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Deitar fora vestidos velhos

Perdoar não é fácil. Não sou muito boa nisso. Sou apenas humana, e também tenho as minhas limitações.

Não tenho vergonha nem orgulho disso. Sou como sou. Os outros são como são.

Preciso do meu tempo. Primeiro, revivo o assunto como um filme dramático, sofrendo continuamente com ele.

Depois, empurro-o com repulsa para um canto escuro dentro de mim mesma, na esperança que morra asfixiado e sem luz. E o tempo passa. E a vida não pára.

As estações do ano sucedem-se, até que chega o Outono, tempo de se arrumar gavetas e baús. É, então, que descobrimos um vestido velho, que nos acompanha há anos, já ratado pelas traças, e lembramo-nos que não se conservam coisas estragadas porque estão a ocupar espaço e não deixam entrar nada de novo.

Deitei fora o velho vestido, mesmo sem ter outro para o substituir. Continuei as arrumações, e procurei mais fundo no baú. Foi quando me deparei com as velhas mágoas, também ratadas pelas traças. Perguntei a mim mesma se também são para deitar fora ou se guardo por mais um pouco de tempo à espera não sei de quê.

O meu baú ficou vazio. Não tenho muitas roupas, mas aquelas que usar serão apenas as que me fazem sentir feliz.

À procura de um vestido novo,

Hazel
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.