por onde começar, ou tem tendência para se dispersar, eis o meu plano de limpezas de Verão. Temos até ao Equinócio de Outono (23 de Setembro)!

- Devolver o que não me pertence. Objectos que me emprestaram, ou que alguém se esqueceu em minha casa e ficou à espera que nos encontrássemos de novo para devolver. Se não é meu, é energia alheia que ficou parada em minha casa.

- Roupa, malas e sapatos que não usei nos últimos 2 anos. Se não usei, é porque não me faz falta, e só está a ocupar espaço e a impedir a circulação de energia.

- Loiças que não utilizo, livros que não me interessam, CDs que nunca oiço, maquilhagem que não uso, objectos estragados ou avariados. Tudo fora!

- Tapetes, lençóis, panos da loiça, toalhas de mesa, cobertores, mantas, tudo o que está em quantidade excessiva e apenas impede as gavetas de deslizarem sem esforço.

- Móveis sem utilidade prática, aparelhos que nunca são usados, telemóveis e carregadores velhos.

- Papelada, facturas antigas já pagas, agendas e jornais velhos, apontamentos que já estão ultrapassados e não fazem falta.

- Ficheiros no computador, programas instalados inúteis, publicações, fotos e "amigos" no facebook que apenas publicam conteúdo violento/negativo.

- Actividades que requerem tempo e energia e onde não sinto que haja uma justa compensação.

- Relacionamentos insatisfatórios.

- Alimentos fora de prazo na despensa e no frigorífico.

- Medicamentos fora de prazo, frascos vazios de produtos de higiene.

- Tralha inútil no porta-bagagens e dentro do carro.

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Absolutamente tudo será passado a pente fino pelos seguintes critérios:

1. Usei nos últimos 2 anos?
2. Faz-me mesmo falta?
3. Causa-me sentimentos negativos?

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É possível que eu venha a acrescentar mais itens a esta lista.

E qual será o destino das minhas tralhas inúteis?
Algumas serão vendidas, outras dadas.

A varrer,

Encontrar o Silêncio

Há demasiado barulho no mundo. Demasiados objectos, demasiadas emoções, demasiados odores, sabores, texturas. Demasiado tudo.

Escrevi demasiadas vezes a palavra "demasiado", mas nada descreve tão bem o que é demasiado quanto a palavra demasiado.

Poderia gritar, mandar o mundo calar-se. Mas só iria aumentar o barulho. E quando gritamos com o mundo, o mundo grita-nos de volta. Com a força de um Titã. 

O barulho empurra-nos, agarra-nos, distrai-nos. Pode até esmagar-nos. Esquecemo-nos de quem somos, do que estamos a fazer, de para onde planeámos ir em primeiro lugar.

Não. Não é o mundo que tem de se calar e fazer Silêncio. Sou eu. Sento-me de olhos fechados a observar a minha própria respiração, a velocidade com que o ar entra e sai pelas narinas, saboreando cada partícula de oxigénio. Observo cada músculo do meu corpo a partir de dentro. Eis a serenidade que se faz anunciar sem pressa.

O silêncio é uma esfera de luz dourada que irradiamos a partir do nosso centro e nos envolve, tornando-nos imperturbáveis ainda que rodeados por uma multidão de vozes graves, estridentes, roucas, cavernosas. Deslizamos imaculados como um cisne branco num lago negro. 

Podemos estar horas a falar e, ainda assim, conservar o silêncio dentro de nós. 
Por vezes, olhamos para dentro e sorrimos para o silêncio como para um velho e sábio amigo que sempre nos espera pacientemente num cadeirão macio junto a uma janela onde bate o Sol.

O silêncio é limpo, puro, pleno de luz. Poderia dizer-se que o silêncio é triste, mas eu acho que é desprovido de emoções, ou não seria silêncio pleno.

Como um copo de água da nascente que vem das profundezas silenciosas da terra e nos escorrega pela garganta até ao interior do nosso corpo. Leve, cristalina e sem sabor, mas que nos sacia a sede num dia seco de Verão, hidratando todos os nossos órgãos e fazendo o sangue circular com maior pureza pelos vasos sanguíneos, como a seiva que viaja numa folha verde de uma planta acabada de regar.

Tão simplesmente, em silêncio.

7 formas diferentes de acordar pela manhã

Vamos lá a ver: quem é que tem mau acordar?
Serei a única criatura no mundo que se levanta de manhã com um humor psicopático?
Não gosto de falar nem que falem comigo na primeira meia-hora depois de acordar.
Não gosto de ter que dizer "bom dia" e sorrir. Sorrir? Que é lá isso. No such thing.

Sim!, sou um animal selvagem ao acordar; silencioso, desgrenhado, remeloso e perigoso. Depois de passada a abominável-meia-hora, transformo-me numa pessoa normal, simpática e fixe, até. Digo bom dia, sorrio e cumpro as convenções sociais todas que se esperam de mim.

Mas aquela meia-hora...
Eu não quero ser assim. Não quero.
Quero ser fixe 24 horas por dia, e não apenas 23 horas e meia.

