Amar o Amor


Calem-se os violinos sensíveis e agudos acariciados por longos dedos magros, hábeis e draculinos que tangem sonhadores os deslumbres do romantismo. Poupe-se a beleza perfumada das rosas vermelhas ao sacrifício acutilante do amor que, de tesoura em riste, se sobrepõe egoisticamente aos desígnios da Natureza.

Repouse placidamente a caneta de aparo do poeta sôfrego sobre as folhas de papel branco, virgens de tinta, imaculadas de palavras vãs. Arrumem-se os sapatos de dança de camurça azul, roçados uns nos outros em promessas, insinuações, avanços e recuos de arrojo libertino.

Creio que o amor está gasto. Tudo o que houvesse a ser escrito sobre o amor, já foi amplamente redigido em prosa, poesia, hieróglifos, runas, sinais de fumo, emojis e corações entalhados a navalha nos troncos das árvores. Já se fizeram todas as demonstrações insensatas, insanas e até mesmo ilegais de tão grande sentimento que nem já o mundo tem espaço que chegue para albergá-lo; estendendo-se para além da estratosfera, inundando miríades de estrelas salpicadas no céu - as mesmas para onde lançamos desejos secretos nas noites quentes de Verão.

Já se arriscaram e exploraram todas as definições do amor para explicá-lo àqueles cuja euforia apaixonada deseja elucidar, entretecendo palavras, ideias, fantasias e desvarios. Nada mais há a dizer, a demonstrar, a provar, a classificar. O amor está dito. E feito. Catalogado, esquadrinhado, analisado micro e macroscopicamente. Tudo o mais é-nos redundante e indutor de náusea por excesso de sacarose.

Esta semana, das brumas misteriosas do acaso, surge a carta Ás de Copas, trazendo a ambiciosa missão de inspirar-nos a encontrar novas formas de amar e de viver o amor. Pelos mamilos de Afrodite!, exclamei, justificadamente, ao vê-la.

Perguntei ao amor que poderia eu, uma comum mortal que não descende de Fernando Pessoa, nem tão-pouco de poeta algum, escrever que pudesse inspirar os bons olhos que lêem estas palavras a amar mais e melhor. Estupefacta pela assertividade da resposta, ei-la: o amor manda dizer que está cansado de andar nas bocas do mundo - e longe dos corações.

Que se ame e mais nada. Sem um poema polvilhado de açúcar pilé, sem uma flor arrancada e embrulhada em papel celofane cor-de-rosa com um laçarote pomposo, sem uma melodia gulosa e sedutora a acompanhar, sem a lascívia de um passo de dança a insinuar volúpias por desvelar.
Simplesmente, ame-se. Pois o amor é a estrada que se percorre e não o veículo que se conduz.

Hazel

Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1600
Foto: Pixabay Free Images, licença CC0

A-das-três-mamas


Os meus olhos curiosos esgueiravam-se sorrateiramente como um gato vadio pelo muro caiado do seu quintal. Às vezes, via-a de relance. Bruta, carrancuda, zangada com o mundo e todos os seus habitantes - em particular, os que moravam perto de si. A língua da vizinhança era viperina. Cochichavam as alcoviteiras à boca pequena que a antipática mulher tinha três mamas.

Ninguém gostava dela. No percurso desde a escola até casa, era-me inevitável desviar o olhar, ainda não domado pela hipocrisia dissimulada das conveniências sociais. A volumosa e rotunda senhora de buço escuro e sobrolho carregado ignorava-me sempre. O nome da rua onde morava fora esquecido por todos, ainda que permanecesse legível na placa de mármore encardida pela passagem do tempo. Para aquela gente, era “a rua da-das-três-mamas”.

Estariam em fila? Será que colocava a terceira arrumada junto com a da direita no soutien, ou com a da esquerda? Ou iria alternando? Seriam todas do mesmo tamanho? A minha curiosidade era desprovida de leviandade, mas crua e sincera.

