Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

A fonte das fadas

Era uma vez uma menina com sardas e cabelos encaracolados que foi raptada por uma velha maquiavélica, desdentada e de pele encarquilhada.

A velha deu-lhe uma peneira, e disse-lhe que libertá-la-ia quando a menina conseguisse trazê-la cheia de água da fonte das fadas, sem entornar uma gota.

A menina, muito triste, caminhou descalça, floresta fora, seguida por duas borboletas brancas.

Chegada à fonte, colocou a peneira por baixo da queda de água. Mas esta saía pelos furos. Desesperada, chorou.

Junto à fonte das fadas vivia um sapo pequeno e verde, que a observava com os seus olhos esbugalhados.

- E agora, sapo? Nunca mais volto para casa...

O sapo saltou para cima de uma pedra enorme e lisa, que estava cheia de musgo espesso, e olhou a menina como que a dar-lhe um sinal.

- Claro... musgo!

Com as mãos, a menina arrancou o musgo da pedra, e, cuidadosamente, forrou o fundo da peneira. Voltou a colocá-la debaixo da queda de água, e, desta vez, encheu-se.

A menina foi libertada.
A velha morreu engasgada com a água.
O sapo não se transformou num príncipe; mas foi levado para um lago cheio de nenúfares, onde encontrou uma bela rã e se apaixonou.
E a fonte das fadas continua a deitar água fresca e cristalina.

(As coisas que me ocorrem a propósito deste prato antigo, com velas e forrado de musgo...!)

[Protegido por Direitos de Autor.]

14 COMENTÁRIOS... soprados pelas janelas:

Talma 23 de Julho de 2009 14:07  

Sabe aqueles dias azedos em que vc não acretia em Deus, muito menos em anjos??
Aí, vc vem e lê isto e pensa:
" Tá certo Deus, saquei que vc existe e ainda me botou um anjo no meu caminho."
Beijocas com carinho, bruxinha.

Talma 23 de Julho de 2009 14:07  

ops...acredita*.

Larissa 23 de Julho de 2009 15:29  

Ai que belezinhaaa.
Amei esse conto, adoro coisas assim. O engraçado é que enquanto vou lendo é como se passasse um filminho na minha cabeça, muito lindo por sinal.

Muito linda sua imaginação.

beijos

Janice 23 de Julho de 2009 15:51  

Que história deliciosa de se ler.
Obrigada pelo recadinho cheio de carinho.
Beijo:)

Rosan 23 de Julho de 2009 16:54  

Bela história....
ficou muito bom o arranjo de velas.
E a mesinha que parece ser de bambu dá um toque todo especial ao lugar.
Um abraço.

analuciana 23 de Julho de 2009 18:00  

Tão bonito! Adoro assuntos de fadas, fazem parte do meu imaginário, e da criança que ainda vai havendo em mim.

Obrigada pela dica, e pelo carinho.

Beijinho!

jardim das alamandas 23 de Julho de 2009 20:42  

Gosto de falar sobre elementais.
Seu arranjo de velas é bem expressivo.
Beijos
***EDNA***

Anónimo 23 de Julho de 2009 23:51  

Linda história, adoro histórias!Além de lecionar História do Brasil e Geral no ensino fundamental, tb faço parte de uma dupla de contadoras de histórias,com minha amiga Rosangela, o grupo Sol e Lua. Aqui no Brasil, temos algumas histórias com peneiras envolvendo o Saci Pererê.
" Há muitos jeitos de pegar saci, mas o melhor é o de peneira. Arranja-se uma peneira de cruzeta… Pois bem, arranja-se uma peneira desas e fica-se esperando um dia de vento bem forte, em que haja rodamoinho e zás! – joga-se a peneira em cima. Em todos os rodamoinhos há saci dentro, porque fazer rodamoinhos é justamente a principal ocupação dos sacis neste mundo.Depois, se a peneira foi bem atirada e o saci ficou preso, é só dar jeito de botar ele dentro de uma garrafa e arrolhar muito bem".
Conhece nosso Saci, Hazel?
Sandra Vallim

Ozenilda Amorim 24 de Julho de 2009 01:08  

Oi Hazel, há tempos não venho aqui, mas agora coloquei a leitura em dia e como sempre saio daqui cheia de boas coisas na cabeça.
;)

HAZEL 24 de Julho de 2009 09:46  

Sandra Vallim:

Também adorei a sua história do Saci Pererê! Muito boa!
Esse Saci é o mesmo que aparecia no "Sítio do Picapau Amarelo"? Se for o mesmo, então conheço, sim.

Obrigada pela sua participação!

Beijos mágicos

sandra vallim 25 de Julho de 2009 01:58  

Hazel
Que bom que vc me respondeu.
Sim, é esse Saci mesmo,o do Sítio do Picapau Amarelo, uma espécie de duende que faz traquinagens.Depois de capturá-lo com a peneira, o povo conta que ele deve ser aprisionado numa garrafa e arrolhado.Não esquecer de riscar uma cruzinha na rolha, porque o que prende o Saci na garrafa não é a rolha e sim a cruzinha riscada nela.
É TÃO BOM ACREDITAR NO INVISÍVEL!
Um grande abraço
Sandra V

HAZEL 26 de Julho de 2009 14:18  

Sandra Vallim:

Bem me pareceu que era esse Saci.
O "Sítio do Picapau Amarelo" passou na televisão portuguesa há muitos anos atrás, na época eu era criança. Gostava muito de ver.

Lembra-se da Emilinha? Era a minha favorita. Por causa dela, passei a gostar desse nome. A nossa tartaruga chama-se Emília! ;-)

Sandra 26 de Julho de 2009 17:09  

Que linda história! Às vezes a solução de um problema está mesmo diante dos nossos olhos, basta olhar e ouvir...
Beijos!

Fabiano Mayrink 4 de Agosto de 2009 18:53  

nossa que linda decoraçao digna de fadas encantadas! um enorme abraço!

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