"Farta de tudo"



Estou a ouvir lá fora na rua uma mulher de meia-idade a gritar que está farta de tudo. Está louca da vida.

Deuses me protejam, que estou quase a caminho dos 40.

Hihihi... glup!

Exercício contemplativo para a Paz Interior


Levantar ligeiramente o queixo e descer um pouco as pálpebras, alinhando os olhos com o horizonte largo e luminoso. 

Descobrir que o horizonte também está dentro dos nossos olhos, que se enchem de claridade e a espalham por todo o interior do nosso corpo, como se fosse uma casa de janelas amplas e cortinas abertas a receber a luz da manhã.

Só hoje percebi o quão profundo e apaziguador pode ser contemplar o horizonte.

Entendi que não basta contemplá-lo só pela beleza, mas ajustar os nossos olhos a ele e depois descobri-lo inteiro dentro de nós.

Nesse momento, o ponteiro descontrolado da nossa bússola interna alinha-se com o Norte, revelando-nos todas as outras direcções e mostrando-nos que estamos no momento certo, no lugar certo, a fazer aquilo que nos propusemos fazer. Todas as respostas estão dentro de nós, no entanto, só conseguimos vê-las quando nos sintonizamos com o Universo... e connosco.

[Foto: A vossa escriba pela lente de Lieve Tobback]

Em contemplação,

Estar no mundo, mas não lhe pertencer


Ser mulher é muito difícil.
Se sou simpática e sorridente, julgam-me subserviente.
Se fico séria, julgam-me arrogante.
Se visto uma roupa com decote, julgam-me provocadora.
Se me tapar muito, julgam-me puritana.

[Estive quase para terminar cada uma das frases anteriores com a palavra "bardamerda", assim:
Se sou simpática e sorridente, julgam-me subserviente. Bardamerda.
Se fico séria, julgam-me arrogante. Bardamerda.
Se visto uma roupa com decote, julgam-me provocadora. Bardamerda.
Se me tapar muito, julgam-me puritana. Bardamerda.]

Com o passar dos anos, o mundo começou a querer impôr outras exigências. [Bardamerda?]

Aos 37 anos, o mundo estranha que eu tenha o cabelo tão comprido.
E, pior, que o use sempre solto.

Já era o momento para cortá-lo e encaixar-me, assim, na formatação da mulher que se aproxima da meia-idade e, portanto, precisa de ser prática e deixar-se de romantismos e idealismos.

Aos 37 anos, o mundo estranha que eu continue a rir-me e mantenha a delicadeza que sempre me caracterizou. Já era tempo de me tornar mais sisuda, mais pesada.

Aos 37 anos, o mundo, que tanta necessidade tem de catalogar as pessoas, fica confuso comigo, não sabe onde me colocar, porque não sou igual às outras mulheres da minha idade. Em todas as idades por que passei, sempre fui a peça de puzzle que não encaixava em puzzle algum.

Quando entrei na idade adulta, tentei ser igual aos outros, tentei ser o que o mundo esperava que eu fosse, castrando os meus próprios sonhos e ambições. Não fui feliz.

Porque eu não era eu. Levei muitos anos até perceber que, para ser feliz, tenho de ser eu mesma; diferente, rebelde, incompreendida e incompreensível. Injustificada e injustificável. Amada, mal-amada, criticada ou elogiada. Mas eu, sempre eu.

Por isso, rio-me na cara do mundo quando este me olha com estranheza.
E nada digo, porque não preciso de explicar-me a esse monstro abstracto, essa sombra das multidões projectada na parede, que escraviza as mulheres tornando-as todas iguais umas às outras, e diferentes de si mesmas.

Hazel

Ritual de Banimento Nocturno

São tantos os emails que recebo de pessoas que vivem com medo que alguém lhes tenha "rogado uma praga", "lançado mau-olhado" ou feito um "trabalho de bruxaria", que resolvi escrever este post na esperança de trazer alguma claridade e dissipar as sombras do medo.

Nós somos antenas. Aquilo que emitimos é aquilo que atraímos. Sempre que se focar no medo e na ideia de que os outros conspiram contra si, é isso que vai atrair. Os seus receios vão mesmo materializar-se, mais tarde ou mais cedo. 

Eleve a sua vibração, procure com todas as suas forças viver com alegria, com verdade, auto-confiança e amor (começando pelo amor-próprio). Não existe escudo energético mais poderoso. "És eternamente responsável por aquilo que cativas...", dizia Saint-Exupéry. 
Quase sempre, somos nós que nos auto-sabotamos e achamos que são os outros.

Ainda assim, se acredita mesmo que alguém lhe anda a enviar más energias, deixo-lhe este ritual de banimento para fazer à noite:


Ritual de Banimento Nocturno
(para fazer numa noite de Lua Minguante antes de se deitar)

Acenda 13 velas brancas (podem ser tealights) junto à banheira.
Encha a banheira com água quente e coloque um saco de Banho de Purificação (para não ficar a achar que estou a tentar vender alguma coisa, deixo como alternativa colocar, em vez disso, 7 colheres cheias de sal grosso). Diga o seguinte encantamento: 

O que foi feito, foi feito
Que seja agora desfeito.
Pela luz da Lua Minguante que tudo varre
Limpa-me de todo o lixo e toda a sujidade

Que este feitiço vire tudo do avesso
E me liberte de teias e amarras
Quando eu entrar nesta água sagrada
Que a minha alma seja purificada.

Entre na banheira e molhe o corpo inteiro (cabeça incluída). Diga 3 vezes:

Que todos sejam perdoados e apaziguados
E todo o mal seja desfeito com o Sol da manhã.

Mantenha-se na banheira até que a água arrefeça. Depois seque-se, apague as velas e durma tranquilo. Amanhã é um novo dia.

Envolta em Luz,

Hazel

Oração de protecção contra um cão ameaçador

Ontem, lembrei-me de duas orações muito antigas que me foram ensinadas pela minha mãe depois de, em criança, ter sido mordida por um cão quando vinha da escola.
Ainda hoje me dói a nádega direita só de me lembrar.

Procurei pelas orações no google, e não encontrei nada. Desconheço as suas origens, que me parecem meio cristãs. Embora eu não seja cristã, tenho muito apreço pela velha sabedoria popular e gosto de dar o meu contributo para que ela não se perca no nevoeiro da memória.

São duas orações; uma para cães, outra para cadelas. Conforme aprendi, caso sejamos ameaçados por um cão, nunca devemos fugir ou virar-nos de costas para ele, mas olhá-lo nos olhos, simular o gesto de que lhe vamos atirar uma pedra e dizer em voz alta, com autoridade:

"Tente mão, cão!
Entre ti e mim está São Salomão!"


Ou, caso se trate de uma cadela:

"Tente mão, cadela!
Entre ti e mim está Santa Madalena!"

Lembro-me que a minha mãe garantia que os cães se afastavam. Nunca testei, OK?
Acredito que, mais do que a oração em si, é a postura de autoridade e confiança que poderá afastar o animal ameaçador. Mas as palavras, em si, o velho folclore, também têm o peso da ancestralidade, de uma intenção que foi repetida continuamente ao longo do tempo, criando, assim, um efeito mágico que a ciência não consegue explicar e desvaloriza.
Eu diria que, no fundo, é um pouco de cada...

Honrando a memória da minha ancestralidade,

Hazel