A boa mulher criava galinhas e vendia ovos, mas as vizinhas deixaram de lhos comprar, porque, enfim, ela tinha três mamas e ninguém gostava disso. Talvez tivessem medo que a mama extra fosse contagiosa e se pudesse pegar através dos ovos. Nesse ano, falecia o António Variações de uma doença então desconhecida, e as pessoas andavam acometidas por medos medievais.

Ainda gaiata demais para ter tido tempo de aprender a palavra preconceito, mas já uma observadora silenciosa, interiormente sentia que era errado o azedume das pessoas. Creio que gostava da intrigante senhora porque era solitária e forte, uma espécie de heroína em terra de vilões que, em vez de capa e espada, tinha uma mama extra.

Compreendia, ainda que de forma inconsciente, a sua atitude defensiva, e não tive dificuldade em discernir que o mundo pode ser um lugar cruel sem razão plausível - alguma vez a haverá? - e que as pessoas se podem tornar velhacas umas para as outras, não porque as outras o mereçam, mas porque precisam de alguém vulnerável em quem aliviar os seus amargores.

Recordo-a por oposição às mulheres actuais que vêem o mundo sob um longo e insinuante toldo de extensão de pestanas, agarram a vida com unhas de gel e sentem o vento através do cabelo alisado a ferro quente sem que este se despenteie, permanecendo impecavelmente alinhado. Espartilhadas dentro de cintas adelgaçantes como bonecas saídas de uma linha de montagem concebida para lhes remover a identidade. Perfeitas, idênticas, sem poesia.

Esta semana, a carta Cinco de Paus leva-nos a observar a celeridade com que nos revoltamos com os outros quando são desagradáveis connosco, sem fazer um esforço para perceber os seus motivos. É certo que ninguém tem o direito de maltratar outros porque a vida lhe foi ingrata, contudo, se devolvemos bílis a quem no-la oferece, acabamos por tornar-nos iguais ou mesmo piores que o alvo da nossa censura, alimentando um ciclo destrutivo que nunca mais termina.

Recordo a-das-três-mamas com respeito e nostalgia. Sinto-me humilde perante uma mulher que aguentou com dignidade a crueza de uma vida inteira de marginalização. A fealdade não existe quando é amada. Torna-se um poema triste, doce e belo. Ainda que escrito em prosa.

Hazel
Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1599
Foto de Miguel Pires da Rosa, licença CC2.0

Manual do Terapeuta New Age


Se és terapeuta, não podes beber  imperiais, panachés, vinho carrascão e ainda menos shots.
Bebes sumos detox com folhas de couve, de cor verde-vómito. Ou leite de amêndoas.

Comes muito pouco. Essencialmente, alimentas-te de prana, quinoa, bagas goji, tofu e sementes de periquito. És vegan, intolerante à lactose, ao glúten, ao açúcar e a todos os que não comem o mesmo que tu.

Não cobras um preço pelo teu trabalho, mas pedes uma "troca de energia", que é opcional - porque vives de esmolas e não podes tocar em dinheiro. O que significa que pagas a renda de casa, água, electricidade e gás com amor. E o teu senhorio aceita, claro. Assim como a EDP, companhia do gás e da água. Eles compreendem.

Não usas anéis de ouro, mas um anel Atlante. Tens um candeeiro de sal dos Himalaias na tua sala, onde também existe um pano pendurado com uma mandala indiana.

Vives num estado de permanente felicidade, desapego e luz. Nunca te zangas. No caso de seres mulher, não tens TPM e não usas pensos higiénicos nem tampões, mas copos menstruais de cores fofinhas. E todos têm de saber. Achas que todos os devem usar, até os homens - eles que arranjem maneira de os enfiar em algum lado.

Não ouves Marilyn Manson, AC/DC ou Metallica. Ouves Enya, Snatam Kaur e cânticos tibetanos.
Não fazes headbanging. Fazes danças devocionais. E tens uma tatuagem do infinito no pulso, no tornozelo ou na parte de trás do pescoço.

