14/01/2015

Hoje, o post é para o meu filho

Parabéns! Hoje é o teu dia, filhooooooo!

A mamã está tão orgulhosa de ti. Já tens 10 anos!
Viva, viva, viva!

Obrigada por sermos os melhores amigos do mundo e por gostares tanto de mim.

Obrigada por me teres escolhido a mim, quando eras ainda só uma estrelinha, para eu ser a tua mamã.

Como estás muito crescido e já sabes ler bem, agora já consegues ler as mensagens que a mamã te foi escrevendo ao longo dos anos.
Guardei tudo para ti:

Tinhas 4 anos - "Post para um leitor que ainda não sabe ler"

Tinhas 5 anos - Como foi quando tu nasceste. Passa para o seguinte, este lês quando fores mais crescido.

Tinhas 6 anos - Este vai dar menos trabalho a ler, tem uma música gira para tu ouvires.

Tinhas 7 anos - Escuta a música que tocava enquanto eu esperava que nascesses.

Tinhas 8 anos - Tem uma mensagem da mamã e desenhos-animados do Dartacão!

Aos 9 anos, a mamã não escreveu mensagem no blog, foi quando fomos passear. Ai que alívio, é menos uma para leres!

E agora... vai abrir os teus presentes, que estão.......

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Escondidos na marquise da sala.

Muitos beijinhos!

Mamã.

12/01/2015

O Frango de Satanás

Abriu há alguns meses uma churrasqueira na rua que fica acima da minha. Desde então, deixei de sentir o perfume doce e limpo da chuva e o odor verde das árvores.

A todas as horas do dia, um intenso e persistente cheiro a frango assado espalha-se no ar, assim como um pum que se julgava inócuo e até inofensivo, mas se revelou agoniante. Um pum cujo cheiro não desaparece nunca. 

(pausa dramática)

Às oito e tal da manhã, o frango assado entra-me a voar pela janela da casa-de-banho, misturando-se atrevidamente com o vapor do meu duche de ninfa, que outrora apenas suspirava a rosas e alfazema. Já deito frango pelos olhos.

Os ventiladores da churrasqueira, quais ventas de Satanás, vão ao rubro de tanto fumo vomitar ao fim-de-semana, quando há sempre alguém a exclamar: "Vamos buscar um frango!"
Como se fosse o frango, o que vai salvar o almoço, que vai salvar o mundo.
Ah, senhores, se gostam de mim, não profiram essa abominável frase na minha presença.

Mal oiço o "Vamos buscar um frango", imediatamente vejo o pobre frango espavorido a fugir rua fora de asas abertas e a cacarejar, qual personagem do filme "Fuga das Galinhas". 

Não, não vamos buscar porra de frango algum. Deixem o bicho em paz.

Mal-humorada,

11/01/2015

Diário de Viagens. Página 1


Escrito dentro do comboio algures entre o Algarve e Lisboa.

Gosto de viajar sozinha, sem que o meu silêncio seja invadido por palavras supérfluas.
Viajar é como viver um caso de amor. Ou de prazer egoísta. Deixar-me seduzir sem oferecer resistência pelo calor de uma nova terra, os seus cheiros, a pronúncia. Pensar que eu podia ficar lá, mas, inevitavelmente, acabo por ir embora, como um amante de uma só noite, o único que alguma vez tive; as viagens.

Dentro da minha cabeça, toca “You could be mine” dos Guns n' Roses, e eu sorrio discretamente, mantendo o registo semi-apagado, silencioso e invisível, em harmonia com o meu velho vestido de lã cinzento e cheio de borbotos. 

O comboio atravessa o Alentejo com o Sol doce e quente a entrar por ambos os lados.
Sinto-me abraçada, amada por esta terra onde não nasci, mas estendi uma raiz fininha e esperançosa. Um dia, Alentejo, um dia.

Quase não se sentem os carris, poderia imaginar que estou a viajar sobre nuvens.
As copas das árvores apressadas enchem-me os olhos, que se alongam de amor.
Obrigada, mundo. Ainda bem que aqui estou.

Sobre carris,

07/01/2015

Fazer um Banho de Sereia

Todas as mulheres são sereias que navegam na inconstância das marés ao longo de cada lunação.

Umas vezes, mantêm-se à superfície, beijadas pelo Sol morno e atrevido. Outras, mergulham nas profundezas obscuras onde se debatem com limos fantasmagóricos que lhes agarram as pernas, e esbofeteiam peixes-espada que se metem pelo caminho na hora errada e a fazer má cara.

São tantas as vezes que nadam contra a corrente, sentindo-se exaustas, irritadas, incompreendidas, à deriva no mar das emoções. Isto é ser mulher.
Terrível e mágico ao mesmo tempo!

Sob o olhar cúmplice da Lua que espreita pela janela através dos fios prateados da teia-de-aranha onde uma mariposa acabou de cair, a banheira enche-se de água quente, onde se dissolve um saco de tule com ervas consagradas e sal.

O mundo não existe mais. Só a água e o silêncio que se encontra quando nos deixamos escorregar e nos submergemos totalmente, deixando apenas a pontinha do nariz de fora.

Debaixo de água, ouvimos o ar entrar e sair nos nossos pulmões. Regressamos ao início, à respiração, à nossa essência. Ficamos até que a água arrefeça. Sem pensar, só a respirar.

Quando saímos, deixámos de ser a mulher-polvo afogueada que tenta fazer tudo ao mesmo tempo no meio de atarefados cardumes de cores psicadélicas e de gaivotas enlouquecidas, para sermos apenas e tão-simplesmente... uma sereia.

