As Lições do Bosque


"Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a memória.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes nos seus primórdios.

Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve o seu bebé.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.

Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no Outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na Primavera.

Terra, ensina-me a esquecer-me de mim, como a neve que derrete esquece a sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar-me da bondade, como os campos áridos choram com a chuva."

"UTE" Philip Novak
A escutar as árvores,

Hazel

O homem-árvore


"Como uma árvore, o rei da floresta, assim é o homem exactamente.
Os seus pêlos são as folhas, a sua pele, a casca exterior.

O sangue escorre da sua pele como a seiva da casca da árvore.
Do homem ferido, jorra como a seiva da árvore em que batemos.

As carnes são ramos. Os tendões são o alburno, o que é firme.
Os ossos são o cerne da madeira. E a medula é como a medula.

A árvore abatida cresce de novo da sua raiz, renovada.
Mas o mortal que a morte abate, de que raiz crescerá de novo?

"Do esperma!" Não digais isso: este só é gerado por um vivo.
Como uma árvore crescendo de uma semente, morto, vemo-lo renascer.

Se a arrancamos com as suas raízes, a árvore nunca mais revive.
Mas o mortal que a morte abate, de que raiz crescerá de novo?

Ele nasceu, não nasce. Quem poderia fazê-lo renascer?
Conhecimento, beatitude, sagrado, recompensa de quem dá, refúgio além, de quem fica assim, de quem conhece isso."

Brhad - Aranyaka - Upanixades
Na Paz do Bosque,

Hazel

Ladrões de Tempo


Alguém anda a roubar o tempo.

Vou descobrir quem são esses ladrões de tempo trapaceiros e prendê-los aos ponteiros do relógio, para que se lembrem que o tempo é um assunto sério, que não deve ser apressado nem atrasado.

Sem tempo,

Hazel

Ser adulto é uma seca


Hoje expliquei ao meu gaiato que os crescidos são pessoas muito sérias e, por isso, não podem fazer macacadas nem cantar alto e esganiçado rá-tá-tá-tá-ra-ra-ta-tá-tá como a música das cornetas do circo. 

A menos que tenham as janelas do carro bem fechadas. 

Ele ficou a processar a informação, enquanto avaliava as outras senhoras enfadonhamente circunspectas por detrás dos seus óculos-escuros de marca, no nosso caminho de casa.

- Não, filho, as outras mães não fazem mesmo estas coisas. Nem eu as faço em frente a mais ninguém, além de ti, porque os adultos não acham graça a muitas brincadeiras. Preferias que eu fosse mais séria?

- Não, gosto de ti assim. (abençoado!)

E continuei a cantoria, enquanto estacionava, com os meus mais despreocupados agudos.
O L., no banco de trás, esboçava o seu sorriso tranquilo de "tudo está bem como está".

Mas o som atravessa os vidros dos carros, e a prova disso foram os olhos esbugalhados da senhora no carro ao lado, que seguiram incrédulos o nosso caminho todo até entrarmos no prédio. Caminho esse, que percorremos cheios de dignidade. E seriedade.

Se o Peter Pan fosse uma miúda... era eu!  

Forever young,