Sapatinhos de veludo pretos


Pela calada da noite, enquanto a coruja piava do alto da torre da igreja solitária, guardiã derradeira de uma fé perdida nas brumas enganadoras do tempo e das vontades, os sapatinhos de veludo preto calcorreavam a calçada de pedra com a agilidade silenciosa de um felino.

As pernas rapadas a gilette apareciam por baixo do casaco cintado, deixando adivinhar prazeres e paixões, e os cabelos compridos, descolorados com água oxigenada, dançavam ao ritmo cadenciado da caminhada, como se uma música inaudível a acompanhasse. Todas as noites apanhava o autocarro e depois o comboio para o Cais do Sodré, e dali prosseguia para uma segunda vida, secreta e proibida, onde ninguém a conhecia.

Quando for grande, quero ter uma profissão normal de dia, e à noite quero ser prostituta. 
Ninguém respondeu. Continuámos a brincar com as bonecas. Nenhuma sabia exactamente o que fazia uma prostituta, mas percebemos que seria algo emocionante, mau e delicioso, quiçá ao nível de riscar a caneta o livro de ponto da professora, às escondidas. Nenhuma tinha mais de dez ou onze anos. 

A profecia concretizou-se. Durante uma meia-dúzia de anos, a miúda confiante-e-delambida dos cabelos oxigenados devotou-se à profissão mais antiga do mundo, onde conheceu as várias faces da volúpia, da excitação, da submissão, da mentira, das drogas, da sujidade e do roubo. Perdeu os dentes e o sorriso, mas manteve a atitude altiva, cheia de si para preencher o espaço vazio que a assolava.

A coruja vigilante observava de lá do alto o caminho de calçada agora deserto e os sapatinhos de veludo que um dia acabaram abandonados no contentor do lixo. 

O dia nascia e a fila de carros para entrar na A5 começava a formar-se, cheia de expressões amargas e carrancudas, cigarros pendurados displicentemente na ponta dos dedos, telemóveis freneticamente dedilhados em mensagens inúteis, as notícias do trânsito e, finalmente, a música. No seu Opel Corsa bordeaux, o porta-chaves com um ursinho de peluche pendurado na ignição balançava como um pêndulo enquanto aumentava o volume do som. Tocava “Girls just wanna have fun” da Cyndi Lauper, a sua música preferida. No banco de trás, a sua filha segurava na boneca enquanto marcava o ritmo com a perna direita na cadeira de viagem.

Esta semana, o arcano Sete de Espadas leva-nos a reflectir sobre os contornos mais sombrios da existência. A nossa, não a dos outros. Desengane-se quem se acha acima de qualquer mácula. Ninguém está a salvo da imperfeição, da desonestidade, dos sentimentos de inveja, de cobiça, de despeito - embora vejamos sempre as falhas dos outros, e nunca as nossas.

Hazel
Consultas em Oeiras e online
Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1612

Cala-te, cão


Fui o quarto ou quinto Mike. Os pêlos do Mike anterior a mim sugerem-me que era mais escuro e cerdoso que eu, e que apreciava dormir enroscado no canto do sofá da sala, onde bate o Sol à tardinha. Os meus donos foram parcos de imaginação na escolha de nomes, mas têm muito amor para dar, ah se têm. Ora lá vai um prato, zás!, contra a parede. E mais outro! Paf! 

De vez em quando, a Palmira vai renovando a loiça, coitada. Até já a minha taça da ração anda num virote. As mãos ásperas e calejadas do Mesquita acercam-se do pescoço anafado da Palmira cujos olhos se esbugalham ameaçando saltar das órbitas. A sogra-cobra, que ouviu a gritaria, galga as escadas cheia de genica, de garfo em riste, preparada para cravá-lo onde conseguir, desde que acerte na nora. O Mesquita urra de dor pela dentada que acabei de lhe ferrar nas nalgas, e a Palmira lá se safou.

