Avançar para o conteúdo principal

O menino que descobriu a casa do Pai Natal

Conforme prometido, eis a minha história (espero que gostem e a contem aos vossos filhos/alunos):

Era uma vez um menino que foi passar o Natal em casa da avó.

A avó vivia numa casa muito grande e antiga, e ele ficou a dormir no quarto azul, no andar de cima.

Esse quarto nunca era utilizado, mas despertou a curiosidade do menino, devido a um baú invulgar que lá havia. Quando já todos dormiam a sono solto, o menino acendeu a luz, saiu da cama, e ajoelhou-se em frente ao baú. Abriu a tampa e - nem imaginam! - Lá dentro havia uma floresta. Sim, uma verdadeira floresta mágica...

Ele entrou no baú, e imediatamente, viu-se rodeado de muitas árvores de frutos.
Tudo à volta era lindo!

Havia uma macieira que tinha maçãs tão vermelhas e brilhantes como nunca tinha visto. Estendeu o braço para colher uma maçã, quando, de repente...

- Fssssssssss......... Estas maçãs são minhas! - Falou uma cobra, que se revelou sinuosamente por entre os ramos.
- Oh desculpe, Sra. Cobra. Não sabia. As maçãs são tão bonitas. E eu só ia tirar uma.
- Eu dou-te uma maçã, menino. Mas primeiro trazes-me aquele ananás ali ao fundo, vês?

O menino dirigiu-se a um ananás que estava no chão, mais à frente, e começou a puxá-lo.
- Oh não!! Por favor, não, não, não! Não me faças mal! - Implorava um ratinho, de olhos vivos e bigodes compridos, que saiu lá de dentro.

O menino ficou espantado.
- Olha... um ratinho! Tu vives dentro do ananás?!

A cobra tinha-o enganado. Ela não queria o ananás, mas o ratinho que lá vivia dentro.
O menino e o ratinho ficaram amigos, e este, para lhe agradecer por ter tido a sua vida poupada, decidiu mostrar-lhe um sítio especial, que nunca tinha sido visto por ninguém de fora da floresta mágica.

Depois de muito caminharem, chegaram a um lugar onde tiveram uma visão espantosa: uma bola de vidro enorme, gigante, colossal!

- Uau... que sítio é este, ratinho?
- Shhh... já vais ver. Aproxima-te mais.

Dentro da bola de vidro gigante havia uma casa, duendes apressados e música a tocar.

- É uma fábrica de brinquedos?! - Perguntou o menino, maravilhado.
- Oh... mais do que isso... É a casa do Pai Natal. - Esclareceu o ratinho.

Ele aproximou-se mais, até ficar com o nariz encostado ao vidro, quando, de repente...
- Olhem, manos! Está ali um menino! - Gritou um dos duendes.

O menino esboçou um sorriso tímido, e meio assustado, sem saber se deveria ficar ou fugir daqueles invulgares seres de orelhas pontiagudas, olhos grandes e sapatos compridos.

Os duendes ficaram contentes por finalmente terem conhecido um menino a sério, e imediatamente o convidaram a entrar. O menino, depois de ter percebido que não havia perigo, aceitou. Mas como poderia passar através do vidro para dentro da bola?

- Só os seres mágicos é que conseguem entrar e sair. Mas o Pai Natal pode fazer um feitiço que te vai fazer entrar. Espera um pouco.

- Rooooooonc! Ronnnnncc! - O Pai Natal dormia uma sesta, e ressonava tranquilamente.
- Pai Natal... Pai Natal.... Pai Natal!!!
- Ronnn... hã? Hum? Ah... Olá, Duende Lino.

O duende contou que havia uma rara visita. Momentos depois...

- Vupt! Vapt! Vjuzzz plin! - O Pai Natal fazia gestos no ar e dizia estranhas palavras com poderes mágicos. Num piscar de olhos, o menino já estava dentro da bola de vidro.

- Então e o meu amigo? - Apontou para o ratinho, que dizia adeus, enquanto se preparava para regressar ao seu ananás.
- O ratinho tem de voltar, pois tem de tomar conta do ananás. É a sua missão.

Os duendes e o Pai Natal mostraram ao menino o mundo encantado que havia dentro da bola de vidro. Havia brinquedos por todo o lado, guloseimas, passarinhos, instrumentos musicais que tocavam sozinhos por magia, e um cheirinho a chocolate quente no ar.

O menino brincou muito, comeu doces, e depois o Pai Natal disse:
- Está na hora. Tens de voltar para casa.

O menino já não sabia o caminho de regresso, e começou a chorar.

- Tem calma, meu menino. Não tarda nada, já estás na tua caminha. Olha quem vem aí.
Era uma rena pequenina, de pêlo castanho e sedoso.
O menino subiu para a rena enquanto o Pai Natal segredava qualquer coisa ao ouvido do bichinho.

Ela começou a voar, e o menino, com medo de cair, fechou os olhos com força e agarrou-se às pregas do pescoço da rena, enquanto ela atravessava o céu negro e estrelado.

De repente, o menino deixou de sentir o vento nas orelhas, e quando abriu os olhos... estava agarrado ao cobertor da sua cama.

Ao lado da sua almofada ficou um Pai Natal de chocolate, que ele comeu, e voltou a adormecer no conforto da sua caminha.

[Protegido por Direitos de Autor.]
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.