Yule e o medo do escuro

Este post surge da necessidade de explicar às crianças a origem do Natal do ponto de vista da tradição Nórdica. As celebrações do Solstício remontam aos primórdios dos tempos, por aquilo que significava na vida prática das pessoas. Não havia diferença entre sagrado e profano.

Entrando em território da mitologia nórdica, há a comum associação do festival de Yule, ou a celebração do Solstício de Inverno, com a figura de Balder, deus da luz - que não é consistente com a morte de quase todo o panteão nórdico aquando do Ragnarok. A morte e ressurreição de Balder no Ragnarok fica para outro post. Neste tratamos de Yule.

Para ler às crianças:
Esqueçam tudo o que sabem do Natal.
Hoje, dia 21 de Dezembro, às 17h11, começou Yule. É o dia mais curto do ano. Tem apenas nove horas de luz do Sol. O Yule dura até 12 de Janeiro, quando se festeja o Jolablót, ou a oferenda de Yule. 
Nesta época, conta a lenda, o lobo que, durante todo o ano persegue o Sol, ou a deusa Sól (Sunna), consegue finalmente alcançá-la, engolindo-a. O lobo, como o lobo mau das histórias da "Capuchinho Vermelho" ou dos "Três Porquinhos", representa a morte, a escuridão e os aspectos menos bons das pessoas.
Mas, a própria morte, para os antigos povos nórdicos, não era mais que uma maneira de dizer “tempo de mudança”. Mudanças dentro de nós mesmos.
Sabem quando está escuro e vocês têm medo? É porque no escuro enfrentamos os nossos limites, os nossos medos. Quando vocês começam a imaginar coisas feias no escuro, podem imaginar também que há um senhor de barbas vermelhas e compridas que lhes vem dar com um martelo mágico na cabeça para elas desaparecerem. Suspeito que era o que muitos meninos faziam antigamente. E resultava! 
Outra coisa que, tanto os meninos, como os pais dos meninos faziam, era deixar leite e bolinhos para que as coisas feias as comessem e os deixassem em paz. Esta é uma das possíveis origens para o costume de deixar leite e bolachas para o Pai Natal. E espalhavam também véus coloridos pela casa, como aquelas fitas que se põem na árvore de natal, para os afastar. 
A partir de hoje, os dias voltam, aos poucos, a ficar maiores. Como se o Sol, bebé, estivesse a crescer no céu.
E já repararam que o Sol é uma senhora? E, ainda por cima, uma Mãe?
Naquele tempo, as pessoas pediam a iluminação das suas vidas a essa deusa. Vocês gostam de acender uma luz quando está muito escuro? Então, o que as pessoas pediam era que essa deusa acendesse luzes de amor e alegria, sempre que a vida estava mais complicada. Numa época em que todos viviam daquilo que plantavam, era também muito importante que houvesse Sol para que os alimentos crescessem.
Esta ocasião é importante para pensarem como se portaram durante o ano e como gostariam de se portar no próximo, sempre cheios do Amor maternal da deusa Sól.
(Parar de ler às crianças)
Durante este tempo de escuridão, em que a nova deusa Sol está frágil, é necessário protegê-la das forças opositoras da escuridão. Thor era aqui chamado a exercer o papel do herói.

Diz o mito que durante o tempo de Yule os Oskoreia ou Jolareia (Asgard Riders ou Yule Riders), guerreiros que não foram levados nem para as salas de Freya ou de Odin, e estão condenados a passar a eternidade em Hellheim, tinham o acesso ao mundo médio facilitado. No entanto, estes guerreiros caídos “só” atormentavam os não eram puros de coração… o que deveria ser uma grande chatice, porque ninguém queria admitir que era atormentado!

Cabra de Yule, em 2006, na Suécia. 
O culto ao deus Thor tem aqui um papel muito importante, que culmina no festival em sua honra, “curiosamente”, muito próximo do dia 12 de Janeiro. Sete dias depois, apenas.

A carruagem de Thor era puxada por cabras, que o deus do trovão matava com o seu martelo mágico. No dia seguinte, elas ressuscitavam, num símbolo de prosperidade. Esta eternidade das cabras e o facto de estarem associadas à prosperidade, fazia com que a povoação envergasse máscaras de cabras e cantasse hinos a Thor pelas ruas das aldeias. Tornou-se, assim, sinal de boa sorte comer cabra durante o período de Yule, na esperança que o deus colocasse na mesa muitas mais. As cabras tornaram-se um símbolo do Natal na Escandinávia. Podemos encontrá-las hoje, em Portugal, numa loja de móveis "fáceis" de montar...

Que a luz cresça nos vossos corações, com Amor,

Marco


Este texto não tem a pretensão de ser um texto académico, e baseia-se na minha visão (que está longe de ser original) deste fenómeno. É uma mistura das diversas visões dos vários autores que fui lendo, baseada na mitologia.