Saúdas aquele outro terapeuta que assume trabalhar em troca de dinheiro com "Namasté", mas no fundo achas que ele é um filho-da-puta garganeiro.

Não podes ter relações sexuais sem que estas sejam uma experiência tântrica, sagrada, higiénica e profundamente religiosa com visões de deusas indianas de oito braços (que se multiplicam em milhões de possibilidades eróticas).

Um terapeuta new age não diz palavrões. Entoa mantras.
Não faz manguitos nem piretes. Faz mudras.
Não tem dores de cabeça. Tem os chakras bloqueados.
Não deseja mal a ninguém. Só invoca a lei do retorno tríplice e deseja "muita luz".
Não tem vida pessoal. Existe apenas para servir os outros.
São os teus mandamentos.

Conduzes um carro emprestado - porque não podes ter bens materiais - que tem um autocolante a dizer "Free Tibet" ou com o símbolo do OM.

Sabes sempre quando Mercúrio está em movimento retrógrado e culpa-lo pelas chatices que arranjas por seres um desbocado que fala mais do que deve.

Tens um nome espiritual diferente do nome civil. Como Shiva, Angel, Brunhild, Nefele, Rainbowsoul, Epona, Ronan, Odinsonn, Hazel, Shakti, Ariadne, Freya, Selene, Ísis, Innuit e outros.
Dizes que fazes "canalização", mas não sabes mudar a borracha de uma torneira que pinga.

Não passas uma tarde refastelado no sofá. Passa-la sentado em posição de lótus no zafu que compraste online a meditar sobre as origens do Universo e os seres interdimensionais.
Não vês filmes de acção. Vês documentários sobre como descalcificar a glândula pineal.

Ficaste danado comigo pela caricatura que fiz de ti (de nós), mas no fim acabas por ter de me perdoar. Porque um terapeuta new age perdoa sempre. Ahah!

OOOMMMM,

Hazel

A senda da cenoura


Quem é que vai ganhar com o esforço que fazes todos os dias para chegar exactamente às nove em ponto ao trabalho, e não às nove e cinco? Não podes falhar. Dá o teu melhor. Chega a horas. Não basta fazer, tens de mostrar que fizeste. Diz bom dia aos vizinhos. E aos colegas. Paga a renda de casa a horas. Muda a correia de distribuição ao carro, olha que já passaste o limite.

Vê o noticiário, tens de saber o que se passa no mundo. Veste a camisola de malha vermelha na consoada. Põe menos açúcar no café. Bebe mais um, vais precisar da cafeína. 
Corre, corre! Tu és um cavalo de corrida!, já diziam os UHF. Todos esperam tudo de ti, e tu viras-te do avesso para mostrar que consegues.

Nem por um segundo páras para te questionar porquê, para quê. Foi assim que foste programado desde que nasceste, para ter um emprego bem sucedido, morar na melhor casa possível, ter uma arvorezinha ambientadora de aroma a pinho pendurada no espelho retrovisor do carro, e uma mulher que te faz um jantar isento de glúten, porque agora todos passaram a ser intolerantes e tu não te podes ficar atrás.

Vives como um burro de pescoço esticado para a frente, deixando um rasto de bosta atrás de ti que não vês - nem cheiras - porque estás muito concentrado em alcançar a cenoura à tua frente. Levas em cima do lombo o peso da vaidade de todos os bens materiais que acumulas, reconhecimentos e honrarias. Pelo caminho cruzas-te com outros burros, uns com uma carga menor que a tua, outros com carga maior. Cada um atrás da sua cenoura.

Julgas que vais viver para sempre; estás convencido que ias ser o burro, digo, o homem mais velho do mundo e destronar o indiano com três metros de cabelo enfiados num turbante, que tem mais de cento e trinta anos e passou os últimos dez na mesma asana

Mas quando tudo se vira de pernas para o ar e a tua hora chega, já só vês as vezes em que não amaste, os abraços que podias ter dado se não tivesses sido orgulhoso, a paz de que abdicaste porque preferiste degladiar-te para provar aos outros que tinhas razão, e nem assim os conseguiste convencer. Percebes que a tão desejada cenoura era uma ilusão, assim como a razão, a casa, o carro, o emprego, e tudo o resto.

