Dia 299

Mudar de opinião. Mudar de hábitos.
Mudar. Mudar não é fácil.

As árvores não mudam, porque têm raízes. Mas nós temos pernas, por isso podemos mudar. Só que nem sempre sabemos que podemos.
Ou sabemos, mas temos medo.

E ficamos como as árvores, parados, enquanto o mundo inteiro vai mudando gradualmente em nosso redor até o acharmos um lugar estranho. Até acharmos que chegou o momento. Ei-lo.

Dia 298




- Miauzes! Mas o que é que se passa nesta casa? Estou de bigodes em pé, estou, estou.
(Projecto 365)

Dia 297

Se encostarmos o ouvido a um búzio e escutarmos com muita atenção, conseguimos ouvir o mar.

E se fecharmos os olhos e apurarmos a audição, podemos até ter a sorte de ouvir o rebentar das ondas na areia, e o bater das pedrinhas e das conchas com o vai e vem das águas.

O apito dos navios ao longe.
O grito das gaivotas quando chegam os pescadores. As tempestades. As sereias que cantam com voz aguda e hipnótica.
Homem ao mar!, mais um que se apaixonou por uma das damas de cabelos de algas.

Dizem que dentro de cada bruxa mora uma sereia que se desvenda quando ela canta no banho. São mistérios que não posso revelar...
(Projecto 365)

Dia 296

Verde.

Cor do musgo. Da relva.
Do Pisang Ambon. Do dinheiro.
Da inveja. Das lagartixas.
Da terceira luz dos semáforos.
Da esperança. Do jade.
Da ecologia. Da hortelã.
(Projecto 365)

Dia 294

No auge da beleza, o vermelho-sangue-paixão atraiu o olhar do homem do cavalo negro. Cortou-a com o punhal e levou-a consigo.
A dama, malvada e caprichosa, atirou-a pela janela, porque prefere as túlipas às rosas. O triste cavaleiro sentou-se no chão a chorar.

Havia ferido um dedo nos espinhos da rosa e agora também o seu coração rejeitado sangrava.

Um lenço branco trazido pelo vento quente caiu aos seus pés.
Usou-o para limpar as lágrimas.

Quando abriu os olhos, encontrou perante si a mais bela donzela alguma vez vista.
Devolveu-lhe o lenço e com ele entregou o seu coração.
(Projecto 365)