O vôo da fénix

Fazer uma travessia não é para todos. Requer perseverança, coragem, destreza e um certo toque de insanidade. Chamei-lhe travessia, quando poderia ter-lhe chamado metamorfose, iniciação, ciclo de morte e renascimento.

Os caminhos tortuosos são profundamente transformadores.

Desconstroem-nos, peça por peça, como um brinquedo de Lego, restando apenas o zero, o nada, que surge quando perdemos as direcções e já não sabemos quem somos, depois de tantos desafios que se nos apresentaram.

É nesse momento que o poder alquímico está no seu auge e o Mago em nós se manifesta.
Com o nada pode fazer-se tudo.

O silêncio da terra escura e fria aguarda pela semente do que está para vir. As cinzas da fénix misturaram-se com os grãos de terra, enriquecendo-a com nutrientes mágicos.

A semente foi colocada, regada. Apenas uma. Ou tudo ou nada. Viver apenas para cumprir obrigações e respeitar convencionalismos é um consumo de oxigénio desperdiçado.
E ela brotou. Verde, nova, viçosa, cheia de esperança e possibilidades.

Quando chegamos ao fim da etapa e superamos o desafio que os Deuses nos lançaram, cumprindo todos os propósitos, encontramos a nossa recompensa: um novo Eu.
É o bem mais precioso que se pode ter - nós mesmos.

Eis-nos no nosso estado mais cristalino, puro e luminoso, (re)encontrando, neste momento divino, outras almas que vibram em sintonia connosco.
Como os ingredientes que se fundem uns nos outros, criando um perfume delicioso.
Um novo mundo. Um novo universo. Todo nosso.
Porque o mundo não é lá fora, mas dentro de nós.
Após o caos, reinstala-se a harmonia. O bem-estar. O Amor.

Muito grata, Universo.


Hazel

De mudança

Lápis-de-cor, vassouras, plantas, livros, abat-jours, chaves antigas, cata-ventos, frascos de vidro, cestos, caixas.

Sinos de vento, cores alegres, malas de viagem, chapéus de palha, saquinhos de lavanda, vestidos, xícaras.

Escovas de cabelo, lençóis de algodão, fotografias, aguarelas, cristais, ervas e especiarias, missangas, brinquedos.

Panelas, cortinas, cadernos, molas da roupa, alcofas de praia, baús, fitas de seda, colheres de pau, cafeteiras.

Novelos de lã, bonecas, chinelos, velas, almofadas de veludo, cartas de tarot.


Tudo isto e muito mais, em caixas de cartão.
Estamos novamente de mudança.
Para outra casa.
Para outra fase ainda melhor da nossa vida.
Cada vez mais próximos da nossa Luz.
A caminho... do nosso caminho.

Com muita gratidão, muita esperança, muita alegria. E muita paz.



Beijos viajantes,

&


O nascimento de Afrodite

Gaia, a Deusa da Terra, sentia que faltava algo na sua existência. Precisava de alguém que a completasse e com ela formasse o lar perfeito para os deuses bem-aventurados.
E, assim, gerou espontaneamente Urano, o Céu Estrelado.

Com Urano, Gaia teve muitos outros filhos [sim, na mitologia, o incesto não tem a mesma relevância que no plano dos mortais!], todos extremamente poderosos.

Urano conseguia prever o futuro e receava o poder dos seus filhos Titãs, pelo que encerrou o útero de Gaia para que não conseguisse mais dar à luz.
Mas nem por isso ele controlava a luxúria...

Gaia, grávida em fim de tempo, agonizando de dores e sem poder parir, pediu ajuda aos seus filhos para livrar-se da crueldade de Urano.

Apenas Cronos, o mais novo, acedeu ao seu pedido, tomando nas mãos uma foice entregue pela mãe, e usando-a para castrar o pai.

Os testículos de Urano foram atirados para o mar, e da espuma que se formou, emergiu das águas Afrodite, nascendo assim a Deusa do Amor, da Beleza e da Sexualidade.

[Na mitologia romana, Vénus é a sua equivalente.]

Hoje, que é Sexta-feira, dia da semana regido por Afrodite, honremo-la, queimando como oferenda incenso de Amor enquanto nos entregamos aos prazeres do corpo e da alma.

Beijos de espuma do mar,


Hazel

O que é um "pomander"?


As damas da corte usavam este bonito objecto que enchiam de ervas e óleos perfumados para disfarçar os maus odores, numa época em que se acreditava que os banhos eram prejudiciais à saúde.

Havia uma preferência para usá-lo perto da bainha dos vestidos, para que o perfume libertado dançasse e deixasse um rasto de sedução conforme caminhavam.

Mas a bela e astuciosa Rainha Catarina de Médicis dominava os segredos da Velha Arte; o seu pomander continha ervas que só ela conhecia, e a função de ambientador era a menos importante deste misterioso objecto...

As ervas secretas que ela guardava nos vários recipientes do seu pequeno pomander eram cuidadosamente escolhidas para afastar as más energias e as doenças.

O facto é que Catarina de Médicis ultrapassou a esperança média de vida da época, vivendo até aos 70 anos, escapando da morte causada pela peste.

E os pomanders sobreviveram até aos dias de hoje. Podemos encontrá-los representados por peças de joalharia, feitos em madeira, flores, frutos...


Um pomander faz-se dando vários cortes pequenos na casca de uma laranja ou tangerina e introduzindo em cada um deles cravos alternados com pauzinhos de canela.

O seu pomander estará pronto para perfumar os armários ou como ambientador na sala, suspenso na chaminé...

Beijos perfumados,



Lua do Campo


“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória!
A Terra está a florescer, floresça junto com ela.
É tempo de renovação, renove-se!”


Lua do Campo, também conhecida como Lua da Donzela, Lua do Feno ou Lua Quente.

Fazem-se rituais de Amor, de Paz, de Protecção e de Liberdade.

Celebra-se a abundância nas colheitas e agradece-se aos Deuses pelas bênçãos recebidas.


Beijos lunares,

Hazel