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Dia 262

Pela calada da noite, vesti a minha capa preta e esgueirei-me silenciosamente por entre as sombras. O medo fervia-me o sangue nas veias, e os meus olhos, apurados como os de um falcão, viam-nas a espreitar do bolso do gigante de mãos peludas e pés de bode.
Num gesto ágil, agarrei-as e corri o mais depressa que pude.

Os gritos dele trovejavam, estilhaçavam o céu negro e ensurdeciam-me.
Corria sem tocar com os pés no chão e estava prestes a agarrar-me os tornozelos, quando abri os braços e vi a minha capa preta transformar-se em asas, ao saltar do precipício.
O vento zumbia-me nos ouvidos, enquanto eu rasgava o céu de regresso ao castelo.
As chaves são minhas agora! Roubei-tas! (risos maquiavélicos)

Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.