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Dúvida existencial

Quando começo com ideias... é muito perigoso.

Certa vez, - já nem me lembro o que me deu para fazer isso - lembrei-me de tentar arrancar um dos espelhos das portas centrais deste guarda-roupas.

Ele já estava meio descolado, pelo que achei que, se arrancasse o resto, podia criar um espelho à parte, para colocar no corredor.

A coisa correu bem até ouvir o primeiro 'craccccc!'. 7 anos de azar, pensei eu.

Continuei a minha tarefa, qual Taurina teimosa, munida de espátula e óculos de protecção, quando, novamente, 'cracccc!'.

A conta já ia em 14 anos.... e 21 anos.... bem, se for contar todos os 'craccccs!', a condenação vai para além desta e da próxima encarnação.

É nestes momentos que devemos redefinir as nossas convições. Afinal, só tem poder aquilo em que acreditamos, certo? Pois, decidi não acreditar, e livrei-me de centenas de anos de azar! Uffff...

Lá fui com o espelho partido em ziguezagues no banco de trás do carro, à procura de um vidraceiro que o cortasse, de forma a aproveitar o que ainda restava dele.

Mandei emoldurar e depois pendurei um pequeno cabide por cima.

Tinha sido tão mais fácil e prático comprar um espelho já pronto, até porque o resultado final não ficou nada de fora do comum. Mas enfim, não tenho culpa de ter nascido assim...

E quanto à pobre porta, despida e maltratada? Finalmente, encontrei uso para uma esteira da praia que tinha guardada há muito tempo. Cortei-a ao meio (pelo comprimento), e apliquei-a na porta, o que lhe deu um ar mais quente e simpático.

Mesmo assim, depois desta confusão toda, ainda fico na dúvida. Terá sido tudo uma perda de tempo?
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.