Um cantinho da minha casa


Uma casa é como uma pessoa.
É feita de recantos, de cheiros, de memórias e particularidades. Uma casa com alma conta a história da nossa vida e recorda-nos quem somos.

Estou sempre a mudar o lugar dos móveis e dos objectos, da mesma forma que eu própria mudo por dentro para me tornar tão agradável e acolhedora para mim mesma como um fim de tarde numa poltrona aquecida pelo Sol.

A arrastar móveis,

Não comprar flores, não comprar pássaros

Oferecer flores "de corte" é o equivalente a oferecer pássaros em gaiolas.
Uma demonstração de afecto cujo principal ingrediente é o egoísmo, ainda que inconsciente. No meu mundo ideal, ninguém sacrificaria flores para oferecer.
Em vez disso, oferecer-se-ia plantas em vaso.

Plantas que vivem, e não plantas a morrer que se colocam numa jarra de água sobre uma mesa, entre os bibelots inúteis para os quais já ninguém olha. Ninguém se lembra dos sentimentos das flores, tão delicadas e mágicas, que até conseguem fazer música.

Ainda no meu mundo ideal, ninguém compraria pássaros presos em gaiolas, mas comedouros e bebedouros de aves para colocar nas varandas e janelas. "Grato pelo presente, tantos pássaros que virão cantar na minha janela!"

Não vão por mim - no meu mundo ideal, quem cuspisse para o chão, levava um calduço no pescoço e era obrigado a limpar. A antipatia seria considerada um crime público.
Mas só de tarde. De manhã cedo, todos teriam o direito a ser antipáticos.
E os relógios seriam abolidos.

Ainda bem que não mando no mundo. Sorte a vossa.



Oração da Lua para bebés


Esta é uma oração muito antiga e bonita, de raízes pagãs, que conseguiu sobreviver até aos dias de hoje.

Era um ritual que as mães passavam em quase-segredo às filhas, quando estas tinham os seus próprios filhos.

Este quase-secretismo, num tempo em que não havia internet e os livros sobre magia praticamente não existiam, conferia ao ritual uma aura de misticismo inigualável nos dias de hoje.

Os bebés eram, em segredo, "oferecidos" à Lua, para que crescessem sob a sua protecção mágica.

Foi-me ensinada pela minha mãe, que cumpriu este velho costume comigo, como tantas outras mães do seu tempo.

Deve ser feita pela mãe, quando estiver sozinha com o seu bebé, numa noite de Lua Cheia. Pegar no bebé de maneira que a luz da Lua reflicta nele, e dizer:

"Lua, Lua, Luar
Aqui tens o(a) meu(minha) menino(a)
Ajuda-mo(a) a criar
Eu sou Mãe
E Tu és Ama
Cria-o Tu
E eu dou-lhe mama."

Beijos mágicos,

Hazel

Querido Pai Natal...

... cá estou eu novamente!
A rapidez com que este ano passou foi estonteante.

Quero agradecer-te por leres a Casa Claridade e pelo cuidado e carinho com que tens concedido os meus pedidos todos os anos sempre das formas mais originais e inesperadas.

Não tenho mesmo o direito de afirmar que não acredito em ti e na tua Magia. Em particular, este ano, que foste tão generoso comigo.

Ainda falta realizar alguns desejos, mas compreendo que, se não o foram, é porque não chegou o momento certo. Não tenho pressa. Aliás, não tenho realmente pressa para nada. Está tudo bem como está e estou muito grata por isso.

Numa retrospectiva do meu comportamento ao longo dos últimos 365 dias, de consciência tranquila digo-te que, para uma bad girl, até me portei muito bem. Ultrapassei tantos desafios e em todos consegui renascer melhor e mais completa. Ainda tenho alguns aspectos a melhorar, mas estou a esforçar-me, Pai Natal, estou a esforçar-me!

Ora, se achares que eu mereço, aqui vão os meus pedidos para este ano:

1. Um biombo. Mas quem é que pede um biombo de presente de Natal? Eu.
Não comeces a pensar que o biombo é para esconder a desarrumação quando vêm visitas inesperadas. Na, na, na. É para a minha sala de consultas. Podes riscar isto da lista, Pai Natal. Já comprei um biombo. Menos uma coisa para as tuas renas transportarem!

2. Um pijama de Inverno. Mas que não seja deprimente como os meus! Sabes que, no outro dia, quando passei pelo espelho a caminho da cama, reparei que o meu pijama de há quase 10 anos parece o de uma pessoa fugida de um hospital psiquiátrico. Apanhei um susto!
Como é que nunca tinha reparado? Os pijamas mais feios e tristes do mundo estão todos na minha gaveta. Então, gostava de um pijama de Inverno que fosse giro. E sexy. Uia!
Eu sei, Pai Natal, que no planeta Terra não existem pijamas de Inverno que sejam giros e sexy. Vais ter de encarar isto como um desafio.