Eles são boa gente, tratam-me bem. Lutam muito uns com os outros, mas amam-se que nem lobos. Até o Amâncio gostava de mim, esse bom malandro que nunca mais nos visitou. Trazia sempre salsichas para partilhar connosco, e só uma vez me tratou mal, quando me deu com o sapato porque lhe fui cheirar o rabo enquanto ele estava a acasalar com a minha dona (o Mesquita estava emigrado na Suíça). Tinha o hábito engraçado de tirar as calças e deixar ficar as meias e os sapatos, porque tinha pé-de-atleta - e porque eu lhe roía os sapatos e os escondia junto com os do Mesquita. 😜

Quando o Mesquita regressou, a sogra-cobra - que morava no andar de baixo e escutava com ouvidos de tísica os mais despudorados e libidinosos suspiros que ecoavam pelos tubos da canalização (refiro-me à canalização da casa-de-banho contígua ao quarto, bem-entendido) - denunciou-lhe os encontros furtivos. Nunca mais houve um conjunto de loiça completo nesta casa. Valia mais comprarem pratos de inox como a minha taça.

O Mesquita, com a idade, foi-se conformando com as mágoas. De vez em quando, ainda passa pelas portas com a cabeça de lado, numa silenciosa e desdenhosa alusão à envergadura que sustenta sobre a cabeça, mas já ninguém liga. 

A sogra-cobra, que foi ficando caduca e falava sozinha, finou-se engasgada com uma ervilha. Chamaram os bombeiros e, para constrangedora surpresa de todos - até eu meti o rabo entre as pernas - apareceu o Amâncio, que era socorrista; fez tudo o que pôde, mas não chegou a tempo. Depois do funeral, a Palmira comprou um serviço de jantar novo. Em loiça. Esta gente não aprende, pensei enquanto coçava a pulga que me comichava a orelha direita.

Hoje vão levar-me ao veterinário para levar uma injecção. O meu coração velho já não aguenta esforços, e o sexto Mike não tardará a chegar. Vou feliz. Nunca conheci uma família com tanto amor para dar e com tão pouco jeito para tal. Boas pessoas com feridas. Quem não as tem. 
Até eu, que sou um cão. Mas lambo as minhas - não mordo os outros.

Esta semana, o arcano Cinco de Paus inspira-nos a distanciar-nos dos focos de tensão para que possamos concentrar-nos no que realmente importa. Os conflitos, vistos de uma perspectiva mais elevada, podem ter a dimensão de uma ervilha: pequeninos e, contudo, intragáveis, se não soubermos respirar fundo no momento certo.

Hazel
Consultas em Oeiras e online

Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1611
Fotografia do canito de hotphotosfree.com

Um café e uma atitude, se faz favor


Todas as manhãs sentava-se na mesa mais afastada e ficava com o jornal aberto à frente, fingindo lê-lo enquanto o burburinho das pessoas que iam chegando aumentava aos poucos. Escutava-lhes as conversas; fazia-o há tanto tempo que era como se os seus problemas lhe pertencessem um pouco também.

Ninguém notava a sua presença, invisível nas suas camisolas cor de papas-de-aveia que cheiravam a naftalina. Sentia-se muitas vezes como um fantasma. A solidão é, no fundo, uma espécie de morte; quando ninguém conversa connosco, atestando a nossa existência, somos levados, com o tempo, a duvidar dela.

Os habitués foram envelhecendo, vinham caras novas, outros deixaram de aparecer. As paredes rosa-envergonhado do café foram ganhando um tom amarelecido como as cravinas matizadas que espreitavam do lado de fora das janelas, olhando-o como crianças com risinhos trocistas.

