Poema: Fantasma


Foi lançada hoje a Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho” - Volume X, da Chiado Books, onde consta este meu poema:

Fantasma

Liquefaz-se o vestido em
ondas
Água doce, limos verdes
Escorrem em regato
Pelos degraus
do Cais.

Elevo-me
nua
Magra como um pássaro
Branca gaivota.

Vai-e-vem o Tejo
Lambe os pés frios.

Entre as duas colunas
Navios-fantasma
trespassam a névoa
Com perfume de especiarias.

Nas pontas dos cabelos
Agitados pelo vento
Acenam lenços de mulheres
Humedecidos
pelas lágrimas.

Desabotoo o peito
Dele tiro o coração
Cai no convés de um navio
Entre redes, cordas
remos partidos.

Levem-no para longe
Tragam outro novo.

Os velhos marinheiros
tomam-me por sereia
Tapam os ouvidos.

Fiquei de peito vazio.

Hazel

Foto: Hazel, por José António Cavaco

O Baile do Vento

foto: Christian Schloe
Dançam as árvores, os arbustos e as flores. Dançam os meus cabelos embaraçados e a ponta do meu vestido azul. Dançam as borboletas, mariposas, vespas, abelhas e libélulas. As bandeiras e as velas dos barcos. Dançam as ondas do mar que lambem a areia da praia. Dançam as agulhas de crochet com o fio de lã.

Dançam os pensamentos que voam alto onde encontram as aves de asas largas.
Abro os braços na imaginação e subo em espirais de ar quente como se o mundo estivesse de pernas para o ar e as sementes caíssem do chão para o céu.

Dançam as fadas, os silfos, as sílfides e os outros seres invisíveis. Dançam as penugens dos dentes-de-leão sobre os campos queimados pelo Sol. Dançam folhas secas, em fúria. Dançam gafanhotos apanhados de surpresa num salto. Dançam os sinos e os espanta-espíritos. Dançam cheiros, fumos, círculos de incenso, o vapor da cafeteira de chá a arrefecer no parapeito da janela.

Dançam as vozes, as gargalhadas, o choro e os suspiros. Dançam os moinhos, os cata-ventos e os galos nos campanários. Dançam teias-de-aranha que baloiçam para trás e para a frente. Dançam as cortinas nas janelas e as portadas de madeira que batem com força. Dançam as roupas lavadas penduradas no estendal que ganham vida quando o vento as veste umas a seguir às outras e as faz esbracejar.

Dança a areia do deserto e as moedas douradas que tilintam nos lenços de seda que cobrem o corpo sinuoso das odaliscas. Dançam bilhetes de amor roubados pelo vento antes de serem lidos. Dançam labaredas nas fogueiras de Verão que iluminam os corpos nus à sua volta. Dançam fitas coloridas que se entrelaçam em torno do mastro.

Dança a ponta do lápis sobre uma folha de papel branco, desenhando palavras que não servem para nada. Dançam as páginas do jornal, folheado pelo vento. Dançam as pontas das gravatas dos homens de negócios, sérios e circunspectos, incapazes de dançar. Dança a varinha de condão sobre os elixires perfumados. Dançam migalhas de pão sacudidas da toalha do pequeno-almoço, que os pardais depenicam.

Dançam papagaios de papel, koinoboris e bandeiras tibetanas que espalham preces de paz pelo mundo, levadas pelo vento que sabe ler em todas as línguas. Dançam as vagens das ervilhas nas plantações. Dançam as écharpes das senhoras elegantes.

Dançam as maminhas descaídas e os falos rodeados de floresta púbica na praia dos nudistas. Dança a chama da vela que tremeluz e dançam as sombras na parede. Dançam as cortinas do teatro a seguir às pancadas de Molière. Dança a vassoura que varre o lixo do chão e o das ideias. Dançam os fantasmas que se escondem nas portas e corredores. Dança a colher de pau que mexe a sopa de legumes. Falando nisso, vou parar de dançar para ir almoçar.