3. Uma viagem. As únicas viagens que tenho feito são astrais. Fecho os olhos e vou.
Pois, para variar, gostava de fazer uma viagem em que pudesse levar o meu corpo também. Para o Nepal, Irlanda, Mongólia, Brasil, Itália, Chile, México, Nova Zelândia, Índia... escolhe tu!

4. Uma árvore. Gostava de ter uma árvore de frutos. Pode ser uma macieira, já que o L. adora maçãs, e eu adoro tarte de maçã. Plantada, regada, cuidada e amada por mim, num pedaço de terra onde também estivesse uma casa que fosse minha. Não digas que não mereço.

5. Livros. Em papel, por favor. Sugestões: "Mistérios Nórdicos", de Mirella Faur; "O Anuário da Grande Mãe", de Mirella Faur; "Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas", de Mirella Faur; "Mulheres que correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estés.

E é tudo!
Muito grata e bom trabalho!

Oh Oh Oh e Jingle Bells,



A perseguição



Estava indecisa se deveria ou não partilhar convosco uma experiência tão escatológica como esta. Mas eu sei que vocês, seus marotos, mesmo que não admitam, têm um certo prazer obsceno em ler relatos de teor escatológico. E eu em escrevê-los, vááá.

O momento alto do meu dia de ontem, o clímax de todas as emoções, foi quando cheguei a casa à tarde, e o gato Aramis passou por mim deixando um rasto de odor fecal atrás de si. Pffff...
Nunca antes tinha acontecido, mas pensei com os meus botões que ele estaria com flatulência e não liguei.

Sentei-me a ler as mensagens do dia, e Sua-Alteza-O-Gato salta-me para o colo trazendo consigo o mesmo cheiro suspeito e nauseabundo.

Oh meus limpinhos e perfumados amigos, o meu estômago subiu e desceu em menos de um segundo no momento em que lhe levantei a cauda felpuda e vi duas bolas penduradas lá por baixo. "Queres ver que lhe cresceram testículos?", ainda pensei, num momento-insanidade.

Eram dois... dois... cagalhotos! Colados aos pêlos, ali junto ao buraquinho, estão a ver?
Nunca me levantei tão rápido de uma cadeira. O gato, assustado, saltou para o chão, e desatámos numa perseguição desenfreada em que ele se escapulia com a velocidade de um tiro com os berloques a dançar debaixo da cauda e eu corria o melhor que podia atrás dele.

Até que finalmente o agarrei. Munida de toalhetes húmidos, tentei tirar os... os... vocês sabem. Quanto mais puxava, mais empastados eles ficavam no pêlo. Empastados, é mesmo esse o termo. E o cheiro, senhores, o cheiro. It's a dirty work, but someone's gotta do it.

Coloquei o meu sensor de nojo de lado e, meio pacote de toalhetes depois, consegui limpar tudo, debaixo dos insultos e protestos miados em gatês pelo pobre bichano, que não compreendia esta minha invasão às suas partes íntimas. Desculpa, Gato!

Ainda hoje me pareceu tê-lo visto a olhar de lado para mim. Está zangado, e não o culpo.
Ficou a dúvida: deveria aparar-lhe os pêlos à volta do...?

De mãos desinfectadas,

Hazel

Como sobreviver aos dias frios sem gastar electricidade

Ai Senhores. Está frio. Está frio. Está frio.
Está frio. Está frio. Está ffffffffffffffffffffffffff... rio.

A minha vontade era ir buscar todos os aquecedores do mundo e ligá-los apontados para mim numa tentativa desvairada de recriar um clima tropical com palmeiras, araras e outras aves exóticas a cantar CRÁÁ CRÁÁ CRÁÁÁÁ à minha volta.

Só que não. Estes delírios têm um preço alto. Chama-se "factura da electricidade". Esse malfadado e abominável pedaço de papel que ninguém anseia receber.

Então, decidi tomar outro tipo de medidas. Simples, práticas e, acima de tudo, económicas:

Chá quente. Não apenas para beber, mas também para ficar a segurar na caneca por alguns minutos, enquanto aquecemos as mãos e a alma.

Meias sobre meias, camisolas sobre camisolas. A velha técnica de vestir roupas umas sobre as outras. Dá trabalho, parece que nos estamos a vestir duas vezes seguidas, mas resulta.

Abrir cortinas. Até mesmo nos dias frios de Inverno o Sol por vezes brilha. Todos os dias pela manhã abro as persianas e as cortinas completamente, de forma a entrar o máximo de luz.