Então, tenho pensado sobre diferentes formas de acordar, e resolvi fazer uma lista de todas maneiras possíveis que me ocorrem de fazer a transição entre o conforto uterino do sono... e o despertar para a crueza da manhã:

1. Rádio-despertador. 
Vantagens: Podemos sintonizar na estação de rádio da nossa preferência e acordar com música.
Desvantagens: Pode faltar a electricidade durante a noite. Por vezes, não sintoniza bem uma estação, e acordamos com o som da estática. Há sempre um ruído subtil e contínuo nos rádio-despertadores que perturba a qualidade do sono. Nada garante que, na hora exacta que vai despertar, não irá passar uma publicidade a um Banco. Ou a uma marca de pomada para hemorróidas.

2. Aparelhagem de som.
Vantagens: Podemos colocar um CD e acordar com a música que quisermos. Maravilha.
Desvantagens: Ocupa algum espaço no quarto. E, se faltar a electricidade...

3. Relógio-despertador analógico.
Vantagens: Não depende de electricidade. Não gera poluição electromagnética. Ocupa um espaço mínimo.
Desvantagens: O irritante som do "triiiimmm!"

4. Telemóvel.
Vantagens: Ocupa um espaço mínimo. Podemos instalar aplicações que permitem acordar com sons da Natureza ou a música que desejamos, e algumas até emitem uma luz suave para simular o nascer do dia. Não precisa de estar ligado à electricidade (desde que tenha a bateria carregada). Se colocarmos em "modo de avião", não recebe chamadas e, creio, por estar desligado de todas as redes, não gera poluição electromagnética.
Desvantagens: Não me ocorre nenhuma agora. A menos que eu esteja errada e, realmente, mesmo em "modo de avião", continue a gerar poluição electromagética.

5. Pedir a alguém que nos acorde.
Vantagens: Não depende de electricidade nem gera poluição electromagnética.
Desvantagens: Quem é que iria arriscar a vida em semelhante missão? Ninguém.

6. Um galo.
Vantagens: Emite o verdadeiro som da Natureza! Não gera poluição electromagnética nem depende de electricidade. Nunca falha uma manhã.
Desvantagens: Caganitas de galo no quarto!

7. O nascer do dia (dormir com as persianas levantadas).
Vantagens: É suave e gradual. Não depende de electricidade nem gera poluição electromagnética.
Desvantagens: Muito arriscado para pessoas com sono profundo. No Inverno, quando não se vê o Sol, o risco de adormecer é ainda maior.

Simpática-e-afável-porque-estou-dentro-das-restantes-23-horas-e-meia-do-dia,



Acabar com as pulgas (antes que elas acabem consigo)

O Verão é aquela estação do ano em que as pulgas gostam de conviver umas com as outras, organizando raves pulguentas com música techno e luzes psicadélicas.

Vêm os parentes mais afastados dos clãs de pulgas de todos os cantos do mundo (pareceu-me até já ter visto uma pulga de longas barbas e quilt escocês), fazem orgias, eclodem ovos, e todas elas, sequiosas de sangue, enlouquecem humanos e animais.

Nunca a expressão "andar com a pulga atrás da orelha" teve contornos tão tenebrosos. 

Esta vossa paciente escriba foi à procura de soluções e remédios caseiros para eliminar as pulgas em casa. Pousem o lança-chamas, amigos em desespero, pois eu trago-vos toda a artilharia pesada que precisam:


1. Aspirar a casa (e tapetes!) diariamente. 
As pulgas podem pôr cerca de 20 ovos por dia durante 21 dias. A esperança média de vida de uma pulga é de 4 meses.

2. Lavar o chão com sumo de limão/vinagre. 
Juntar à água de lavar o chão sumo de 4 limões ou 2 copos de vinagre. Elas odeiam limão. 
E odeiam vinagre. E nós adoramos isso. Riso maquiavélico.

3. Borrifar o colchão com vinagre. 
Além de repelir as pulgas, é um antibacteriano natural. Depois de secar, o cheiro desaparece.

4. Spray de cânfora.
Receita: Misturar 3 pedras de cânfora em 1 litro de álcool, meio copo de vinagre e um punhado de cravos-da-Índia. Pode ser usado para borrifar tapetes, sofás e mantas. Letal para pulgas, inofensivo para cães e gatos (entretanto, convém aplicar pipetas anti-pulgas nos nossos animais).

5. Poejos e alfazema. 
Colocar saquinhos com poejos e alfazema dentro da almofada, na cama e onde mais for preciso. São repelentes de pulgas.

6. Uma armadilha de pulgas. 
A sério, mesmo. Uma espécie de ratoeira, mas para pulgas. Colocar no chão de cada divisão da casa uma taça com água e detergente da loiça misturados. Apontar a luz de um candeeiro de secretária para a água, ou usar mesmo uma vela flutuante ou tealight acesa. A luz irá atrair as pulgas para a água e o detergente da loiça puxa-as para o fundo, afogando-as. 
As pulgas não sabem nadar, yô...!

Agora é convosco. Se nada disto resultar, usem o lança-chamas.

Com comichão no pé,

Hazel