Num dia de vento quente,

Hazel

Colaboração com programa de rádio

Lá do outro lado do oceano, no Brasil, existe um programa de rádio infantil chamado Vitrolinha da Rua, que tem o apoio da TV UFPB/TV BRASIL. 

Nesta rádio, contam-se histórias infantis, lendas, há trava-línguas, música, poesia e muita, muita magia. Este é um projecto inclusivo, desenvolvido a pensar nas crianças cegas.

Há algumas semanas, esta vossa escriba, que tem alma de Peter Pan, foi convidada para colaborar com a Vitrolinha, fazendo a narração de uma história infantil.

Sendo eu portuguesa, concebida, nascida e criada em Portugal, tive algum receio que a minha pronúncia talvez não fosse bem compreendida ou apreciada.

Mas o projecto é tão delicioso e cheio de amor, que resolvi mergulhar de corpo e alma... e o resultado desta união entre Portugal e Brasil não poderia ter sido mais divertido e encantador!

Partilho convosco o programa, com o título "A casa da bruxa", que pode ser escutado online, ou podem também fazer download e levar para ouvir no carro com os vossos gaiatos.

Quando ouvirem a pronúncia de Portugal (a partir do minuto 16)... já sabem quem é! grin emoticon



No espírito da Formiga-Rabiga,
Hazel

O Feitiço da Serpente


[Ficção - maiores de 18 anos]

O manto escorregou-lhe ao longo das costas nuas em direcção ao chão, no entanto, parecia que ainda continuava sobre si. Quase se poderia contar o ar partícula a partícula. Havia uma electricidade no ambiente semelhante àquela que se sente antes de uma trovoada. Os seus pés caminhavam através das lajes pretas e brancas, como uma peça de xadrez que desliza ao longo do tabuleiro. Silencioso e inexorável como a Torre e, contudo, directo e fatal como a Rainha.

O som oco do bambu tocava a melodia ordenada pelo vento quente que se esgueirava por uma janela no extremo oposto, e era quebrado por pesadas cortinas de veludo cor de sangue, que se moviam subtilmente revelando fantasmagóricas formas femininas que dançavam à sua passagem.

Toda a sala parecia um útero profundo, macio e enigmático, que aguardava a sua chegada com a inevitabilidade de uma velha profecia. O fumo do incenso serpenteava à sua volta, entontecendo-o, embriagando-o. As imagens começaram a aparecer em flashes, inexplicavelmente sincronizadas com o pulsar do sangue nas suas veias dilatadas pela mistura da excitação e do medo.

Através das cortinas de fumo, revelou-se o corpo de uma mulher, que se movia de forma sinuosa como uma serpente, dançando lentamente ao ritmo dos bambus. A Deusa. A Bruxa. Aquela que Tudo Vê. Sentiu-se capaz de sacrificar a sua própria vida para poder perpetuar aquela visão, de se oferecer para ser seu escravo. De matar ou de morrer.

Engoliu em seco, enquanto uma gota salgada de suor lhe escorria pelas têmporas. Os olhos ardiam-lhe e desfocavam-se numa névoa que mal lhe permitia ver. Totalmente submisso, de corpo nu, transpirado e a latejar de medo e desejo, mal conseguia pensar com clareza.

Talvez fosse tudo um sonho, uma alucinação, ou uma obsessão que foi longe demais. Os cabelos longos, escuros e ondulados da mulher beijavam-lhe provocadoramente os seios como serpentes vivas, lânguidas e famintas.

Deu um passo em frente, movido pelo desejo que não se consegue conter e nos leva a saltar para o abismo só pelo prazer de voar. É na loucura que está a razão.

Beijou com devoção os seus pés brancos e suaves como uma delicada flor de lótus. Ousou olhá-la nos olhos de ágata-de-fogo, que o aprisionaram num transe hipnótico. Entregou-se. Sentiu-se asfixiar, enquanto o prazer lhe invadia o corpo. Estava a ser devorado pela serpente. O seu sibilar penetrava-lhe os ouvidos como uma corrente eléctrica. Nada mais importava. Ali estava tudo.
O Alfa e o Ómega. A Grande Iniciação.