Proteger as entradas de ar frio. Isolar as janelas com fita de calafetar e usar um rolo (ou chouriço) no chão junto às portas e/ou janelas.

Fazer um escalda-pés. Quando não conseguimos mesmo aquecer, este recurso é infalível!

Acender velas. Por insignificante que pareça o calor produzido por algumas velas, é um valioso contributo para aquecer uma divisão.

Mantas. Sobre as costas, sobre os joelhos, nas camas, nos sofás, em todos os lugares.

Bolsa de água quente. Para aquecer a cama por dentro antes de dormir.

Pôr o gato ao colo. O Aramis, apesar da sua extensa pelagem, é muito friorento e desespera por aninhar-se ao colo nos dias mais frios. Aquecemo-nos um ao outro, e é tão bom.

Comer sopas quentes. Algumas receitas minhas: Sopa de chuchu. Sopa de sangue (uia!). Sopinhas de gato.

Com o gato ao colo, duas meias, duas camisolas, mantas... e saudosa do Verão,

Hazel

Quando eu for anciã...

Lista de resoluções para quando eu chegar à terceira idade:

Primeiro, quero lá chegar. Essa ideia de "Live fast and die young" só é fascinante quando achamos que vamos viver para sempre. Ou seja, até aos 25 anos. Daí em diante, quanto mais avançamos, mais nos apercebemos da fragilidade da vida.

Segundo, não quero ser chata e séria.
Quero rir-me sempre, nem que seja das vozes imaginárias na minha cabeça. Ou dos fantasmas que insistem em troçar dos vivos e apenas eu os oiço. Quero rir-me da cara dos outros condutores quando parar num semáforo e ficarem surpreendidos com as caretas que a velha doida do carro ao lado lhes fez.

Terceiro, quero ser gira. Ainda que tenha mamas descaídas, (ai que desgosto), quero usar as mesmas roupas de boneca que gosto de usar, e ter cabelos compridos, mesmo brancos. Ou cinzentos, tanto faz. Um dia, podia pintá-los de cor-de-rosa só para chocar as vizinhas da minha idade e mostrar-lhes que posso fazer tudo o que quiser, como sempre pude.

Quarto, quero ter uma cadeira de baloiço que me embale, onde possa dormir longas sestas ao Sol sem que ninguém me chateie, com uma manta sobre os joelhos, um gato ao colo e um livro erótico que comecei a ler. Uia!

Quinto, quero morar perto das minhas comadres. Eu hei-de ter comadres que hão-de vir visitar-me para beber chá e tecer o fio da vida em conjunto comigo. As pessoas vão pensar que é chá que bebemos (até vocês pensam), mas, na realidade, será licor de whisky.

Sexto, quero ser feliz. Velha ou nova, bonita ou feia, não importa. Quero ser feliz e ter quem me ame nos meus devaneios, nos meus silêncios e nos momentos em que canto as músicas de quando era nova e os vidros se estilhaçam.

Sétimo, quero cheirar bem. Não quero usar perfumes com cheiro a naftalina. Nem perfumes simples e discretos como uso actualmente. Quero cheirar a um perfume sexy e atrevido.

Aqui estou, a declarar ao Universo. Hazel. 36 anos. É isto que quero.

Sem pressa nenhuma,

"Sinto muito. Perdoa-me. Amo-te. Sou grata."


Para mim. Para si. Para os meus amigos. Para os seus. Para quem quiser.
E quem não quiser, não quer.

Uma prática ancestral de reconciliação proveniente do Hawai (Ho'oponopono).
Para desfazer ressentimentos, demolir muros e construir pontes.
Para melhorar aquilo que "já está bom".
Mesmo que não haja nada que precise de ser desculpado, como ritual diário.

Ganhe coragem, olhe a outra pessoa nos olhos e diga-lhe:

"Sinto muito. Perdoa-me. Amo-te. Sou grato."

Com flores coloridas no cabelo,

5 hábitos de ouro - O Segredo da Eterna Juventude

Já não é a primeira vez que puxo do cartão de cidadão para comprovar que nasci mesmo no ano da graça de 1977 (aquele ano fantástico em que só nasciam pessoas bonitas).

Ora, hoje, que estou uma mãos-largas, decidi contar-vos o segredo que faz com que eu pareça tão nova, sendo, na realidade, uma velha carcaça.

Não são tratamentos de beleza.
Nem photoshop. Nem nada! Nada? Nada. Pronto, e acaba-se assim o post. Não faço nada, podem ir-se embora, cada um para a sua casinha. Xô!