Aos poucos, todas as suas camisolas cor de papas-de-aveia iam ficando mais esburacadas. Depois de aparar a barba e dar umas sonoras chapadas com after shave no rosto, revolveu as gavetas em busca de algo decente e apresentável para ir ao café como fazia sempre, mas tudo tinha sido devorado pelas traças. As cretinas tinham vencido a naftalina. Sentia-se como as suas roupas: gasto, flácido, acabado. Esperem. O que foi que eu disse? Acabado? Isso é que não podia ser. Era o que mais faltava.

Entrou de rompante no café. Meias cinzentas, os sapatos pretos que só usava nos casamentos e funerais e uma toalha de banho vermelho-capa-de-toureiro embrulhada à volta do corpo. Nem calças tinha. Finalmente, todos o viram. Agora sim, tinha a certeza que estava vivo.

O que é que vai tomar hoje?, inquiriu a mulher de papos nos olhos e cabelo puxado para trás num carrapito, disfarçando o espanto enquanto alisava o avental com as mãos encarquilhadas de lavar a loiça sem luvas.

Uma atitude, é o que vou tomar hoje - disse alto e em bom som -, chamo-me Arnaldo e estou doido por si.

Todos se encontravam de olhos postos nele desde que tinha transposto a porta, mas neste ponto podia mesmo sentir-se os pescoços, olhos e orelhas esticarem como elástico na sua direcção. Silêncio absoluto. O rosto da mulher, amadurecido pelo passar dos anos, foi invadido até à raiz dos cabelos por um rubor que lhe escaldava até as pestanas. Um sorriso iluminou-lhe o semblante. O tempo ficou suspenso, cristalizado. Ninguém pestanejou. O bloco de papel e a caneta com que anotava os pedidos soltaram-se da sua mão, caindo em câmara lenta no chão.

Desde então, o Arnaldo nunca mais me vestiu. Encheu as gavetas de camisolas garridas e saquinhos de alfazema e eu fui dobrada e colocada dentro da cesta onde o seu gato cor de baunilha passa as tardes a dormir. Sou agora um cobertor de gato. O Arnaldo nunca mais foi o mesmo. Nem a sua nova mulher. Nem o café. Nem quem lá estava naquela manhã - segundo me relatou a toalha de banho vermelho-capa-de toureiro.

Esta semana, o arcano O Carro desafia-nos a olhar para as situações que se arrastam desde o ano passado - porque, lá bem no fundo, temos receio de fazer mudanças - e instiga-nos a assumir as rédeas das mesmas com coragem, sagacidade e rapidez. Sim, esta é uma boa semana para tomar uma atitude.

Hazel
Consultas em Oeiras e online

Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1610
Fotografia de Michael Ochs Archives em Getty Images

O Cu dos Portugueses

Um cu infiltrado nos azulejos da minha cozinha

Os portugueses são o povo que mais expressões possui relacionadas com o cu. Deve ser por uma questão geográfica, afinal estamos no cu da Europa, e o cu torna-se fonte de inspiração, sendo usado para exprimir todo o tipo de emoções e situações.

Anotei a lápis no caderno-onde-escrevo-tudo as expressões sobre o cu de que me lembrei e - feita cagarolas - nunca cheguei a publicá-las. Andei com o texto do cu para cá e para lá, indecisa se publicaria ou não, acanhada (ou acunhada, permitam-me o neologismo) com receio que alguém pudesse ofender-se por ver aqui escrita a palavra c-u. Bem-entendido, qualquer assunto sobre o qual se escreva pode e vai sempre ofender alguém; isso é tão certo como o risco que separa a nádega esquerda da direita.

Em defesa do cu, porque há-de ele ser menos digno que o nariz, os cotovelos ou os dedinhos dos pés? Existe, logo merece que se escreva sobre ele sem lhe chamarmos "rabo", o termo educado que se usa para-não-parecer-mal - e que nos faz subitamente nascer uma cauda.