A navegar sem limos,

24/12/2014

Balanço de 2014

Agradeço ao Universo, aos Deuses, aos meus guardiões de luz, ao meu filho L., ao meu companheiro Marco, à minha família de amigos, alunos, clientes, professores, colegas, leitores, vizinhos, conhecidos e desconhecidos que, ao longo destes 365 dias, das mais variadas formas, contribuíram para a minha felicidade. Do fundo do coração.  

Porque eu sou uma pessoa de listas, e adoro contar bênçãos, partilho alguns dos meus momentos mais especiais de 2014 (sem ordem de preferência, nem cronológica):



Grata por todos os Cursos de Tarot que dei, em Sintra, em Oeiras e no Algarve, pela energia de amizade e entusiasmo que se gerou em cada curso, e pelas pessoas maravilhosas que conheci em todas as turmas.











Grata por ter podido participar na celebração druídica do Equinócio de Outono no Cromeleque dos Almendres, com as corujas a piar junto a todos nós, os relâmpagos ao longe e a magia do local. Quem esteve, sabe...







Grata pelas aulas de Dança Oriental, que resgataram uma parte tão sagrada, delicada e especial de mim, e pelo espectáculo onde actuei há pouco tempo juntamente com as minhas colegas e professora.










Grata por ter colaborado com a amiga e fotógrafa Lieve Tobback, sendo uma das mulheres fotografadas em representação do Sagrado Feminino na sua exposição na Fábrica Braço de Prata, que esteve patente durante o Dia da Mulher.

(Dado se tratar de fotos mais íntimas, partilho apenas foto do local)


Grata pelo meu gato Merlin.
Uma bênção inesperada de 2014!

Nunca pensei ter mais gatos, mas ele cruzou-se no meu caminho, estava abandonado e trouxe-o para casa. Coloquei anúncios, mas como nunca foi reclamado, acabei por adoptá-lo.
End of story.

Parece irmão gémeo do Aramis, uma coincidência engraçada do destino.




E o Aramis?, perguntais vós.
O Dom Fuas está óptimo!
Come-dorme-come-dorme-come...

Este ano foi entrevistado num programa da SIC, onde foi dar o seu testemunho sobre como é ser um gato-estrela!




Grata pelos ensinamentos recebidos pelo João Soeiro Lopes, sobre Terapia Regressiva.


Grata pela sessão fotográfica que fiz com o amigo e brilhante fotojornalista Luiz Carvalho este ano.






Grata pelas aulas particulares de pintura a óleo com a artista plástica Isabel da Fonseca. Pelas aulas, assim como pela amizade. Já está uma tela em branco atrás do cavalete à espera, para 2015!












Foi um ano que me trouxe inúmeras bênçãos, e o grande privilégio de poder fazer quase tudo o que gosto. Quase... ainda não está tudo. Essa é a ooooutra lista, altamente secreta, que escrevi no meu caderno de mesa-de-cabeceira, de objectivos para 2015.
Porque a aventura continua!

Por tudo isto, estou profundamente Grata, não me canso de repeti-lo.

Até breve, e Boas Festas para todos!

Pronta para 2015,

13/12/2014

Conversar com árvores

No último Equinócio de Outono, tornei-me amiga de uma árvore.
Numa pequena mata com várias árvores e arbustos, existe uma área onde o chão está coberto por um grande quadrado de cimento, talvez despejado dos restos de uma obra.
O cimento rachou e, de dentro da fenda, nasceu um loureiro.

Solitário e inacessível como um náufrago que vive numa ilha de cimento, ele observa ao longe todas as outras árvores que dançam e se entrelaçam umas com as outras ao sabor do vento.

Fiquei muito tempo a observá-lo, debaixo do Sol profético de Setembro, encantada com a beleza e o perfume das suas folhas verdes, que eram as escolhidas pelas pitonisas de Delfos para honrar o deus solar Apolo.

Que intrigante ironia do destino, a do tenaz loureiro emergir das profundezas da terra justamente na fenda do cimento, assim como as sacerdotisas do oráculo, que se sentavam na trípode sobre a fenda de onde a serpente exalava os vapores mágicos.

O loureiro olhou-me de volta com os seus olhos verdes de clorofila, e reconhecemo-nos um no outro.

Disse-me ele, num sussurro, para nunca me esquecer que uma árvore nasce de uma semente e cria as suas próprias raízes, onde se deve apoiar.

Que deve erguer-se alta e orgulhosa de si mesma, mesmo quando a semente já tiver desaparecido, e nunca deve procurar apoiar-se em raízes alheias, caso contrário, perde-se do caminho do Sol, que se faz com perseverança, graça e verticalidade.

Uma árvore não desiste nunca. Tudo vê, tudo ouve, tudo sabe, e nada a deve perturbar.

Com a permissão de Dafne e Apolo, trouxe alguns dos seus ramos para casa, que coloquei sobre o meu altar e, ocasionalmente, queimo uma folha, em honra da sábia serpente que ascende em espirais de fumo até àquele lugar onde só podem viajar na carruagem de Apolo os que conversam com árvores e ainda acreditam que os Deuses estão vivos.

Sob os ramos do loureiro,

07/12/2014

Ilusão Intemporal


















Há tempo para tudo, mesmo quando não temos tempo para nada.
Há tempo para rir, quando há tempo para chorar.
Tempo para arriscar, quando há tempo para sonhar.
Tempo para amar, quando há tempo para ralhar.

Tempo para calar, quando há tempo para falar.
E o contrário também.

Tempo para ver o tempo passar, quando há tempo para andar em contratempo.
Tempo para dançar, quando há tempo para lamentar.
Tempo para esquecer, quando há tempo para lembrar.
E o contrário também.

Só não há tempo para viver, quando é tempo de morrer.

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