Ó Gato...

... diz-me cá uma coisa. Todas as noites dormes aos meus pés.

É porque sou a pessoa de quem tu mais gostas, ééé?...
Ou é porque fica mais quentinho para ti?

Nunca saberei.

Como fazer um catavento

Durante o mês de Agosto, o L. está de férias escolares. E cheio de energia!
Por isso, criei uma rotina diária que inclui "a hora das actividades com a mamã".

É o momento do dia que ele mais anseia, porque nunca lhe digo o que vamos fazer.
Hoje mostro-vos uma das actividades-surpresa que fizemos esta semana: um catavento.

Usámos:
- 2 quadrados de papel reciclado
- aguarelas
- 2 paus
- 2 alfinetes
A parte das pinturas foi muito divertida. Ele não sabia o que ia sair dali.

Deixámos o papel secar de um dia para o outro e depois montei os cataventos.
- Uau, mamã...!
Este boneco às riscas é a "lagarta mágica", outra das minhas invenções. Ver aqui.

Quer fazer também um catavento? Aqui tem um bom esquema explicativo.

Estou aqui, mas não estou



Este título significa que vou estar, durante o mês inteiro de Agosto, pouco tempo no computador.

A escolinha do L. está encerrada para férias, pelo que vou estar ocupada o dia inteiro a lançar papagaios de papel ao vento, pintar, contar histórias, fazer trabalhos manuais... com o meu Pequeno Príncipe.




Tentarei fazer posts diários na mesma, mas sairão num horário diferente do habitual.

Talvez sejam mais pequeninos. Minúsculos.
Se for o caso, tratarei de fornecer uma lupa igual à do Sherlock Holmes a cada leitor.







Peço a quem habitualmente me envia emails que, a menos que se trate de uma situação muito urgente - do género, tirar o pai da forca! - guarde para escrever-me só em Setembro.

Não finjam que não leram este parágrafo, hããã?

:)

Nas fotos, um dos jardins onde vamos brincar.

Alguma dúvida?




L. - Mamã, quando os troncos das árvores caem, vem um camião com um testículo muito grande que os apanha.
Hazel - ... (ainda a pensar... - ia dizer o quê?)

[Nem acredito que escrevi a palavra "testíc..." no meu blogue.
Sabe-se lá as pesquisas malucas que vão agora aparecer vindas do Google.]

Varinha de condão

Não vivo em Portugal. Nem no Brasil. Nem neste mundo, sequer. Quando passo a soleira da porta de casa, entro num livro de histórias.

Se pensa que a força inspiradora que faz esta casa-livro flutuar e viajar por cima das nuvens sou eu, está enganado. Quem dirige é o L.. Ele sabe o caminho. E os ventos obedecem-lhe.

Nas páginas deste livro de encantar onde vivemos, a sopa de cenoura chama-se sopa de Sol. Às couves-de-Bruxelas, chamamos couves da horta dos Gnomos.

As cortinas dançam nas janelas abertas, ao som de uma melodia inaudível, mas cujas vibrações fazem o chão pulsar e propagam-se até aos nossos corações, que batem na mesma sintonia.

A magia manifesta-se na mais ínfima pequenez... e todos os cantos escondem segredos sussurrados pelos objectos.

Logo, não deveria ter ficado tão admirada quando o meu pequeno grande escritor encaixou uma estrela, tirada de uma iluminação de Natal, num pauzinho de algodão doce, e disse:

- Toma, mamã, fiz este presente para ti. É uma varinha, porque tu és a minha Fada.

Mas fiquei admirada. E emocionada. E encantada. E orgulhosa. E... ah...
Foi o presente mais bonito e significativo que recebi.

Pegadas de coelho

Todos os dias oiço:
— É hoje que o coelhinho vem cá a casa? É hoje que o coelhinho vem cá a casa? É hoje que o coelhinho vem cá a casa? É hoje? É hoje? É hojeeeee?

Para quem tem crianças, fica a sugestão:

Suje três dedos com pó de giz ou farinha, e imprima pegadas de coelho pelo chão, desde a porta da entrada até aos sítios onde "o coelho" escondeu ovos de chocolate.

(Quem tem o chão claro pode usar chocolate em pó, café ou canela moída.)

Bata com a porta da rua e simule o ar mais espantado que conseguir:
— O coelho acabou mesmo agora de sair! Vejam só as marcas das patinhas no chão!

Distribua um cesto por cada criança e dê início à caça ao tesouro!

Lambuzada em chocolate,

Hazel

Filhos... e as suas "fofurices"


- Cheira aqui mal. Quem é que deu um pum?

Fingi que não ouvi esta "inconveniência" que o L. se lembrou de dizer em plena sala de espera das urgências. Toda a gente fingiu também.

