18/04/2014

Vizinhos, essa espécie em vias de extinção

Sou de um tempo em que a chave da porta da rua ficava quase sempre pendurada do lado de fora.

Só tocava à campainha quem era 'de fora', os vendedores de enciclopédias, as beatas a pedir quinquilharia para a quermesse...

Mas as vizinhas sabiam que não era preciso bater, chegava até a ser despropositado cumprir tal formalidade.

Entrava-se sem cerimónias para pedir um molho de coentros, uns limões, oferecer um saco cheio de figos acabados de colher, partilhar revistas de moda e de conselhos femininos, ou trocar dois dedos de conversa sobre a vida alheia e os dilemas da educação dos filhos.
Tudo enquanto se tiravam as favas das vagens, se descascavam batatas para o almoço ou tiravam os alinhavos de uma bainha de uma saia.

O tempo arrastava-se devagar. Era um tempo mais longo. Havia sempre o que fazer, mas havia sempre tempo para tudo. As tardes esticavam até se perderem de vista no horizonte.

Hoje, já adulta, entro no prédio onde moro, vejo se há correio e subo as escadas de pedra fria onde raramente encontro alguém. As pessoas esperam até ouvir uma porta bater para abrirem a porta das suas próprias casas e assim saírem sem ter de passar pela maçada/obrigação de cumprimentar.

É reconfortante ouvir os pratos dos vizinhos do lado a baterem no lava-loiças depois do almoço e a torneira a abrir e fechar. Os lençóis floridos da vizinha de cima, que me tapam tantas vezes as janelas, e eu nunca tenho coragem de reclamar, porque são tão acolhedores e primaveris, que preferia perguntar em que loja os comprou a queixar-me. É praticamente todo o contacto humano que existe.

Sinto falta de ter vizinhos que me perguntem se posso dispensar algumas batatas porque o supermercado já está fechado, ou a quem eu possa pedir um ramo de salsa.
Que me avisem "Ó vizinha, vem lá chuvaaaa!", para eu tirar a roupa do estendal a tempo.
Ou que me peçam para lhes regar as plantas quando vão de férias.

No ano passado, mesmo sem conhecer os meus vizinhos, pendurei nos puxadores das suas portas um pequeno saco com frutos secos e um postal de Natal "Votos de Boas Festas dos vizinhos do 1º Esquerdo!" A vizinha da frente veio bater à minha porta uns dias depois e ofereceu-me um bloco de apontamentos com desenhos de girassóis. Depois mudou de casa.

Há dias, esqueci-me da chave de casa pendurada do lado de fora da porta. O vizinho de cima tocou à minha campainha: "Cuidado, olhe que se esqueceu da chave cá fora", e desapareceu num ápice, sem chegar a ouvir o meu agradecimento.

Oh, que nostalgia.

15/04/2014

Gostos e desgostos


Ao longo da vida, houve pessoas que gostaram dela. Poucos, muito. Muitos, mais ou menos.
Houve também outros que nunca gostaram dela, porque ela não era como eles queriam. Ou só porque existia.

Outros ainda, deixaram de gostar, porque ela nunca se tornou no que eles queriam que se tornasse.

Até ela, tempos houve em que quase deixou de gostar de si mesma porque aqueles de quem gostava não gostavam de si. Então, esses passaram a gostar ainda menos dela.

Mas ela não poderia deixar de ser quem era para tornar-se algo que não era, e assim esperar que os outros já gostassem de si. Os outros gostariam de alguém que, na verdade, não existia e de quem ela não iria gostar porque estaria a enganar-se a si mesma. Não podia ser assim.

Ela é que tinha de gostar de si mesma.
Os outros não tinham essa obrigação, mas ela tinha. Apenas ela.
E, assim, começou a gostar muito de si mesma, sem pensar em mais nada.
Então, vieram outros que seguiram o exemplo, e gostaram dela, para sua surpresa.

