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A cabaça partida

Isto é uma pequena cabaça que já tenho há vários anos.

Não serve para nada, mas gosto dela, porque gosto de coisas da terra. Tenho-a guardada numa gaveta à espera de uma ideia diferente.

Mas não é sobre ela que vou falar...; é sobre a sua irmã. Ah, pois! Ela tinha uma irmã igualzinha, que o L., sem querer, partiu ao meio.

Mesmo partida, nunca a deitei fora, e num dia de inspiração e paciência, lembrei-me de transformar as suas duas metades em bonecas.


A metade menor, pintei de branco-sujo e desenhei uma cara.

Fiz-lhe cabelos de cordas e um vestido castanho. O corpo é um pauzinho chinês encaixado na cabeça.

É uma espécie de camponesa, que tem estado felicíssima a viver neste vaso.


E, com a metade maior, fiz uma boneca-espantalho.

Colei uns brilhantes castanhos para fazer de olhos, e um pedaço de fósforo, que é o nariz.

O corpo e braços são dois paus cruzados, e esta até teve direito a brincos e cachecol.

Está no hall de entrada, para receber quem entra.

Tudo isto, porque o L. um dia partiu uma cabacinha...

Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.