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Código de Honra de uma Ladra de Flores

CÓDIGO DE HONRA de uma Ladra de Flores:

1. Jamais quando há poucas flores;
2. Nunca em floristas;
3. Apenas quando existem em abundância;
4. Sempre quando ninguém está a olhar.

ÀS VEZES ROUBO UMA FLOR.
Cheiro-a devagar com os olhos fechados enquanto o mundo fica suspenso à minha volta. 
Fico tão agradecida por as flores existirem que me sinto perdoada do meu delito.

*

Perscruto longamente o meu silêncio interior e desvendo o móbil do crime:

Nos anos negros da peste mundial, fui contagiada pelo vírus. Perdi o olfacto durante meses, o que me mergulhou na mais profunda tristeza.

Só mais tarde compreendi que o olfacto é o único dos sentidos que comunica directamente com o sistema límbico, a região do cérebro que processa as emoções e a memória.

Recuperei aos poucos o olfacto e todos os pedaços de mim que se haviam estilhaçado naquela época de trevas, e descobri esta espécie de êxtase floral que passou a habitar-me:

Perfumo a vida com plantas, velas aromáticas, incenso, água-de-colónia, sprays para a almofada, sacos de alfazema, frasquinhos de água da chuva, essências odoríferas, seis variedades de gel de banho com cheiros diferentes para os mais diversos estados de espírito (e, sim, flores furtadas).

Com a mesma liberdade exuberante de um pintor despenteado e louco que pincela a tela com todas as matizes que existem. Às vezes, somos livres e não nos lembramos.

Concedo-me amnistia pelo furto ocasional de uma flor.

Livre, despenteada e ungida em fragrâncias de âmbar e cravos,

Hazel
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Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.