Uma lisboeta pela primeira vez no Porto | Casa Claridade

03/06/16

Uma lisboeta pela primeira vez no Porto

Ah, Porto, Porto. Já todos os portugueses te conheciam menos eu. Esperei tanto tempo pelo privilégio de te visitar pela primeira vez. Uma eternidade que só uma cidade eterna como tu poderá perdoar. E que cidade. Rendo-me perante ti.

Torre dos Clérigos
As tuas ruas limpas, espaçosas e diáfanas exalam amor a cada passo que damos.
Quem mora no Porto ama o Porto. E eu também fiquei a amar. Notei com admiração o respeito pela arte, pelos edifícios e monumentos.

Nos meus olhos, trago os teus horizontes onde a história vive intocada, e a foz do Douro, onde poderia abandonar-me aos prazeres da contemplação por horas perdidas - não fosse a minha ânsia de percorrer as tuas ruas e descobrir todos os teus encantos.

Estava Sol e calor. O trânsito era intenso, mas não selvático. Havia música nas ruas. Jovens que se sentavam com um bloco de papel no colo a desenhar a beleza que nos rodeava. Sangria cor de rubi em copos generosos. Muitas lojas de comércio tradicional.

Jardins românticos com bancos de madeira. Os barcos a deslizar nas águas do Rio Douro que ao longe brilhavam como um espelho da cor do vinho do Porto.
Sorrisos sinceros e calorosos. Os nomes das ruas inscritos em tabuletas pitorescas.

Bandos de pássaros que dançavam em espirais sobre as copas das árvores verdejantes e os edifícios antigos compondo um cenário perfeito - numa cidade perfeita.

Marionete e livros antigos à entrada do Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Olha a fruta boaaaa!

Artesanato no Mercado do Bolhão. Que pena não ter comprado nada!
Existe uma coesão entre as pessoas que não há em mais parte alguma deste nosso pequeno e rectangular país. As pessoas do Porto são dotadas de um verdadeiro calor humano, de emoções intensas e profundas, um sentido de humor e uma generosidade ímpares. Só no Porto se pode dizer tantos palavrões sem parecer mal, porque no Porto todas as palavras são igualmente dignas e amadas. Existe uma verdade, uma sinceridade nas gentes do Porto que talvez nem os próprios se apercebam possuir.

Livraria Lello
A Livraria Lello, classificada como uma das mais belas do mundo, é tão linda quanto as pessoas dizem. Um universo de magia e beleza, onde uma escadaria hipnótica serviu de inspiração para as descrições de Hogwarts pela autora de Harry Potter, J.K. Rowling, enquanto viveu na Invicta.

Aquelas portas de vidro antigas



Comprei um livro sobre Fadas!

A escadaria que nos recebe como uma língua vermelha que se estende até ao chão de madeira
A Francesinha
Em Roma, sê romano. Ninguém pode ir ao Porto sem provar a famosa "francesinha", um prato típico da Invicta, que consiste em duas fatias de pão com bifes, fiambre, queijo e um molho único (tem mais ingredientes, mas como desconheço a receita, só estou a referir aqueles que identifiquei). 

Quem diria que um singelo e pouco expressivo quadrado a flutuar em molho espesso poderia oferecer tamanho festim para o palato. Delicioso!

Hotel dos Aliados
Escadaria do Hotel dos Aliados
Quarto 503. Simples, prático e confortável. O shampôo cheirava a rosas doces.

Café no Majestic
Só conhecia o Majestic através desta música do Pedro Abrunhosa.
É um local emblemático do Porto, muito pomposo, antiquíssimo, belíssimo e caríssimo. Tudo lá termina em "íssimo" (por isso, só bebi café!).

Rua das Flores
Na Rua das Flores, a arte, o sentido de humor, a cor, a alegria - e as flores - moram em todos os cantinhos. Tocava António Variações num dos bares!

Interior da Estação de S. Bento
Finalmente, as estações de S. Bento e Campanhã, que conheci a vida inteira apenas no jogo do Monopólio (!), se tornaram reais para mim. O mesmo se aplica à Rua de Santa Catarina (do conjunto de ruas vermelhas no Monopólio), Sá da Bandeira (laranja!), Aliados (acho que é das amarelas), Praça da Liberdade (verde), Rua das Flores, e várias outras.

Estação de Campanhã

Sinto-me profundamente grata por ter sido tão bem recebida na Invicta. Mesmo sendo eu uma forasteira - uma "moura" de Lisboa - nunca me senti como tal. O Porto pegou em mim ao colo e amou-me com paixão. E eu retribuí.

As gaivotas no céu nocturno da Praça da Liberdade no Porto (vídeo)

Quando afirmam "o Porto é uma nação", têm toda a razão. É mesmo uma nação.
Não sendo uma pessoa citadina, se tivesse de morar dentro de uma cidade, seria feliz no Porto e de bom grado tomaria a pronúncia nortenha como minha.

O meu agradecimento ao J. P. Alves de Sousa, por me ter mostrado esta bela cidade.

Obrigada, Porto. Mal posso esperar por regressar.

Com um pouco de pronúncia do Norte,

Hazel