Avançar para o conteúdo principal

A fonte das fadas

Era uma vez uma menina com sardas e cabelos encaracolados que foi raptada por uma velha maquiavélica, desdentada e de pele encarquilhada.

A velha deu-lhe uma peneira, e disse-lhe que libertá-la-ia quando a menina conseguisse trazê-la cheia de água da fonte das fadas, sem entornar uma gota.

A menina, muito triste, caminhou descalça, floresta fora, seguida por duas borboletas brancas.

Chegada à fonte, colocou a peneira por baixo da queda de água. Mas esta saía pelos furos. Desesperada, chorou.

Junto à fonte das fadas vivia um sapo pequeno e verde, que a observava com os seus olhos esbugalhados.

- E agora, sapo? Nunca mais volto para casa...

O sapo saltou para cima de uma pedra enorme e lisa, que estava cheia de musgo espesso, e olhou a menina como que a dar-lhe um sinal.

- Claro... musgo!

Com as mãos, a menina arrancou o musgo da pedra, e, cuidadosamente, forrou o fundo da peneira. Voltou a colocá-la debaixo da queda de água, e, desta vez, encheu-se.

A menina foi libertada.
A velha morreu engasgada com a água.
O sapo não se transformou num príncipe; mas foi levado para um lago cheio de nenúfares, onde encontrou uma bela rã e se apaixonou.
E a fonte das fadas continua a deitar água fresca e cristalina.

(As coisas que me ocorrem a propósito deste prato antigo, com velas e forrado de musgo...!)
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.