Ora, devo advertir, caso ninguém tenha
ainda notado, que a palavra cu se vai 
repetir inúmeras vezes ao longo deste post


Aqueles que se escandalizarem com tão pequeno, porém, não menos digno vocábulo é favor colocarem as mãos nas vossas costas e irem descendo devagar, devagarinho. Antes de chegarem às pernas, existe ali uma zona fronteiriça que é geralmente fofinha e exala odores insuportáveis de vez em quando. É o vosso cu! Também conhecido por nádegas, nalgas, bufunfo, traseiro. Agora que descobriram essa terra-de-ninguém, assumam a sua existência. 😃

O cu dos portugueses está na boca de todos, de Norte-a-Sul-e-Ilhas, e tenho a certeza que as expressões com o cu não se ficam por aqui:

De cu alçado.
Preparado para.

Andar de cu tremido.
Ir de carro.

Nascer com o cu virado para a Lua/com a Lua no cu.
Ter sorte.

Querer o cu lavado com água de malvas.
Querer tudo feito sem ter trabalho.

Ser um cu de sono.
Ser dorminhoco.

Cara de cu!
Insulto moderado, usado em tom de brincadeira.

Estar de cu apertado.
Estar preocupado, aflito.

Encher o cu.
Comer muito.

A mesma coisa é pôr dois dedos no cu e cheirar; cheira-se um, cheira-se outro, e é a mesma coisa.
Para explicar quando duas coisas são realmente iguais, e não parecidas.

Ficar com o cu na cama.
Ficar a dormir.

Não levantar o cu para fazer nada.
Ser preguiçoso.

Dar o cu e oito tostões.
Querer muito.

Custou o olho do cu.
Foi caro.

Não valer um cu.
Não ter qualquer valor.

Se não é do cu é das calças.
Se não é disto, é daquilo.

O que é que o cu tem a ver com as calças?
O que tem uma coisa que ver com a outra?

Quem tem cu tem medo.
Todos têm medo.

Roçar o cu pelas paredes.
Não fazer nada.

Cair de cu.
Cair em si.

Com o fogo no cu.
Com pressa.

Parece que saiu do cu do burro.
Tem a roupa amarrotada.

Lambe-cus.
Graxista.

No cu de Judas.
Muito longe.

Mete-o no cu!
Quando, numa zanga, não queremos saber de algo sobre o qual outra pessoa se está a gabar.

Contar com o ovo no cu da galinha.
Ter algo como garantido.

Não há cu que aguente.
Não há paciência.

Não tem cu para as calças.
Pessoa muito magra.

Não lhe cabe um feijão/uma palhinha no cu.
Está muito contente.

Tem pernas até ao cu.
Pessoa muito alta.

Quando mais uma pessoa se agacha, mais o cu se lhe aparece.
Quanto mais uma pessoa permite uma situação injusta, pior ela fica.

Pimenta no cu dos outros é refresco.
Focar-se em si mesmo sem querer saber dos outros.

És mesmo cu aberto.
Pessoa que fala demais.

Andar de cu para o ar à procura de.
Para dar ênfase ao esforço e tempo despendidos a procurar algo.

Cu-cu!
Quando estávamos escondidos e nos revelamos a alguém. A sério: Cu-cu. Só em Portugal. 

Vira cu.
Cambalhota.

Óculos cu de garrafa.
Óculos com lentes muito grossas.

Acordar de cu para o ar/ com o cu de fora.
Acordar mal-disposto.

Deram-lhe água de cu lavado.
Está enfeitiçado.

A cara de um é o cu do outro.
Quando queremos dizer que duas pessoas não são parecidas.

Andar com o cu num guilho.
Estar com medo/assustado.

É o teu cu!
Quando se repele um insulto para quem o proferiu.

O cu está em todo o lado. Mesmo. No outro dia, estava sentada sobre o meu e, quando olhei em volta, vi-me rodeada de cus, cus por todo o lado, cus à volta de toda a minha cozinha. Disfarçados de pêssegos, mas tenho a certeza que são cus (regressem à foto no topo deste post e confirmem!):


Se alguém desejar contribuir com mais expressões sobre o cu, não se acunhe em partilhar.