Mas conseguiu captar a atenção geral; quando julgo que me vai dar um beijo, aperta-me uma maminha e diz:
— Vou beber leitinho!

Ai meu Deus, meu Deus. Quase me escondi debaixo da cadeira.
Este diabrete, que é meu filho, nunca antes se tinha lembrado de uma destas. E claro, que melhor momento do que aquele, em frente a uma data de estranhos de olhos arregalados como corujas!

Procurei abstrair-me, enquanto observava um bebé com ar fofinho a brincar com as orelhas do pai. De repente, o bebé tira a chupeta da boca e diz alto e bom som:

— Ó pai, as tuas orelhas cheiram mal.
— Está calado. — Ordenava o pai.
— Mas cheiram. As tuas orelhas cheiram a cócó! Cheiram mesmo a cócó.

ahahahaha Pobre pai!
Depois disso, já ninguém se lembrava do pum nem das minhas maminhas.

Hazel

Viajar sem pagar bilhete

Ontem à noite, viajei para França.
Fui em grande estilo: sem pagar bilhete, e de pijama vestido.

Foi só fechar os olhos, respirar fundo, e encontrei-me a passear numa tarde quente de Verão, por entre as alfazemas, em Provence...

Este frasco com o rótulo "Brume Bonne Nuit" contém um líquido rico em óleo essencial de alfazema.

Não é uma alfazema qualquer; é a variedade lavandula angustifolia, a mais perfumada e especial; cultivada, colhida, macerada e engarrafada em Provence (França).
Hu-huuu!

Comprei para pulverizar a almofada do L., que às vezes sonha com monstros que lhe mordem os dedinhos dos pés.

A alfazema tem propriedades calmantes, que induzem um sono tranquilo e reparador.

Pois eu não sonho com monstros, mas também utilizo a alfazema na minha almofada, só pelo prazer da viagem olfactiva.
E todas as noites passeio pelos lindos campos de alfazema... Comme ça me fait bien!



Ser Feliz

Hazel - És feliz?
L., todo ele sorrisos - Sooooou!
Hazel - O que é "ser feliz"?
L. - É viver bem.
Hazel - E o que é "viver bem"?
L. - É sentirmo-nos bem nesta casa.

Isso mesmo, filho:
"Sentirmo-nos bem nesta casa"...
Seja a que é feita de tijolo, seja a que é coberta de epiderme.

Com 5 anos, sabe muito mais do que tantos com 30, 40, 50...
Por isso, hoje o post é do L., que ensina ao mundo o que significa "Ser Feliz".

Há 5 anos trás...

Estávamos perto da meia-noite e o nevoeiro era tão espesso que parecia algodão.
As estradas estavam vazias, e o carro, de quatro-piscas ligados, acelerava a fundo rumo ao Hospital, sem que conseguíssemos ver mais de 2 metros à frente do carro.

O meu maior receio era que batêssemos em alguma coisa e eu não conseguíssemos chegar a tempo.

Mas conseguimos chegar sãos e salvos. Algum tempo depois, vi-me despojada das minhas roupas e com uma camisa de dormir de Hospital vestida.

As dores intensificaram-se. Não adiantava chorar nem gritar. Nem reprimir, nem... o que me restava mais? Estava enlouquecida, reduzida a um animal selvagem que sofria brutalmente, e agarrei nos meus cabelos e puxei com força. Eu até devia meter medo...

Passei a noite inteira assim, enquanto ouvia todos os palavrões possíveis e imaginários berrados a plenos pulmões por outras mães. Eu não piei. Mas sofri. Muito.

Finalmente chegou o anestesista, e eu estava disposta a ajoelhar-me e implorar para que me tirasse as dores que me trespassaram a noite inteira. Não foi preciso tanto, felizmente!

O efeito da anestesia fez com que eu olhasse para o relógio pendurado na parede, e deixasse de saber dizer que horas eram. Mas as dores tinham desaparecido.

Quando chegou a hora, a enfermeira ajudou-me a levantar da cama para ir para a sala de partos. Sim, eu ia ter um filho. O meu primeiro filho.

Caminhei de mão dada com ela, completamente atordoada pela anestesia, de cabelos esgrouviados e com o rabo de fora (camisas de dormir de Hospital...).

Minutos depois, ele nasceu.
Espantosamente grande e quente. Com caracóis.
Era o maior bebé que lá estava (foram muitos pacotes de bolacha Maria).

Passei lá 4 noites, em que não dormi com medo que mo levassem, ansiando pela tranquilidade e silêncio da minha casa.

Quando regressei, já não me lembrava de nada. Nem da minha morada e creio que já nem do meu nome completo. Deixei de ter nome, e passei a ser apenas... mãe.

Registo aqui estas memórias, para que não se desvaneçam com o passar dos anos.