Era o que mais faltava. Vamos lá. Agora é que é. Há 5 hábitos que fazem parte da minha vida há muito tempo e que são o que me mantém fresquinha e viçosa como uma folha de alface. São eles:

1. Tabaco. Nem vê-lo! Nicles. Niente. Nadica de nada. Os únicos cigarros de que gosto são mesmo os de chocolate.

2. Muitas gargalhadas por dia (não sabe o bem que lhe fazia). Até nos dias em que acordo de tal forma acabrunhada, que ninguém me atura, há sempre um momento em que me rio de alguma coisa. Não consigo passar 24 horas sem rir. Tantas foram já as vezes em que me ri sozinha, rodeada de pessoas cinzentas, incomodadas pela minha boa-disposição indiferente ao habitual estado de espírito de quem chupou um limão e todos têm de partilhar da sua amargura. HAHAHA Tomem lá!

3. Ouvir música. Ai o que seria de mim se não fosse a música. Todos os dias, sem falta, oiço muita, muita música. Obrigada, Youtube! Coloco muitas vezes o que estou a ouvir na minha página de facebook, para ajudar a rejuvenescer os que me acompanham.

4. Creme de bebé. Já disse que sou uma mulher pré-histórica? Sou uma mulher pré-histórica. Não uso produtos sofisticados de beleza. Uso no rosto, tão-simplesmente, uma pinguinha de creme hidratante de bebé. Comprado na secção de criança no hipermercado.

5. Não calçar as pantufas. Não me acomodo com algo que não me faça sentir viva e feliz. Não quero responder um arrastado "Vai-se andando..." quando perguntam como estou.
Quero poder responder "Estou fantástica! Fantabulástica!", e trabalho todos os dias para isso.
Estou viva, e quero senti-lo a cada momento! Whooo-hooo!

Forever young,



Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar.

Esta foi uma frase que ouvi ao longo de muitos anos, proferida pela minha mãe, numa tentativa (infrutífera) de me programar a fazer a cama todos os dias como uma boa dona-de-casa. Dizia-o sempre num tom ambíguo e profético.

Eu tentei sê-lo, mesmo que ninguém me tivesse perguntado se o queria ser. Era algo que se esperava de mim, que me foi imposto apenas por ter nascido com uma vag... "Dona Elvira".

Ai nasceste mulher? Estás feita ao bife! Limpar a casa, cozinhar, fazer a cama, tratar da roupa, criar os filhos, fazer as compras, está tudo por tua conta, darling!

E culpei-me pelas muitas vezes em que falhei e não consegui cumprir aquilo que o mundo tinha decidido por mim sem que eu tivesse tido qualquer voto na matéria. Mas depois deixei de me culpar. Deve ter sido no dia em que decidi que não quero mais ser dona-de-casa, mas dona-de-mim. Senão, vejamos:

- Quem é o dono da cama? Eu.
- Quem manda no meu tempo? Eu.
- Quem manda no que eu faço em minha casa? Eu.
- O mundo continua a girar, mesmo com a minha cama por fazer? Sim.
- A cama fica triste se não a fizer? Desencadeia-se uma Terceira Guerra Mundial? Não e não.
- E os outros, o que irão pensar de mim? Who cares.

A verdade é que só faço a cama quando vêm cá visitas. E às vezes nem isso. Quem me vem visitar não quer saber se eu tenho os lençóis esticados ou não, e eu não preciso de impressionar ninguém. Sou o que sou, e gosto de mim assim. E quem gosta de mim, gosta de mim quer eu tenha, ou não, a cama feita.

Oh Hazel, primeiro dizes que tens os móveis com pó e agora não fazes a cama? É.
Onde é que isto irá parar? Em tempo para fazer o que eu gosto. Por exemplo, escrever.
Em vez de fazer a cama, prefiro gastar esse tempo e energia a deleitar-me nos prazeres da escrita e vir aqui contar-vos o quão saboroso e libertador é não fazer a cama.

Nada de reclamarem comigo, hã? Vai que eu passo a ser dona-de-casa em vez de dona-de-mim, e não apareço cá mais porque tenho de limpar o pó e fazer a cama. - Naaaah!

Experimentem um dia. Não vão querer outra coisa. Sigam os meus fantásticos maus conselhos de dona-de-mim, e não digam que vão daqui mal.

Com a cama por fazer,



Aulas de Tarot



Para quem não tem ainda qualquer conhecimento sobre o Tarot de Rider Waite-Smith e quer aprender a interpretar as cartas e fazer lançamentos, ou para quem deseja aprofundar os conhecimentos que tem.

O aluno deve trazer um caderno para apontamentos.

Local: Carcavelos ou online
Duração de cada aula: 2/3 horas
Valor por aula: 40€
(Brasil R$150 - aulas via Skype)

Marcação/dúvidas/informações para o email: casaclaridade@gmail.com

Beijos mágicos!

Hazel

Música composta por plantas


Os dias têm-se arrastado cinzentos, húmidos e molengões. As nuvens invernosas velam o Sol como um homem velho, teimoso e carrancudo de fartas barbas brancas, retirando, assim, o brilho das ruas, que se nos afiguram baças e melancólicas.