Sentada sobre o meu,

Hazel

O gay, a mulher do buço e o psicólogo louco


Amílcar (irmão-gémeo de Aníbal) tinha maneirismos adamados e morava na casa azul junto ao cruzamento à entrada no bairro, onde uma estátua de sereia em pedra e vários gnomos coloridos espreitavam por entre gladíolos e estrelícias no quintal. Não tinha pêlos no rosto - nem no corpo, que depilava com cera - e usava sobrancelhas perfeitamente desenhadas, inspiradas no António Calvário. Havia nutrido uma paixão pelo Elias da mercearia, com quem sonhara fugir para o Tenerife, antes dos pais o casarem rápida e convenientemente com Orquídea, que não gostava de flores e tinha um pouco de buço, mas cozinhava divinamente.

Perdia frequentemente o autocarro por preguiça de estender o braço para chamá-lo; esperava que as outras pessoas na paragem o fizessem, o que nem sempre acontecia, pois por vezes os destinos dos outros eram diferentes do seu. Teve uma loja de peúgas de homem que faliu, tornando-se contrabandista durante muitos anos. Dentro da aba do seu casaco, que abria num gesto matreiro, havia um surpreendente mostruário de navalhas ponta-e-mola, relógios suíços, pentes de osso, canetas Parker - e, para clientes de confiança, pequenos revólveres.

Com a idade, a sua Orquídea desmazelou-se (ainda mais): usava collants de lã velhos e cheios de borbotos com os elásticos da cintura relaxados que lhe escorregavam pernas abaixo.
Quando pagava as compras no supermercado, depois de percorrê-lo de uma ponta à outra, já os levava pelos joelhos. Ninguém reparava porque usava sempre saias até aos pés. Não tinha amigos, com excepção da vizinha do lado, que regularmente lhe ofertava nacos de porco para os guisados de Domingo, a quem chegou a oferecer uma couve Bordallo Pinheiro.

Filipe, o filho, amigo de criação de Ricardinho que viria a tornar-se autarca, era psicólogo - enveredou pela psicologia porque sempre era uma área pacata, e podia ser que o ajudasse a perceber que lugar ocupava no mundo, pois estava convencido que tinha nascido por acidente do divino e distracção dos pais - coitus interruptus fracassado, decerto.

Vivia atormentado por um inconfessável medo: e se ele não fosse um psicólogo com uma vida comum, mas um doente psiquiátrico internado numa instituição convencido que era um psicólogo? O medo de se perder nos labirintos frágeis-e-traiçoeiros da mente era tanto que se policiava permanentemente para ter a certeza que a sua realidade era mesmo real.

Um dia, resolveu partilhar todos os seus receios com o único confidente que não o julgaria: o caderno de papel. Quando completou a última página, abandonou a profissão e tornou-se um escritor de sucesso. Os seus medos tornaram-se deliciosos enredos de thrillers psicológicos, onde surgiam por vezes referências ao canibalismo.

Filipe quebrou o ciclo de gerações de pessoas incapazes de viver as suas próprias escolhas. Amílcar, por receio de desapontar o irmão-gémeo, nunca assumiu quem era. Orquídea queria ter sido chef, mas resignou-se à vida de dona-de-casa. Ambos abdicaram de fazer escolhas, ensinando o filho pelo exemplo contrário.

O arcano Os Enamorados inspira-nos a reflectir sobre as decisões que tomamos e que podem alterar todo o curso da nossa vida. Quando fazemos uma escolha, ou abdicamos dela, para satisfazer as expectativas dos outros, estamos a carimbar o passaporte para uma vida que não é a nossa.

Hazel
Consultas em Oeiras e online

Crónica semanal publicada no Jornal O Ribatejo, edição 1613
foto: 2001photo.com