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Vamos lá a despachar isso!

Tentei morder os lábios para não falar, mas está tanto frio que estou meio anestesiada.
Tentei amarrar as mãos para não escrever, mas não encontro aqui nenhuma corda.
Não aguento mais. Isto tem que sair.
Ó Senhores, eu este ano não estou com pachorra alguma para o Natal!

São as luzes coloridas de pisca-pisca nas janelas dos prédios e nos jardins das casas.

São os folhetos dos hipermercados que me entopem a caixa do correio com o mesmo bacalhau, o mesmo perú, o mesmo camarão-tigre, e brinquedos caros.

É a ansiedade das pessoas para gastar o que têm e o que não têm para agradar aos outros. Por obrigação.

São os ecopontos que vão vomitar papel de embrulho e embalagens vazias de brinquedos que, dentro de 1 ou 2 semanas ficam esquecidos no monte.

São os telefonemas de pessoas que nunca se lembraram de nós durante o ano inteiro.

Tudo isto me aborrece.
Para quê esta euforia a dias e horas marcadas?

Há quem diga que se celebra o nascimento de Jesus, mas bem sabem as pessoas esclarecidas que não existem registos sobre a data exacta do seu nascimento.
Tempos houve em que se celebrou o seu nascimento em Maio!

O único evento que efectivamente ocorre é o Solstício de Inverno.
Foram os líderes da Igreja que instituiram, por questões de conveniência, que no dia 25 de Dezembro passaria a celebrar-se o Natal (quem não concordasse, ia para a fogueira...).
Que sentido faz isto?

"Mas é um bom pretexto para as pessoas se reunirem".
Argh... Quando gostamos de alguém e esse alguém gosta de nós de volta, não há necessidade de pretextos nem de dias marcados. Senão, torna-se uma obrigação.

Estas ponderações levaram-me a apresentar a minha carta de demissão.
Demito-me do Natal, desta maçada toda, das correrias, das obrigações e das hipocrisias.
Solto o grito do Ipiranga! Adeus! Sou livre agora!

Não:
Não vou ligar a ninguém naquele dia específico, por obrigação.
Aqueles que são importantes para mim, ligo-lhes várias vezes ao longo do ano.
Também não vou atender chamadas de números que não me ligaram durante o ano inteiro.
Não vou andar em transe nos centros comerciais a comprar presentes mais caros do que posso pagar.
Não vou andar à luta no meio das marabuntas por uma couve já meio esfrangalhada para a Consoada.
Não vou fazer bacalhau só porque toda a gente come bacalhau. Bife com batatas fritas!

Sim:
Sim, temos árvore de Natal, feita pelo L..
Sim, vou comprar presentes para o L..
Sim, vou celebrar, mas o Solstício de Inverno. Que não calha nos dias 24 nem 25.
Sim, vou gostar de receber os postais de Natal que vêm a caminho.
Sim, vou gostar de receber presentes oferecidos com vontade, e não por obrigação.

Pronto, falei. Uffff...
Quem quiser, pode consultar aqui algumas informações interessantes acerca do Natal.
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.