Tal como uma raposa que se enrosca sobre si mesma numa cama de folhas secas no bosque, também nós temos necessidade de nos afastarmos de tudo e ficar quietinhos à espera que os dias cinzentos passem depressa. Mas a vida não pára.

Agora que escasseia a nossa maior fonte de alimento - o Sol - precisamos de compensar este vazio. Assim, deixo-vos uma pequena centelha de Luz: música!

As plantas comunicam através de impulsos e variações no seu campo bioeléctrico em resposta a estímulos externos. Estas variações foram captadas por um aparelho, que as descodificou e sintetizou, e o resultado do que estava a ser transmitido por um antúrio foi esta música linda e cristalina, afinada a 432Hz.

A frequência de 432Hz, que está por trás de toda a criação, vibra sobre os princípios do número áureo phi e unifica as propriedades da luz, espaço, matéria, gravidade e magnetismo com a biologia, o código do ADN e da consciência. É a frequência do Universo. Esta sintonia natural tem efeitos profundos sobre a consciência e também a nível celular nos nossos corpos.

Escutar esta música melhora o nosso bem-estar físico, emocional, mental e espiritual, assim como das nossas plantas e animais. Disfrutem!


De olhos fechados a escutar,

Hazel

Grata pelo Sol


O Sol hoje nasceu às 7:47 horas em Portugal. E esta vossa escriba-bela-adormecida pulou da cama tão cedo, mas tão cedo, que hoje ainda era ontem (eu sei, eu sei, não devo estar boa!). 
Apenas para ver o Sol nascer! (não devo estar boa! - novamente)

Estava a imaginar que assistiria a um espectáculo grandioso, radioso, maravilhoso... só que não. Foi isto que vi, na minha janela virada a Leste (foto acima). Eu mereço?

Mas não me deixei vencer. Que é lá isso. Embora as nuvens me tenham impedido de assistir ao nascer do Sol, ele nasceu cá dentro de mim, e passei o dia inteiro tão insuportavelmente bem-disposta que até o gato fugia com cara de enfado. 

E à tarde, Senhoras e Senhores, à tarde é que foi. O Deus-Sol entrou-me pela casa adentro, pela alma adentro, e eu senti-me a pessoa mais sortuda do mundo, junto do meu querido L., que tocava a taça tibetana como retribuição pela bênção solar.
  



Amanhã, o Sol nasce às 7:48 horas...

(As fotos não foram manipuladas, apenas foram identificadas com o URL da Casa Claridade.)

Plena de Sol,

Porquê?

Porque é que limpar a casa é uma tarefa tradicionalmente feita pela mulher? (Por acaso limpamo-la com a "xereca" aka Dona Elvira?)

Porque é que, se uma casa - onde mora um homem e uma mulher - estiver suja e desarrumada, é apenas ela que é "a desmazelada", e nunca ele, que também mora lá?

Porque é que as meninas têm panelas e esfregonas para brincar, enquanto os meninos têm carros?

Porque é que quando um homem limpa alguma coisa recebe imensos elogios cheios de admiração, e as mulheres nunca recebem nada?

Porquê, Senhoras e Senhores, porquê?

De vassoura na mão,

Deitar fora vestidos velhos

Perdoar não é fácil. Não sou muito boa nisso. Sou apenas humana, e também tenho as minhas limitações.

Não tenho vergonha nem orgulho disso. Sou como sou. Os outros são como são.

Preciso do meu tempo. Primeiro, revivo o assunto como um filme dramático, sofrendo continuamente com ele.

Depois, empurro-o com repulsa para um canto escuro dentro de mim mesma, na esperança que morra asfixiado e sem luz. E o tempo passa. E a vida não pára.

As estações do ano sucedem-se, até que chega o Outono, tempo de se arrumar gavetas e baús. É, então, que descobrimos um vestido velho, que nos acompanha há anos, já ratado pelas traças, e lembramo-nos que não se conservam coisas estragadas porque estão a ocupar espaço e não deixam entrar nada de novo.

Deitei fora o velho vestido, mesmo sem ter outro para o substituir. Continuei as arrumações, e procurei mais fundo no baú. Foi quando me deparei com as velhas mágoas, também ratadas pelas traças. Perguntei a mim mesma se também são para deitar fora ou se guardo por mais um pouco de tempo à espera não sei de quê.

O meu baú ficou vazio. Não tenho muitas roupas, mas aquelas que usar serão apenas as que me fazem sentir feliz.