Gradualmente, todos os seus dedos foram sendo sugados, os lóbulos das orelhas, o pescoço, os mamilos, o sexo, a ponta da língua. E tudo ficou completamente escuro.

...

Quando acordou, tinha os seus lençóis enrolados à volta das pernas. Sentou-se na beira da cama, confuso. Teria sido tudo um sonho?

O seu coração disparou quando olhou para baixo e se deparou com uma pequena tatuagem de uma serpente que apareceu misteriosamente no interior da coxa esquerda...

- Fim -

Sob os auspícios da Serpente,

Hazel

A mulher que guardou o Verão em frascos de vidro


Bastava que um delicado fio de Sol lhe incidisse nos olhos castanhos para revelar a chama alaranjada de ágata de fogo que se escondia no fundo da sua alma. Tinha as fogueiras, as danças e os ritos de Beltane dentro de si, sob a insuspeitada e enigmática serenidade do cisne branco que desliza sobre um espelho de água.

O sopro dos Invernos fazia esta luz tremeluzir como uma vela que ameaça extinguir-se, mergulhada na melancolia dos dias escuros. A chegada da nostalgia dos dias frios era como um casaco cinzento de malha fina e gasta, ensopado pela chuva, que se cola à alma e a gela.

Decidiu que a tristeza peganhenta e invernosa não iria mais agarrá-la. Essa velha traiçoeira de dedos longos e ossudos não voltaria a apanhá-la desprevenida. As ágatas de fogo iriam reluzir nos seus olhos ao longo de todo o Inverno. Podemos ser felizes para sempre, sim. Como nas histórias. É só querer. Querer muito, e nunca parar de querer, aconteça o que acontecer. E ela queria-o em cada célula do seu corpo.

Então, passou o Verão inteiro a armazenar partículas de ar quente e feliz dentro de frascos de vidro. Sempre que queria preservar um momento de alegria acabado de viver, abria um frasco, movimentava-o à sua frente traçando uma lemniscata, e fechava-o de imediato, aprisionando aquele ar doce e frutado. Às vezes, guardava gargalhadas que pareciam não ter fim dentro de frascos onde colava o rótulo "Euforia".

Acumulou vários frascos de vidro ao longo de um Verão pleno de dias felizes, que etiquetou cuidadosamente e armazenou num baú de madeira de cedro, para quando viesse o Inverno.

As pessoas viam os frascos vazios a entrarem naquele baú e comentavam entre si que era louca, por achar que podia guardar o Verão dentro deles. Excêntrico. Absurdo.

Os dias frios chegaram e, com eles, começou a sentir ao longe o passo arrastado da velha traiçoeira que ameaçava entrar sorrateiramente com o vento frio que uiva pelas frinchas das janelas. "Já estava à tua espera", disse ela.

A tampa do baú rangeu ao ser levantada pelas suas mãos sábias, que abriram os frascos todos, um por um. Gotas de transpiração escorreram-lhe na parte de trás do pescoço.

Torrentes de luz brotavam, queimando-lhe a pele. As labaredas das ágatas de fogo dançavam nos seus olhos. Ouviam-se gargalhadas, vozes alegres e desconcertantes, o bater das asas de pássaros, o som do mar, o sopro do vento que corre as searas...

Foi o Inverno mais quente de sempre. E o mais feliz.

A destapar frascos de vidro,

Hazel

Devoção


No dia que atravessou o portal dos mistérios, encontrou, do outro lado da bruma, um segredo que transportou consigo por toda a vida.

Um segredo impossível de contar, porque não existia linguagem que permitisse sequer verbalizá-lo. Era esse o segredo que guiava o seu caminho, como um ponto de luz difusa que se segue na escuridão.

O segredo que tornava possível o impossível, a chave-mestra que abria todas as portas, trancas, fechaduras, alçapões e cadeados.

Que penetrava até a mais ínfima partícula da alma humana, como um enigmático manto de veludo que desliza silenciosamente pela pele nua, rendida, em devoção a uma força superior.