Os que antes não gostavam, dividiram-se. Uns, passaram a gostar ainda menos.
Outros, passaram a gostar para ver o que poderiam ganhar em troca.

Ela continuou a gostar de si mesma, indiferente a todos.
E vieram cada vez mais pessoas a gostar dela.
Mas ela não se deixava influenciar, nem pelos que gostavam, nem pelos que não gostavam, nem pelos que tinham passado a gostar por conveniência.
Ela gostava de si mesma sempre da mesma maneira, sem nunca mais voltar atrás.

E é assim que está certo.

11/04/2014

Quatro mudas de roupa

Sei de uma pessoa que viaja permanentemente pelo mundo com uma mala apenas. 
Não tem casa. A sua casa é o mundo. Por onde passa, deixa um rasto de encanto e magia. 
A sua leveza e serenidade apaixona homens e mulheres. 

Na mala, transporta 4 mudas de roupa completas. Além dos seus amuletos e talismãs. 
É praticamente tudo o que tem, esta pessoa que viaja levada pelo vento.

Até parece que estou a descrever uma personagem inventada, mas é uma pessoa real. Escolhi omitir o seu nome, e mesmo que alguém adivinhe quem é, não confirmo nem desminto!

E não me sai da cabeça que aquela pessoa só possui 4 mudas de roupa.
Sempre que abro o roupeiro, lembro-me que é possível viver apenas com 4 mudas de roupa, as nossas roupas preferidas. Podem-se combinar e alternar as peças umas com as outras.
E vestir apenas aquilo de que gostamos mesmo muito, não o que gostamos mais ou menos.

Afinal, quem é que é de quem?
São as roupas que são nossas, ou nós que somos das roupas?

É apenas roupa, podem pensar. Mas as roupas interferem com o nosso estado de espírito, podem fazer-nos sentir confiantes ou deprimidos.

Desde que ando a pensar nisto, ao longo dos últimos meses, as minhas 2 gavetas de roupa ficaram com o volume pela metade, a ponto de estar quase a poder juntar tudo numa só gaveta. E o roupeiro ganhou mais oxigénio no intervalo entre cabides.

O mais importante da vida não são as roupas que usamos, mas a vida que vivemos.
Para quê 15 pares de sapatos? Temos 2 pés, ou somos uma centopeia?

Virada do avesso,

10/04/2014

Horóscopo por Hazel - 10 a 16 de Abril 2014



Já estão disponíveis as previsões do Tarot de Botticelli para os próximos dias.


NOTA:
Estas previsões são escritas por mim, semanalmente, para o Jornal O Ribatejo, que está nas bancas todas as 5ª feiras, e são exibidas em vídeo, n' O Ribatejo online e na Etérea TV.  

Relembro que são previsões gerais. Se desejar falar comigo ou marcar uma consulta privada, contacte-me por email: hazel@eterea.tv

Grata por tudo,



04/04/2014

Ritual nocturno para cabelos longos e saudáveis

Os supermercados estão repletos de produtos para os cabelos, mas, ainda assim, continuo a ter uma predilecção pela simplicidade nos cuidados capilares. Para quê complicações, hã?

Um ritual simples (e económico!) que tenho para manter as pontas dos cabelos hidratadas e macias é molhar os dedos em óleo e passá-los nas pontas dos cabelos à noite, antes de dormir. Basta duas ou três gotinhas!
E só nas pontas!

Mas que tipo de óleo, Hazel?, vós perguntais.

Óleo de massagens. De qualquer marca, desde que seja natural, sem aditivos sintéticos.

Os óleos de massagens são hidratantes e, se são bons para a pele, são bons também para o cabelo.

Pela manhã, o óleo terá sido completamente absorvido pelo cabelo, o que facilita depois a escovagem e permite que dominem o animal selvagem capilar. Aha!

Hidratada e maravilhosa,

25/03/2014

Lista de Paixões



Fazem-se listas de compras, listas de tarefas domésticas, listas de objectivos, listas de convidados, listas telefónicas, listas negras, listas, listas, listas.