À procura de um vestido novo,

O Sagrado Masculino - visita guiada ao clube do Cebolinha

imagem por Ben Sutherland

De todas as vezes que oiço falar de espiritualidade, é rara a vez em que não oiço falar do Sagrado Feminino, e de quão oprimidas pelos homens foram e são as mulheres. E, reparem, não estou aqui a falar de correntes feministas. Não. Falo da invocação do sagrado feminino como o Santo Graal (taça-> útero). 

O problema senhoras e senhores, é que, se pecaram por defeito, agora pecam por excesso e estão a fazer exactamente o inverso. O Graal não existe sem o seu conteúdo. Conteúdo e receptáculo são Um.

O sagrado feminino não existe sem o sagrado masculino e vice-versa. Encontram-se ambos em cada um de nós. Depois é uma questão da energia dominante de cada um e de saber encontrar o equilíbrio com a/o parceira/o certo.

Não se reprimam, por isso, os instintos básicos masculinos. Porque raio há a ideia pré-concebida que o corpo masculino é feio e o corpo feminino é belo? São ambos belos, raios! Sem qualquer conotação sexual. Por que raio terá o estereótipo masculino de ser bronco, burro e estúpido?

Os Homens de hoje não são assim, e quem se pendura nestes esterótipos está a ser mais papista que o papa. Alguém ainda acredita que os homens só querem andar por aí a ter sexo com tudo o que tem saias e mexe? A sério? Então só posso dizer que conhecem as pessoas erradas. Porque terá o Cavalheiro perfeito de apenas servir e nunca ser servido?
Gentileza e boas maneiras são valores para todos.

“Ah, mas as mulheres são mais delicadas e os homens têm mais poder físico”...é o argumento mais comum que oiço. Eu adoro essa delicadeza, mas não me peçam para ser subserviente. São coisas completamente diferentes.

Valorizamos a inteligência, a bondade, o sentido de humor, a coerência, a sensualidade… e, claro, a beleza. Há ainda aqueles que consideram que a beleza é para os fúteis. Como dizem no Brasil: que nada! E, senhoras, os Homens mudaram! Agora lidem com isso.

Eu diria que os verdadeiros Homens de hoje olham primeiro para olhos, para ver a Alma.
E, bolas, não há nada de errado em achar lindo o corpo de uma mulher.

Porque tem um homem, por ser sensível e desejar amar e ser amado, de levar com etiquetas, (espantem-se!) não de outros homens, mas de mulheres? Mais uma vez, a sexualidade não é para aqui chamada: isto é completamente transversal a qualquer tipo de sexualidade.

Nesta noite de lua cheia, senhores, não reprimam a vossa essência e uivem, se for necessário! Ou deitem-se nús, no bosque, e deixem que a terra seja a vossa Donzela, Mãe e Anciã.

Os homens, aqueles que compreendem o Sagrado Masculino, sabem que não se faz nada pela metade.

O Todo é muito mais que a junção de duas partes.

Com Amor,

Marco

Guia dos Sonhos - L


Lã - A lã é um símbolo de felicidade, afecto e tranquilidade. Sonhar que se trabalha com lã pressagia a conquista de lucros financeiros e reconhecimento.

Ladrões - Medo das perdas nas diversas áreas da vida. Insegurança. Instabilidade.

Labirinto - Sonhar com labirintos indica a necessidade de tomar decisões importantes para definir um caminho nas escruzilhadas do destino. Representa a indecisão, falta de segurança e de confiança em si mesmo.

Lago - Se a água for límpida e tranquila, indica paz interior. Caso se apresente com águas sujas ou turbulentas, prenuncia conflitos interiores e profunda insatisfação. Ver-se a si mesmo atravessar um lago de uma margem à outra indica superação de dificuldades.

Lareira - Sonhar que acende uma lareira indica a aproximação do nascimento de uma criança e/ou uma nova etapa muito prazerosa no campo emocional. Apagada, indica contrariedades.

Leite - O leite é um bom prenúncio, representa a fertilidade, abundância, afecto e protecção.

Leões - O leão é um símbolo de força e poder. Sonhar que luta com leões indica conflitos que vencerá, no caso de sair vitoriosos da luta. Mantenha-se alerta em relação às pessoas à sua volta.

Leques - Representam segredos, falta de honestidade e traições.

Ler - Ver-se a ler indica que em breve terá acesso a revelações importantes.

Limões - Dificuldade de relacionamento e conflitos nas relações com outras pessoas. Vitalidade renovada.

Línguas estrangeiras - Avizinham-se grandes mudanças na sua forma de estar no mundo.

Luz - Sucessos. Confiança nas próprias capacidades. Superação de dificuldades.


Índice (clique nos itens):

- Guia dos Sonhos - L
Guia dos Sonhos - M
Guia dos Sonhos - N
Guia dos Sonhos - O
Guia dos Sonhos - P
Guia dos Sonhos - Q
Guia dos Sonhos - R
Guia dos Sonhos - S
Guia dos Sonhos - T
Guia dos Sonhos - U
Guia dos Sonhos - V
Guia dos Sonhos - X
Guia dos Sonhos - Z
Introdução


Beijos sonhadores,



Splish splash, banheira limpa sem dor de costas!

