- Então?!, disse eu.
- Ah, és tu! Pensava que eras uma adolescente, exclamou o meu gaiato.
Ainda que escandalosamente bem conservada, hoje faço 39 anos. 39!
Ai minha nossa. Não sei como é que isto aconteceu.
Estou atónita por ter chegado aqui tão depressa - eu, que ainda ontem colava pastilhas elásticas debaixo da mesa na escola.
Aos 39 anos, temos mesmo de deixar-nos de merdas e agarrar a vida, porque ela escoa-se como areia numa ampulheta. Não há uma gaveta extra de tempo para onde possamos atirar os sonhos e guardá-los enquanto esperamos nem sei o quê.
Não dá para ignorar o que sentimos por baixo da pele. É agora. Ou nunca.
Aos 39 anos, não podemos mais olhar para trás, mas caminhar em frente, fazer planos, atirar-nos à loucura que sempre amordaçámos por receio do que os outros possam pensar. Afinal, nesta idade, já ninguém nos pode obrigar a comer a sopa.
A nossa felicidade está exclusivamente por nossa conta.
No ano que vem, não sei como me sentirei com a mudança de "inta" para "enta", mas, até lá, prometo solenemente a mim mesma, com todos vós como testemunhas, que darei o meu melhor para fazer tudo aquilo que me traz alegria!
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| Em palco com as minhas queridas colegas, no último espectáculo de dança oriental de 2015. |
Uma enorme e sentida vénia, de nariz a tocar nos dedos dos pés.
Pronta para soprar as velas,
Hazel
