A Aldeia das Crianças Tibetanas

terça-feira, fevereiro 18, 2020


NOS ANOS SESSENTA, a irmã do Dalai Lama mandou construir esta escola para as crianças que têm fugido para a Índia, pelas montanhas, separadas das suas famílias que morreram ou ficaram cativas devido à invasão do Tibete pela China. 

Nesta localidade, o governo é independente e foi cedido pela Índia aos tibetanos. Como se fosse um país dentro de outro país.



ESTAS CRIANÇAS, que perderam tudo, as que sobreviveram às condições duras do percurso montanhoso até aqui, foram — e são — recolhidas em famílias adoptivas ou na escola, onde são educadas e protegidas.

O sistema hierárquico é completamente diferente do que conhecemos no Ocidente. São as crianças que cuidam da escola-residência, sendo-lhes atribuídas tarefas de acordo com a idade. 

Para além de aprenderem a falar e escrever tibetano, inglês, hindi e as outras disciplinas que fazem parte do programa académico, fazem limpezas, cozinham, lavam roupa e cuidam de tudo o resto, com a orientação das "mães” que trabalham na instituição. 

São, assim, preparadas para serem auto-suficientes quando crescerem e integrarem-se na comunidade indiana, ou, se preferirem, podem optar por ficar como residentes permanentes na Aldeia e serem professores/orientadores das gerações seguintes.

As crianças são responsáveis por todas as tarefas domésticas da aldeia



Dormitório
ESTÃO DE FÉRIAS nesta época do ano, mas visitámos os dormitórios, a cozinha, a sala onde vêem televisão e pudemos ver, entre a floresta, as casas onde decorrem as aulas. As condições são muito humildes, mas sem dúvida que existe genuíno amor na formação destas crianças.

Ver esta realidade com os próprios olhos foi duro, e só aqui e agora, no silêncio da escrita, me atrevo a confessá-lo. Os olhos da mulher tibetana que relatava a história das crianças, não tinham uma sombra de mágoa, de ressentimento, de tristeza. 

No seu olhar, vi apenas o sentido de missão, a aceitação, o amor incondicional, o respeito. Nunca proferiu uma palavra negativa sobre a invasão do Tibete pela China. Não havia raiva. Apenas paz. Que dignidade, e que humildade. 

Enquanto traduzi para o nosso grupo de viajantes o que a "mãe" tibetana me relatava, engoli em seco o nó que se me formou na garganta. Seria uma falta de respeito ceder às emoções perante a nobreza que este povo demonstra. 


A divisa da escola: "COME TO LEARN GO TO SERVE"
O povo tibetano não tem absolutamente nenhum sentimento de revolta em relação ao que o governo chinês destruiu. A sua postura é de verdadeira compaixão e honra. Os tibetanos convidam os chineses a fazer visitas e mesmo palestras sobre Ciências nas suas instalações. 

Que poderosa lição de perdão, de diplomacia, de bondade e resistência através do Amor.  Nós, os ocidentais, temos, deveras, ainda muito a aprender.

Qualquer pessoa de qualquer parte do mundo pode tornar-se padrinho/madrinha de uma criança tibetana, comunicar com a instituição, ou fazer algum donativo, através do site da escola: www.tcv.org.in

“Come to learn, go to serve.”

Hazel

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