Ela sucumbiu à sua presença mágica, e perguntou: "O que se espera de mim?"
Os ventos sopram. Os Deuses falam. E ela escuta, envolta em Luz.

Shhhh...

Hazel

Serpente de Fogo

[Ficção]

Há um fogo que me envolve e consome incessantemente, sem que eu me transforme em cinzas. Desde as entranhas do meu ventre, eleva-se uma serpente maior do que eu, arrepiando-me as costas e roçando levemente os seios, numa ondulação sinuosa que os meus cabelos de medusa acompanham nesta dança simultaneamente diabólica e divina.

A sua língua bifurcada de labaredas lambe-me a parte de trás do pescoço, apoderando-se de mim enquanto os dentes afiados se enterram na minha pele sem que seja derramada uma única gota de sangue.

Nenhum segredo lhe é velado.
Os seus olhos hipnóticos, escondidos por trás dos meus, desvendam mistérios enquanto o meu sorriso mefistofélico se compraz de satisfação.

Sussurra-me ao ouvido o seguinte: "Há um fogo que me envolve e consome incessantemente, sem que eu me transforme em cinzas..."

No sibilar da serpente,

Sedução


E todo o Universo parecia converger para um único ponto: os seus lábios proibidos, que traziam promessas de beijos húmidos como o gotejar do mel, doces como o néctar da madressilva e, contudo, venenosos como o cianeto.

[Que foi? O post acabou aqui. Não há mais texto. Ah. Queriam mais.]

Beijos venenosos,

Hazel


História inacabada - parte 2











Mais um dia começa a despontar, com a claridade lilás a surgir timidamente no horizonte. A terra amolecida pela humidade da noite afunda-se sob a passada ritmada das suas velhas botas castanhas.

Inspira o ar frio e perfumado da manhã como se o bebesse pelo nariz, e caminha guiada por uma música inaudível, com o cesto de colher frutas e ervas enfiado no braço direito, cumprindo um ritual que ninguém sabe quando começou.

Pelo caminho, vai colhendo flores de acácia, ramos de louro e algumas maçãs vermelhas, da mesma cor da fita de seda que atou há anos no pulso esquerdo. Através do nevoeiro com cheiro de madeira que envolve o seu corpo como um vestido esvoaçante de algodão, contempla o sulco na terra, marcado por tantas vezes que fez o mesmo percurso silencioso.

Onde os pássaros não cantam e o silêncio se adensa como dentro de uma bolha, ergue-se o carvalho centenário que tudo viu desde o começo dos tempos. Pousa a cesta no chão e, com respeito e devoção, aproxima-se da entrada para o buraco no tronco do carvalho. Afasta as teias de aranha como quem abre duas cortinas e senta-se dentro da árvore.

O ar húmido gela-lhe o rosto. As suas mãos magras retiram do bolso da saia o papel grosseiro e amarelado e a caneta. Estou pronta. A vertigem começa a fazer-se sentir, como se estivesse a flutuar e o mundo parece parar de rodar para que as vozes ditem o destino. Os sons sibilados por elas são transformados em palavras escritas na sua caligrafia irregular.

A sua respiração pára e, no entanto, as mãos não cessam de escrever. Os anos passam enquanto ela escreve lentamente, em transe, rodeada pelas aranhas que voltam a entrelaçar as suas teias de fios esbranquiçados à sua volta, que se confundem com a brancura dos seus cabelos, como se ela fosse uma aranha gigante dentro de um casulo no interior da árvore.

Quando as vozes se silenciam, a caneta volta para o bolso da saia, as teias são novamente rasgadas e...

To be continued...

[Ler a parte 1]


História inacabada

Existe um local secreto, recôndito e misterioso, inacessível ao resto do mundo.
Uma casa... que pulsa vida em cada parede e respira através das cortinas esvoaçantes.
Todos os objectos estão lá desde sempre, cobertos por uma fina camada de poeira.

Nos cantos do tecto, repousam as aranhas nas suas teias que baloiçam ao sabor da aragem que entra pelas frestas das janelas.

Sobre o fogão, está sempre uma chaleira que expira nuvens de vapor perfumadas de ervas e especiarias.

