A minha floresta pessoal

Ela chegou ontem, triste e tímida, de cores apagadas, mas foi recebida de ramos abertos pelas restantes.

Apesar de estar em processo de redução de tralha em casa, as plantas não estão incluídas. Sempre haverá espaço para mais uma. Nunca serão demais!
São as minhas guardiãs e amigas, por quem tenho tanto carinho.

De onde veio este feto/ samambaia?
Do lixo. Como quase toda a minha floresta, salvo raras excepções.

Longa vida à minha nova companheira de viagem! E que as suas folhas verdes cresçam radiantes na certeza de que chegou a bom porto e a partir de agora será sempre amada e protegida.




Embrenhada na floresta,

Lição de anatomia


L. - Mamã, dói-me o peito. Já não consigo comer mais.
Hazel - O peito? Homessa! Mas em que sítio?
L. - Aqui, mamã.

Ele mostra, colocando a mão na barriga.

Hazel - Isso não é o peito, é a barriga. O peito é na zona das maminhas.
L. - Ai é nas maminhas? Então, a barriga é isto tudo das maminhas para baixo?
Hazel - Sim.
L. - Uau...!

Beijos anatómicos,



O silêncio é o guardião da paz de espírito.


Ontem, durante algumas horas, fechei as janelas todas, desliguei a música e o maior número possível de aparelhos eléctricos. E deixei-me ficar a escutar o Silêncio.

Bebi-o como quem deixa escorregar pela garganta um néctar macio feito de frutas que maturaram um Verão inteiro sob os raios dourados do Sol. Alimentei-me dele como um manjar dos Deuses. A minha alma foi nutrida deste vazio de sons, este deserto sonoro.

Escutei a minha própria respiração que, gradualmente, abrandou, assim como o bater do meu coração. O silêncio é branco, luminoso, leve, fresco, suave e inodoro.
Estou tão enamorada dele que hoje quero vê-lo de novo. Que os seus braços me abracem sem me prender e a sua voz fale comigo num sussurro mágico. Silenciosamente tua.

Shhhhh....,

Hazel

Setembro, tu que começas por S


Simplesmente, traz-me:

Silêncio, para que eu escute a minha voz interior.
Serenidade nos Sentimentos.
Sabedoria nas palavras.

Suavidade nos acontecimentos.
Sensibilidade na intuição.
Sândalo na cor dos meus cabelos.

Serenatas apaixonadas.
Segredos Sussurrados ao ouvido.
Simpatia que aconchega como um casaco de malha num dia frio.

Sopa de legumes.
Sorrisos cúmplices.
Suspiros de prazer.

Sol morno e dourado.
Sementes de alegria.
Sossego no decorrer dos dias.

Sinceramente,



Móveis com pó. E uma Vida a ser Vivida.


A poeira que repousa silenciosamente sobre os livros nas estantes e ao longo da superfície dos móveis não é um sinal de desmazelo. Não, não. Pelo contrário.

Ela mostra-nos que há algum tempo nada precisa de ser mudado, porque tudo está bem como está.

Mas, acima de tudo, está lá também para testemunhar a mais nobre forma de passagem do tempo: Vivendo a Vida. Sem desperdiçar tempo - a limpar o pó. Que sempre volta. E a vida não.

No meio dos livros empoeirados,