Desço o ribeiro a baloiçar até ao mar
na canoa do teu abraço.
Beijos ébrios de maresia.
A madressilva dos teus olhos.
Abres estrelas do mar
das tuas mãos frias
no corpo de nevoeiro
perdido na bruma.
Enrolados em tentáculos de vontade
Navega-me em ondas de lençóis brancos
que vão e que vêm,
na maré que enche.
Velas da camisa desfraldadas
lambem o mastro, que se eleva húmido
Afundado no gemido das tábuas
Trémulas, rendidas à tormenta.
Desaguam os cobertores
escorridos aos pés da cama,
Entre as conchas e búzios
da roupa naufragada no chão.
Secreto, o tesouro de colares
Pérolas de leite doce e rubi vermelho
encharcado no marulhar do sémen das ondas.
Suspiras a bonança e o cansaço.
Sou o vento
Tu a rosa
que me sabe as direcções
que me encontra o sentido.
Hazel
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