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Armar-se em Carapau-de-Corrida



REZA UMA TEORIA PISCATÓRIA QUE existem alguns carapaus que chegam mais depressa à costa. Nadam em grandes cardumes, vigorosos, luzidios e cheios de pressa, na ânsia de serem os primeiros.
 
Acredita-se, por isso, que sejam ligeiramente melhores do que os restantes carapaus que chegam mais tarde: de um temperamento mais zen, tranquilo e relaxado, estes vêm a nadar nas calmas, apreciando a paisagem submarina e fazendo algumas pausas para fotografar as algas.

Apesar de continuar a ser apenas um carapau, o carapau-de-corrida, com os seus ténis Nike-barbatana e o discreto sorriso de quem julga pertencer a uma espécie superior, parece achar-se mais importante só porque chegou primeiro.

Assim, a expressão «armar-se em carapau-de-corrida» significa:

– Fazer-se importante;
– Exibir-se;
– Julgar-se possuidor de uma superioridade auto-atribuída;
– Agir como se fosse de melhor categoria;
– Ter “a mania”.

O anzol da expressão está no contraste. O carapau-de-corrida continua a ser um peixe banal e de baixo valor comercial, por muito convencido que nade nos mares da auto-ilusão.

Mais cedo ou mais tarde, carapaus zen e carapaus-de-corrida... acabam na mesma frigideira. Com batatinhas cozidas.

A nadar nas calmas,

Hazel
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Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.