Seria um castigo divino deliciosamente irónico se o paraíso fosse uma planície a perder de vista cheia de ervinhas verdes e milhões de ramagens de cenouras - biológicas, obviamente - que bastaria puxar da terra. Mais nada nem ninguém, a não ser a tão desejada cenoura. 
Ah, betacaroteno. Ad nauseam.

A carta Roda da Fortuna recorda-nos que num instante tudo pode mudar. Ninguém está seguro. Na incerteza do futuro, a única garantia que existe é de que tudo e todos estão connosco por empréstimo. E por tempo limitado. Podemos reformular a qualquer momento as nossas prioridades, fazer escolhas diferentes, regressar ao nosso centro, focar-nos no que verdadeiramente importa. Ou passar a vida inteira atrás das cenouras.

Hazel
Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1598

Saber as linhas com que se cose


As mulheres que costumam coser roupa são mais corajosas que as outras. Pelas suas mãos, nascem caminhos, rectas, curvas e contracurvas feitos de linhas de várias cores e espessuras, ora a direito, ora em ziguezague, ora em ponto caseado. Fazem e desfazem, cortam, cosem, descosem, medem e alinhavam. Voltam a coser, mas ainda não está bem. Às vezes, desmanchar leva mais tempo que fazer. 

Os pensamentos voam soltos ao compasso da máquina de costura, deixando um rasto feito de pontos que mergulham e emergem no tecido como um nadador olímpico que nunca mais chega ao outro lado da piscina. Cada ponto guarda a memória de um pensamento que não foi dito por palavras, mas por linhas. Cada bainha retém um suspiro de cansaço.

Creio que ninguém conhece tão bem o sabor da frustração e a enfrenta com tamanha perseverança quanto as costureiras. Desistir é extremamente amargo. Atormenta-nos a ideia de ter de abandonar um caminho para onde nos dirigíamos a passos largos achando que se estava na direcção certa. E, no entanto, as costureiras fazem-no repetidamente, com uma paciência heróica que apenas elas possuem.

Nunca fiz uma peça de roupa para mim; não quis aprender a coser a sério porque sempre soube que isso implicaria errar e desfazer mais vezes do que aquelas que nasci preparada para aceitar fazer. Como o destino é matreiro e travesso, acabei por me ver a coser, não com linhas, mas com palavras que serpenteiam a carvão ao longo das folhas branco-amareladas dos meus cadernos velhos, como alinhavos antes de uma costura, que depois transcrevo para o computador. Apago mais frases do que aquelas que ficam escritas. Parece que nunca encontro a medida certa, o tom e a direcção que mais me satisfaz. Em cada sílaba, um ponto rematado no tecido da vida. Escrevo, apago e torno a escrever até me parecer melhor. Mas nunca chego lá. Por isso, continuo a escrever, como uma colcha de Penélope que nunca é terminada.

A carta Oito de Copas mostra-nos que desistir nem sempre é andar para trás; porque também o retrocesso, que enfrentamos virados do avesso com as costuras e cicatrizes expostas, faz parte dos planos. Afinal, de que vale insistir na confecção de uma peça de roupa que nunca nos irá servir? 

Desistir não é fracassar, e está reservado a quem possui a coragem de desmanchar para aprimorar. Fracassar seria recusar-nos a mudar de direcção quando temos uma parede e não uma porta à nossa frente; quando tentamos enfiar uma camisola do tamanho M, sabendo que a nossa medida é L.

Hazel
Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1597
foto: cortesia de Zélia Évora

Espírito de aldeia num prédio


Pedi um raminho de louro, a minha árvore preferida, para temperar os cozinhados e para, de vez em quando, queimar como incenso délfico. Quis a generosidade, ainda existente entre seres humanos, que me fosse ofertado um ramo do tamanho de uma árvore.

