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Varinha de condão

Não vivo em Portugal. Nem no Brasil. Nem neste mundo, sequer. Quando passo a soleira da porta de casa, entro num livro de histórias.

Se pensa que a força inspiradora que faz esta casa-livro flutuar e viajar por cima das nuvens sou eu, está enganado. Quem dirige é o L.. Ele sabe o caminho. E os ventos obedecem-lhe.

Nas páginas deste livro de encantar onde vivemos, a sopa de cenoura chama-se sopa de Sol. Às couves-de-Bruxelas, chamamos couves da horta dos Gnomos.

As cortinas dançam nas janelas abertas, ao som de uma melodia inaudível, mas cujas vibrações fazem o chão pulsar e propagam-se até aos nossos corações, que batem na mesma sintonia.

A magia manifesta-se na mais ínfima pequenez... e todos os cantos escondem segredos sussurrados pelos objectos.

Logo, não deveria ter ficado tão admirada quando o meu pequeno grande escritor encaixou uma estrela, tirada de uma iluminação de Natal, num pauzinho de algodão doce, e disse:

- Toma, mamã, fiz este presente para ti. É uma varinha, porque tu és a minha Fada.

Mas fiquei admirada. E emocionada. E encantada. E orgulhosa. E... ah...
Foi o presente mais bonito e significativo que recebi.
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.