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O Defunto


Ai! Então, não é que encontrei um defunto a viver no meu roupeiro?
Tinha-o lá guardado há tanto tempo que me esqueci dele.
Lá estava, bem direitinho, como compete aos defuntos, com o usual saco de plástico preto a envolvê-lo. Não podia ser; resolvi ressuscitá-lo.

Abri com cuidado o fecho éclair do saco preto, e encontrei o defunto em perfeito estado de conservação. Nem um odor sinistro que acusasse o seu estado de abandono prolongado.

O defunto era um casaco preto e longo que certa vez comprei para usar em dias de festa.
Homessa, mas que me teria passado pela cabeça? "Dias de festa" - imagine-se.

Então, não é verdade que todos os dias são dias de festa?
E que todos os dias celebramos mais um dia de vida?
Que a grande festa está em ter dias para contar, em vivê-los, assim... viver, mesmo?

É.

Estamos à espera de quê, enquanto as traças dançam o tango nos buracos dos nossos mais adorados e preciosos atavios? Não há mais roupas de festa aqui em casa. Finito! Acabou. Qual "dias de festa", qual quê.

Se me virem a fazer compras no supermercado com um vestido de veludo ou uma tiara de princesa, não me chamem excêntrica. Ora, chamem-me... festiva.

A grande festa da vida merece ser celebrada todos os dias, a cada nascer do Sol.
(mesmo em dias nublados)

A celebrar a vida,

Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.