Poderíamos ficar com louro para o resto da vida, mas sinto-me ainda mais satisfeita por ter louro só por uns bons tempos, e sentir o prazer de distribuí-lo por mais casas. Um gesto de bondade torna-se maior quando o fazemos crescer, e não o guardamos só para nós. Se há em abundância, o natural é partilhar.

Assim, hoje o L. e eu estivemos a fazer cones de cartolina verde, enchêmo-los de folhinhas de louro e, às escondidas, pendurámo-los nos puxadores das portas dos vizinhos do prédio com um bilhete nosso. Foi uma bela marotice!

Quem sabe se esta surpresa não irá animar alguém que se sinta triste ou sozinho, ou que se esquece sempre de comprar louro quando vai ao supermercado.


A pendurar coisas à socapa nas portas dos vizinhos,

Hazel


Mil decibéis de silêncio


Intrigam-me as pessoas caladas. Há um inegável respeito que impõem no seu jeito silencioso de existir e no olhar observador com que seguem as conversas acenando educadamente com a cabeça, mas guardando as suas opiniões para si, seja por timidez, precaução, ou pela irrelevância que possam atribuir às palavras. Se a paz de espírito pertencer a alguém, nunca poderá ser de um tagarela, mas de um introvertido. 

Folheando mentalmente as pessoas a quem sou mais chegada, reconheço uma amiga assim. Todas as semanas fazemos uma caminhada juntas, há mais de um ano. A Patrícia, é assim o seu nome, nunca fala de assuntos inúteis ou desnecessários. Escolhe sempre cuidadosamente as palavras antes de libertá-las de dentro de si. De bom grado troca um “sim” por um simples inclinar de cabeça com um sorriso - é suficiente. 

E eu, que tantas vezes me arrependo por colher maçãs antes de me certificar que estão maduras, falando por impulso sem antes medir as palavras, admiro quem dá primazia aos pensamentos em relação ao verbo. Afinal, o mundo já tem palavras demais à solta, palavras que por vezes se descontrolam e geram zangas, mal entendidos, conflitos, ressentimentos, guerras. 

Já o silêncio é tão raro e valioso que não sabemos como comportar-nos quando desavisadamente nos encontramos a partilhá-lo com alguém durante mais de cinco minutos. 
De certa forma, sentimo-nos nus, pretendendo simular naturalidade, mas sem saber o que fazer com as mãos que procuramos desajeitadamente enfiar nos bolsos que não temos e, por isso, socorremo-nos de uma manta que nos cubra a aflição da vulnerabilidade - a palavra. Cometemos, assim, a grosseria de invadir a perfeição silenciosa do universo da outra pessoa com uma qualquer observação banal e cretina sobre o tempo ou sobre como correu a semana. 

As pessoas caladas têm um universo mais vasto que as outras, com mais continentes, oceanos, ilhas, estações espaciais, estrelas e nebulosas. É interessante observar o contraste dos que falam sem parar, como se da sua boca saltassem milhares de massinhas da sopa de letras entrecortadas por breves segundos de pausa para ganhar fôlego; por oposição à serenidade dos que observam o mundo sem sentir necessidade de lhe acrescentar uma sílaba.

O silêncio é uma arte que apenas podemos apreciar emoldurada pelos barulhos do mundo. 
Não podemos - nem devemos - querer silenciar os ruídos à nossa volta. É o nosso silêncio interior que se deve sobrepor aos barulhos exteriores. Só então dominaremos essa arte e estaremos aptos a ter longas conversas com um simples aceno de cabeça. Como a Patrícia.

Esta semana, a carta O Eremita inspira-nos a privilegiar o silêncio e desafia-nos a encontrá-lo dentro de nós. Mergulhemos nas suas profundezas, escutemos as suas respostas e troquemos o ruído dos nossos passos apressados pelo deslizar harmonioso de uma existência quase não-existente, tamanha a sua harmonia com o pulsar da Terra.

Hazel
Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1596
crédito foto: pap.az