- sábado, novembro 12, 2011
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O Amor.
A brisa levanta algumas folhas secas, que descrevem espirais estonteantes no ar como se dançassem a música que as Fadas tocam. A Natureza mostra-se estranha e misteriosa.
Não se ouve um pássaro, apenas um som longínquo que se assemelha ao marchar incessante de um exército de gigantes. Este som cadenciado aproxima-se cada vez mais.
É uma tempestade terrível. E eis que os Deuses lançam relâmpagos que partem o espelho dos céus e mergulham nas profundezas da Terra, queimando tudo até ao âmago.
O ciclone que anuncia o fim do mundo varre toda a superfície da Terra, arrancando as árvores pela raiz e desfazendo os mais sólidos rochedos em pó.
As vozes dos pequeninos e insignificantes mortais que lançam pragas e maldições aos Deuses não se ouvem ante a grandiosidade do momento.
Os oceanos em fúria erguem-se numa única onda colossal que lambe os desertos sugando até ao último grão de areia. Os ventos ateiam os fogos que tudo devoram.
A Água colide com o Fogo e todos os Elementos fundem-se num só.
Toda a estrutura do planeta Terra é abanada em sucessivas explosões orgásmicas que se propagam pelo espaço e abalam a serenidade da Lua, fazem tremer os anéis de Neptuno, e todo o Universo, assim como os Universos seguintes, entram em colapso.
E chega o silêncio. A mão divina desenha a pincel um novo mundo com novas cores, novas texturas, novos cheiros. O ar fresco e puro invade os pulmões da Terra.
A areia espalha-se criando novos desertos e a água salgada enche novos oceanos.
Novas árvores brotam da terra fértil e o chão relvado transforma-se em veludo onde deslizam num tango interminável as duas Almas para quem os Deuses orquestraram tudo.
O Amor é... uma catástrofe da Natureza.
- sexta-feira, novembro 11, 2011
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Caminha majestosamente e sem fazer barulho, enquanto cobre as ruas com o seu manto.
É bela aos olhos de alguns, mas tenebrosa para outros.
Durante o seu reinado de trevas, abrem-se os portais dos mundos e criaturas estranhas observam-nos atentamente enquanto dormimos. Se abrirmos os olhos naquele momento de vigília que às vezes se interpõe entre um sonho e outro, conseguimos vê-las. Experimente. Se tiver coragem...
(Projecto 365)
- quinta-feira, novembro 10, 2011
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O meu primeiro bolo azul.
Verdade seja dita: depois de assado, as fatias pareciam esponjas de lavar a loiça.
Mas sabia bem. :)
(Projecto 365)
- quarta-feira, novembro 09, 2011
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Não podemos lutar contra os ciclos. Quando vem aquele frio que nos gela e queima ao mesmo tempo, não adianta agarrarmo-nos às folhas verdes na esperança de que o Verão não parta.
Até porque elas amarelecem.
Por isso, deixemo-las cair. Libertemo-las. Não tenhamos medo do vazio, da feiúra e do desalento.
Porque enquanto as folhas secas estalam sob os pés das crianças que correm e riem pelos jardins, a seiva continua a correr lentamente nos ramos das árvores. Não morreram.
Só estão à espera da Primavera.
(Projecto 365)
- terça-feira, novembro 08, 2011
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