Feliz aniversário, filho!
Eras um bebé grande, forte e tranquilo. Tinhas sempre as mãozinhas frias.
Gostavas de ouvir mantras tibetanos. Estavas sempre atento a tudo. Bebias muito leite.
Tinhas medo de barulhos fortes. Cheiravas a caramelo e a flores.
Foste muito desejado e amado (e continuas a ser). Obrigada, filho, por tanto que me deste!

Feliz dia 14 de Janeiro!

[Um agradecimento especial à enfermeira Susana Barbosa, pela forma tão humana e carinhosa como me tratou depois do parto. Nunca se sabe, pode ser que esta informação lhe chegue!]

Para as crianças

Pais, tios e avós!

Trago-vos um site interactivo fantástico, onde as crianças podem brincar, aprender, e até conduzir em estradas virtuais!

Há muitíssimo por onde explorar.
Quer dar uma olhadela?

Vá buscar as suas crianças e entrem por aqui!
(ligue o som!)

Tudo o que é pequeno tem graça

Isto nem post é. É um mini-post. Hoje, tudo é pequenino. Porque a magia não está nas coisas grandes, mas nos pequenos detalhes...

Pequenas delicadezas que fazem da nossa vida algo de diferente e especial...

Esta mini-mini-mini-caneca é do L., e está na cozinha.
Ele vai juntando lá dentro as sementes das maçãs que come ao longo da semana.
Quando está cheia, vamos todos a Sintra, o L. leva as suas ferramentas de jardinagem (oferta da tia K.), e planta as sementes num lugar à sua escolha.

Ternuras de um menino de 4 anos... que já plantou mais árvores do que muitos adultos.

Mini-gaita-de-beiços. E toca mesmo. É minha, de estimação, e não entra lá o cuspo de mais ninguém, a não ser o meu.
Foi-me oferecida por um pianista há muitos anos atrás.

Mini-banco de madeira. Oferta do Senhor Lixus.
Está à disposição das Fadas, para quando me quiserem visitar.

Mini-Dicionário da Língua Portuguesa. Não é um encanto?
Apesar de ter outros grandes, consulto-o muitas vezes. Vamos combinar: tem outra graça.

O post termina aqui... Eu bem disse que era "mini".

Um bocadinho da minha sala

Um dia, ainda me lembro de mudar a sala para a cozinha, a cozinha para a casa-de-banho, e a casa-de-banho para o quarto.

O caso é bicudo, vão por mim.
Eu explico: imagine que eu decido mudar um único candeeiro de lugar - isso é sempre o começo de uma revolução decorativa...:

... eu coloco o candeeiro em outro canto, a seguir mudo a mesa, viro o sofá, desvio a estante, e quando dou por isso, já mudei a casa inteira. Uma coisa de loucos. Só por causa de 1 (um!) candeeiro.

Ontem tive uma dessas crises sado-masoquistas, e passei a tarde a jogar xadrez comigo mesma, usando os móveis quase todos da casa.

Depois de ter feito o merecido cheque-mate, e enquanto não volto a jogar novamente, satisfaço um pouco da curiosidade aos mais bisbilhoteiros [eu tenho Statcounter - sei as pesquisas que fazem aqui... oh oh]; aqui vai o cantinho da televisão (nota-se que o objectivo é escondê-la com as plantas*?):



Alguns destes livros têm mais de 100 anos. Gosto de colocar estes testemunhos do passado em lugares de destaque - porque não? Acho um encanto aquelas folhas amarelas.

*As plantas têm a capacidade de filtrar as radiações electro-magnéticas que os aparelhos eléctricos emanam, e, assim, protegerem-nos dos seus efeitos nocivos.

Nota: Se vencerem o desafio que vos lanço, na próxima semana, mostro mais fotos.
O desafio é: tenho um macaco na sala; onde está?

O sótão misterioso

Vivo nesta casa há 8 anos. Conheço-lhe todos os recantos. Mas, existe uma parte desta casa onde eu nunca tinha entrado, nem sequer com a pontinha do nariz...: o sótão.

Raramente me lembro, sequer, que ele existe. Convenci-me de que quem lá vivia - e sem pagar renda! - eram as aranhas. E, com elas, eu não me meto.

Mas, há pouco tempo, decidi ir lá acima enfrentar o meu medo, e ter uma conversa-séria-de-mulher-para-aranhas.

Não existe uma escada fixa, por isso fui  buscar a velha escada da administração do prédio e lá subi. O acesso é pelo tecto da nossa despensa (vêm os ramos de louro pendurados na parede?).

Qual não foi o meu espanto, quando lá chego, preparada para encarar um batalhão de aracnídeos enraivecidos, extraterrestres antenados, crocodilos, ou até mesmo o lendário fantasma das cuecas rotas, e... não vi nada. Nicles. Apenas um enorme espaço vazio.

