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A idade das bruxas

As bruxas andam envoltas num véu invisível que produz um encantamento em quem as observa, vendo-as sempre com uma aparência jovem, mesmo que tenham centenas de anos...

Esta vossa escriba está a envelhecer.
Já fui Donzela, sou Mãe, e começo lentamente a minha caminhada para chegar a Anciã.
As três faces sagradas da Deusa, que cumpro sem pressas.

Isto de envelhecer traz as suas compensações. Perde-se na rigidez dos seios [oh Deuses, eu escrevi mesmo isto?], mas ganha-se em paz interior, com a reconciliação que fazemos connosco.

Perde-se todos os dias um bocadinho de auto-crítica e ganha-se em auto-estima.
Cada vez nos vamos tornando mais nós mesmos, e menos aquilo que os outros esperam que sejamos. Consequentemente, as relações que temos com as outras pessoas redefinem-se. Umas, aprofundam-se. Outras, extiguem-se.

Vamos dando cada vez menos valor ao que os outros pensam, e mais valor àquilo que sentimos que está de acordo com os nossos princípios. Aprende-se a apreciar e até mesmo a saborear a solidão, porque ninguém nos compreende tão bem quanto nós. :)

Não sei até quando este meu feitiço de juventude irá durar, mas acho que aquilo que o mantém activo é o prazer que eu tenho numa boa gargalhada.
Com mil vassouras, enquanto houver alegria e sentido de humor, serei eternamente jovem!

Dentro de poucas semanas, vou fazer anos, e isso de fazer anos é algo que me traz sempre uma sensação esquisita, de desconforto. Parece que o mundo inteiro nos observa nesse dia, e nunca se sabe quem vai saltar de trás de um arbusto para nos pregar um susto. Metaforicamente. É. Fazer anos é uma coisa assustadora para mim!

O que compensa este desconforto e o susto contínuo de 24 horas são os presentes. ahahah!
E, por isso, deixo aqui uma lista - vai que o Pai Natal lê o meu blog - de coisas que eu gostava de ter:

- Alcofa de palha. Acho que mais ninguém se lembraria disto, mas eu sou uma pessoa de gostos simples, e gosto de alcofas de palha, são ecológicas, vintage, servem para tantas coisas...

- Máquina de costura pequenina. Ora aqui está uma coisa que nunca pensei vir a querer.
O que não faz a idade! Não sei rematar em máquina de costura, mas quão difícil poderá ser?

- Sabonetes. Acho que sou a única pessoa do mundo que gosta de receber sabonetes de presente, mas gosto mesmo. Que foi?

- Pedaços de tule. Brancos ou pretos. O mundo de possibilidades artesanais que eles oferecem...

- O livro "Siddhartha", de Hermann Hesse. É o meu livro preferido, que já tive, mas infelizmente fiquei sem ele, e parece que nunca mais o vou reaver.

- Uma estatueta bonita de Iemanjá. De quem sou devota. A minha perdeu os dedos misteriosamente! Ninguém lhe tocou, e desapareceram - coisa estranha...

- Uma pena de falcão. Que não tenha sido arrancada, pelamordosdeuses!

- Um lápis khol preto para olhos. Homessa, é a primeira vez que peço uma coisa destas.
Mas a idade, a idade...

E é tudo!
Podia pedir uma casa nova, uma oferta de emprego fantástica, um patrocínio generoso, uma viagem ao Brasil ou até mesmo uma colecção inteira de vestidos novos. Mas não.
A idade ensina-nos a ser pacientes e a apreciar as coisas pequenas, porque a grandeza está dentro do nosso coração.
Embora... se algum destes desejos se concretizar, não vou desdenhar, não... ahahah!

Beijos para todas as idades,
Hazel
Cronista, Viajante no Tempo, Terapeuta, Taróloga, Tradutora, Professora.