Mulheres do mundo:
Aproximem-se do écran, pois este post poderá mudar a vossa vida.
A liberdade sempre esteve ao nosso alcance, só que, como passarinhos que estivemos demasiado tempo dentro da gaiola, quando vimos a porta aberta, não sabíamos que podíamos voar.
Verdade-nua-e-crua, parte 1: ninguém vai ganhar um prémio por ter roupa sem vincos. Ninguém vai receber a visita-relâmpago de uma inspectora-das-donas-de-casa que irá averiguar se fez batota por não ter passado os pijamas, lençóis e toalhas a ferro. A inspectora-das-donas-de-casa não existe.
Se existisse, seria uma mulher frígida, pérfida, sádica e com caspa no cabelo!
A "inspectora-das-donas-de-casa" é uma programação de culpa que tem passado de geração em geração. Ainda hoje, as mulheres obedecem sem questionar a um estereótipo auto-imposto e criticam-se umas às outras numa competição sem nexo para atingir o patamar ilusório de "melhor dona-de-casa", sem se aperceberem que, quanto melhores donas-de-casa são, menos donas-de-si-mesmas se tornam.
Refiro-me especificamente às mulheres que desperdiçam horas de vida a passar a sua própria roupa a ferro, a roupa da casa, a dos maridos ou namorados e a dos filhos. E "têm" de ser elas a fazê-lo porque.: são mulheres.
Verdade-nua-e-crua, parte 2: os vossos maridos / namorados não vos irão amar mais por passarem as roupas deles a ferro. Nem vos irão tratar melhor pelo vosso sacrifício. Se reconhecessem verdadeiramente o vosso esforço e quisessem a roupa engomada, seriam eles próprios a fazê-lo. Não se troca amor por roupa passada a ferro.
Ora vejamos o seguinte cálculo:
Passar a ferro = roupa engomada para parecer bem aos outros.
Não passar a ferro = tempo para si + recuperação da auto-valorização + fim da dor nas costas + conta de electricidade menor + liberdade de poder exercer as suas escolhas, fazer o que quer, e não o que os outros acham que deveria fazer.
Divorciei-me da tábua de engomar, claro está.
Simplesmente, decidi nunca mais passar a ferro. E olhem que nem ando com a roupa muito amarrotada. A forma como cuido da minha roupa é a seguinte:
1. Estendo a roupa direita no varal, de forma a não ganhar marcas nos sítios mais visíveis (p. ex., penduro as t-shirts a meio, e coloco as molas por baixo dos braços);
2. Dobro e arrumo a roupa logo que é apanhada do varal, para não formar montanhas de roupa (que ganham vincos). Se não puder fazê-lo logo, coloco-a toda direita numa cadeira - para não ficar amarrotada.
3. Se, mesmo assim, alguma peça de roupa estiver muito amarrotada, penduro-a num cabide e coloco-o na casa-de-banho para apanhar os vapores do duche e, assim, alisar.
Por um mundo onde as mulheres são mais felizes e se valorizam a si mesmas,
Hazel