Através dos vidros embaciados das janelas, ela observa a madrugada.

Acorda pouco antes do nascer do dia, coloca um vestido velho com padrões e cores que se confundem com os tons do bosque, botas e uma capa que abotoa junto ao pescoço, e sai para saudar o Sol, escutar os primeiros cantos tímidos das aves e colher algumas ervas e frutos.

Ao fim do dia, quando o Sol começa a descer, acende velas e lamparinas, fecha as cortinas e encontra um espaço no tecto da cozinha para pendurar mais um ramo de arruda. Os vultos fantasmagóricos passam junto às portas, atarefados nos seus afazeres.

Caminha pelo chão de madeira em direcção ao seu quarto de paredes forradas a papel antigo com flores de cor-de-rosa velho. Despe as suas roupas que trazem o cheiro a chuva e a terra molhada. Veste uma camisa de dormir branca, debruada a renda e...

To be continued...



O casamento da Elvira


Antigamente, namorava-se à janela. Ou por carta! O primeiro beijo dava-se de fugida, após longo tempo de namoro sempre sob o controle apertado dos mais velhos.

Que os vizinhos nunca o soubessem!
Depois de beijada, uma moça já não tinha o mesmo valor, pois já tinha "sido mexida".

Até que a mão da Elvira era pedida em casamento, sempre com grande formalismo.
O enxoval, reunido desde criança pela família, era lavado para tirar o cheiro da naftalina e preparado para a nova etapa da sua vida junto de um homem que, na realidade, mal conhecia.

Elvira ia nervosa com tantos olhares virados para si no grande dia e gelava de pânico com a perspectiva dos lençóis sujos de sangue que seriam orgulhosamente ostentados pela mãe às pessoas como prova da perda da sua virgindade na noite-de-núpcias (em último recurso, havia sempre o molho de tomate, conforme lhe tinham ensinado as amigas casadas, para safar-se das críticas das velhas alcoviteiras).

[Tudo isto era tão sério e tão pouco sexy]
Foi, como mandava a tradição, vestida de branco e com um bouquet de flores de laranjeira, símbolo de pureza e castidade.

Na realidade, as flores de laranjeira estavam ali com um propósito muito mais específico e útil do que apenas mostrar que Elvira era uma moça virgem.
O neroli, nome pelo qual é conhecida a laranja amarga, produz flores brancas (a flor de laranjeira) cujo perfume tem propriedades calmantes.

O objectivo das flores de laranjeira seria acalmar os nervos pré-noite-de-núpcias da pobre Elvira, que viria a divorciar-se anos depois, quando concluiu que afinal não tinha nada em comum com aquele rapaz com quem namorava à janela.
Bem, na realidade, até tinha: ambos gostavam de homens!

Hoje, a Elvira, senhora com mais de sessenta anos e de espírito de vinte, é activista dos direitos das mulheres, queimou o soutien na última manifestação e não perde oportunidade de viajar para destinos paradisíacos acompanhada das suas amigas tresloucadas.

O rapaz com quem namorava à janela, actualmente vive muito feliz com os seus três gatos e o seu companheiro, um enfermeiro mais jovem que conheceu quando colocou um piercing nas suas zonas privadas e correu mal. Auch!

Os poucos que restam vivos da família nunca lhes perdoaram tamanha devassidão!
E a laranjeira, que continua a dar flor, tem um lindo baloiço onde os netos da Elvira costumam brincar durante as férias de Verão.

NOTA: Esta história é pura ficção!

Beijos de neroli,

Hazel

Cisne Negro


Na torre do lago mora um cisne negro com mais de 100 anos.
Já vivia naquele lago quando todas as pessoas que existem hoje no mundo nasceram.
Nos dias cinzentos, desliza silenciosamente sobre a água.
Espera por alguém.
Dizem que na Lua Azul levanta vôo, assumindo a forma de mulher com um vestido preto.
Quem tiver a audácia de a observar... não sei o que lhe acontece.
Na próxima Lua Azul conto-vos. Ou não.

Hazel