Que poderia ser transformado em tantas coisas...
E agora, fiquei a pensar:

Poderia transformá-lo numa Biblioteca, e levava para lá todos os livros...
Ou fazer dele um jardim interior, com pedras, fadas e gnomos, as plantas e uma pequena fonte Feng Shui (que não tenho)...
Ou criar um espaço mágico, com almofadões pelo chão, onde poderia fazer teatrinhos de contar histórias de encantar com o L.... (esta agrada-me mais)

Ou...? Sei lá.
Aceito sugestões.
Se tivessem um sótão vazio, o que fariam dele?

Ouvindo histórias...

Trago uma encantadora novidade para pais, tios e avós.

Acompanhe os seus filhos (ou sobrinhos! ou netos!) numa visita a uma pequena biblioteca virtual, onde os livros estão vivos, e contam histórias.

Não é necessário registar-se. Basta escolher um livro, clicar nas setas para virar as folhas e nos quadrados "Ler + Giro" que aparecem em cada página, para que o livro conte a sua história. Não se esqueça de ligar o som!

A Biblioteca é AQUI (clicar).

Boas leituras!

Coisas da terra

Onde o vento faz a curva, descobrimos uma terra-fantasma esquecida no tempo...

Enquanto as massas fazem romarias às praias e centros comerciais, nós caminhamos na direcção oposta. É no silêncio do campo que encontramos paz e satisfação.

Ali, descansamos os olhos dos placards publicitários; os ouvidos, dos barulhos dos carros; os pulmões, da poluição.
Nestes passeios, reencontramo-nos a nós mesmos, ganhamos forças e equilibramos energias.

Adoro as coisas da terra! São as mais saborosas e belas. Abençoadas.
A Mãe-Natureza foi mais do que generosa connosco; estas foram as suas dádivas, colhidas pelas minhas mãos.
Pêras, maçãs, limões, amoras-silvestres, feijão-verde, milho... (foto tirada ontem à noite)

Entretanto, o feijão-verde já foi transformado numa cremosa e nutritiva sopa; uma das maçarocas de milho, consumida, e a outra desfolhada e pendurada na parede da cozinha (para que sempre haja abundância e prosperidade nesta casa); a fruta, colocada em cestos de vime.

Sei de umas cabras que se vão deliciar a comer os fios do feijão-verde (que, normalmente, as pessoas deitam para o lixo), e de um certo menino que se vai divertir muito a alimentá-las... Desperdício zero. Máxima diversão.
(e só de pensar que vivemos num apartamento!...)

Consegui...

Estava ferido e muito fraco quando o encontrei. Procurei um veterinário, que receitou antibiótico e anti-inflamatório, mas não deu garantias de que conseguisse sobreviver.

Passei mais de uma semana a administrar-lhe os medicamentos com uma seringa, pelo bico. Dormiu ao lado da minha cama. Abria-lhe o bico para o alimentar e dar-lhe água várias vezes por dia. Limpei-lhe a ferida regularmente com Betadine diluído.

Coloquei cristais curativos no ninho improvisado. Falei com ele. Dei-lhe beijinhos. E todos os cuidados que pude. E... consegui!

Cá está ele, vivinho da silva, e manda cumprimentos.
Nunca o prendi nem coloquei em gaiolas.
Tem estado sempre livre e solto, como devem os pássaros estar.

Construí-lhe este poleiro com troncos que apanhei na praia, para estar perto da janela.
Passa o dia todo no seu tronco, de onde nos observa muito atentamente. Olha-nos mesmo nos olhos, como se nos entendesse. Já come sozinho, é dá pequenos vôos.

Habituou-se de tal forma ao contacto humano, que acha que as pessoas são todas o máximo (mal sonha ele com as sopas de pombo que por aí se fazem...).

Bem, este amigo está seguro aqui. Se um dia voltar a conseguir dominar o azul do céu, é para lá que regressará. Até lá, tem sido um excelente hóspede.

Peço desculpa, se a imagem chocar alguém.
Foto do ferimento, tirada quando o encontrei.

Neste momento, já desapareceu tudo.
Está totalmente curado.

Fotos das férias

Percebemos que estamos a ficar velhos quando deixamos de usar toalha de praia, e passamos a usar cadeiras...

Uma paisagem alentejana. Adoro aquele dourado seco das ervas no Verão.

No Alentejo, as casas são assim; baixas, brancas, e com uma barra azul junto ao chão.
O branco serve para manter as casas frescas, e a barra azul, uma vez disseram-me que serve para afastar os insectos. Mas não acreditei (nem sei porque estou a repetir!).

Ilha do Pessegueiro. Onde dizem que, há muitos anos, um homem morreu por amor...

Para não dizerem que nunca apareço.

O meu querido L., feliz da vida, a correr pela praia.

Lindo, não é?

Esta é a mais especial de todas. Foram umas férias bonitas.