Listas de tudo, e são quase sempre listas chatas. Ou perigosas, no caso das listas negras!

Nunca vi listas de paixões.
Então, decidi fazer a minha:

- livros novos e velhos, sobre os mais variados assuntos, bibliotecas
- flores, árvores, ervas daninhas, musgo, plantas silvestres
- mar, areia, conchas, búzios, cheiro a maresia, adormecer ao Sol
- escrever o que me apetece
- velharias, antiguidades
- histórias de encantar e de meter medo
- dançar, tango, danças orientais, sevilhanas, dançar à maluca quando ninguém está a ver
- cantar no duche usando o chuveiro como microfone, imaginando que sou uma estrela de rock
- velas acesas, incenso a queimar, fogueiras, lamparinas e lareiras
- mistérios, enigmas, charadas e mensagens encriptadas
- o cheiro do bosque quando cai a humidade da noite e o orvalho da manhã
- cores vibrantes e a cor preta
- pássaros, borboletas e ouriços-cacheiros
- viajar de avião para longe
- vestidos femininos
- música e caixas de música
- chapéus de palha, cartolas, chapéus cónicos, chapéus de feltro
- Tarot
- móveis com divisões secretas e casas com passagens secretas
- estrelas
- fotografias em contraluz
- gatos nas janelas das casas
- lápis de cor
- poltronas de orelhas, cadeiras de baloiço, redes espreguiçadeiras
- o silêncio absoluto
- alperces, morangos, chocolates, doces de ovos e tarte de maçã com canela
- o Sol pela manhã e as tardes de Verão
- o canto das cigarras e dos grilos
- a noite das Bruxas
- sótãos
- arco-íris
- o perfume do gengibre
- veludo e algodão puro
- ler na cama
- sumo de laranja natural
- rios, regatos e ribeiras
- o sabor da chuva
- teias de aranha
- caligrafia antiga
- o cheiro da roupa lavada, acabada de estender
- filmes no sofá com mantas e pipocas
-

Esta lista não está terminada, e é mesmo assim que quero que fique.
Gostava de ver a vossa!

A fazer listas,

20/03/2014

Terapia Reiki para pessoas que sofreram abusos sexuais

Apesar de eu ser uma criatura alegre e brincalhona, levo muito a sério o compromisso que fiz com os meus ideais de vida e procuro cumprir com o máximo rigor que consigo a minha missão para com a Humanidade. Estou permanentemente a estudar e a trabalhar no meu desenvolvimento pessoal, o que, de nada serve, se não tiver uma utilização prática...

... assim, e depois de meditar sobre o assunto, anuncio que estou disponível para ajudar, através da terapia Reiki, pessoas que tenham sido vítimas de abusos sexuais.

Não posso reescrever a história da vida de ninguém, nem mudar o que aconteceu, mas posso ajudar a que não sofram com memórias negativas, que se libertem de alguma dor, e que recomecem uma nova etapa mais leve e feliz na vossa vida, através da reprogramação mental e emocional com Reiki.

Esta terapia é feita com o paciente deitado (vestido) e de olhos fechados. Não existe contacto físico entre mim e o paciente.

Qual é o valor?
É gratuito. Por se tratar de algo de valor inestimável, e porque acho que as questões financeiras não devem ser um impedimento para alguém que sofreu abusos sexuais, decidi não atribuir um valor a este trabalho específico. Se houver da sua parte o desejo e a possibilidade de retribuir com um donativo, para ajudar a manter o meu trabalho e o meu estudo, ficarei grata, contudo, não há qualquer obrigação disso.

Onde?
Em Carcavelos.

Marcações: casaclaridade@gmail.com

NOTA: As restantes consultas de terapia Reiki que faço são pagas. Apenas no tratamento específico para pessoas que tenham sido vítimas de abusos sexuais, e no envio de Reiki à distância, o meu trabalho é gratuito.


Hazel Claridade
Mestrado em Reiki Essencial



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