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39 anos!

Há dias, estava atrasada para ir buscar o meu filho à escola. Tinha acabado de tomar banho, só tive tempo de enfiar umas calças de ganga e uma camisola, e saí a correr, de cabelos molhados. Encontrei-o sentado no chão com os colegas a jogarem nos telemóveis. Ele levantou a cabeça, olhou para mim e continuou o que estava a fazer.
- Então?!, disse eu.
- Ah, és tu! Pensava que eras uma adolescente, exclamou o meu gaiato.
Ainda que escandalosamente bem conservada, hoje faço 39 anos. 39!
Ai minha nossa. Não sei como é que isto aconteceu.

Estou atónita por ter chegado aqui tão depressa - eu, que ainda ontem colava pastilhas elásticas debaixo da mesa na escola.

Aos 39 anos, temos mesmo de deixar-nos de merdas e agarrar a vida, porque ela escoa-se como areia numa ampulheta. Não há uma gaveta extra de tempo para onde possamos atirar os sonhos e guardá-los enquanto esperamos nem sei o quê.
Não dá para ignorar o que sentimos por baixo da pele. É agora. Ou nunca.

Aos 39 anos, não podemos mais olhar para trás, mas caminhar em frente, fazer planos, atirar-nos à loucura que sempre amordaçámos por receio do que os outros possam pensar. Afinal, nesta idade, já ninguém nos pode obrigar a comer a sopa.
A nossa felicidade está exclusivamente por nossa conta.

No ano que vem, não sei como me sentirei com a mudança de "inta" para "enta", mas, até lá, prometo solenemente a mim mesma, com todos vós como testemunhas, que darei o meu melhor para fazer tudo aquilo que me traz alegria!

Em palco com as minhas queridas colegas, no último espectáculo de dança oriental de 2015.

Uf!
Uma enorme e sentida vénia, de nariz a tocar nos dedos dos pés.

Pronta para soprar as velas,
Hazel
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.