Cada vez que esfrego o sarro da banheira é um pedaço do meu karma que eu limpo.

Em boa verdade vos digo: uma mulher emancipada e bem-resolvida nunca se deve debruçar para a frente, a não ser que seja para apanhar alguma coisa que deixou cair, ou para fazer alguma espécie de actividade que lhe dê prazer...
... como jardinar, por exemplo!
(Estavam a pensar em quê? Isto é um blog familiar, não posso escrever sobre temas mais calientes.)

Mas voltando ao assunto de esfregar a banheira. Com mil vassouras, que mal fiz eu para ter tanto karma para limpar de cada vez que esfrego a banheira?
Nenhum, respondo!

Apenas hoje de manhã descobri que a minha dívida kármica está PAGA.
Tenho a banheira reluzente e não precisei de ficar com dor de costas, nem voltei a ter de me debruçar para esfregá-la.

Agora, quando ela precisa de ser limpa, levo uma escova de cerdas grossas e o detergente comigo para dentro do duche e enquanto estou a cantar a minha música do banho, tomo o meu duche e esfrego a banheira lá dentro. Tudo-ao-mesmo-tempo!

Splish splash,

Hazel

Remédio natural contra verrugas


As bruxas e as suas verrugas. Desde tempos imemoriais que o imaginário popular retrata as bruxas como velhas, feias e com uma verruga na ponta do nariz. Por esse motivo, hoje trago-vos a Dona Violeta, a minha mais antiga companheira, que vem desmentir esse boato tão injusto.

Como podem comprovar, ela é uma bruxa, já não é muito nova e tem uma verruga. Mas é linda!
A sua verruga é de estimação e até tem nome: Rebequinha (a Dona Violeta é uma excêntrica).

Se tem verrugas e, ao contrário da Dona Violeta, não quer preservá-las, mas livrar-se delas sem dó nem piedade, existem duas alternativas naturais que podem ajudar a realizar tal desejo:

1. Seiva de folha de figueira (aquele líquido branco e peganhento que pinga quando arrancamos uma folha);

2. Seiva de celidónia (Chelidonium). Caso não saiba identificar a celidónia, compre um vaso num viveiro de plantas e terá sempre esta planta à disposição.

Aplique uma das alternativas naturais acima diariamente na verruga até que seque e acabe por cair por si mesma.

Beijos!

Hazel

A minha floresta pessoal

Ela chegou ontem, triste e tímida, de cores apagadas, mas foi recebida de ramos abertos pelas restantes.

Apesar de estar em processo de redução de tralha em casa, as plantas não estão incluídas. Sempre haverá espaço para mais uma. Nunca serão demais!
São as minhas guardiãs e amigas, por quem tenho tanto carinho.

De onde veio este feto/ samambaia?
Do lixo. Como quase toda a minha floresta, salvo raras excepções.

Longa vida à minha nova companheira de viagem! E que as suas folhas verdes cresçam radiantes na certeza de que chegou a bom porto e a partir de agora será sempre amada e protegida.




Embrenhada na floresta,

Lição de anatomia


L. - Mamã, dói-me o peito. Já não consigo comer mais.
Hazel - O peito? Homessa! Mas em que sítio?
L. - Aqui, mamã.

Ele mostra, colocando a mão na barriga.

Hazel - Isso não é o peito, é a barriga. O peito é na zona das maminhas.
L. - Ai é nas maminhas? Então, a barriga é isto tudo das maminhas para baixo?
Hazel - Sim.
L. - Uau...!

Beijos anatómicos,



O silêncio é o guardião da paz de espírito.


Ontem, durante algumas horas, fechei as janelas todas, desliguei a música e o maior número possível de aparelhos eléctricos. E deixei-me ficar a escutar o Silêncio.

Bebi-o como quem deixa escorregar pela garganta um néctar macio feito de frutas que maturaram um Verão inteiro sob os raios dourados do Sol. Alimentei-me dele como um manjar dos Deuses. A minha alma foi nutrida deste vazio de sons, este deserto sonoro.

Escutei a minha própria respiração que, gradualmente, abrandou, assim como o bater do meu coração. O silêncio é branco, luminoso, leve, fresco, suave e inodoro.
Estou tão enamorada dele que hoje quero vê-lo de novo. Que os seus braços me abracem sem me prender e a sua voz fale comigo num sussurro mágico. Silenciosamente tua.

Shhhhh....,

Hazel

Setembro, tu que começas por S


Simplesmente, traz-me:

Silêncio, para que eu escute a minha voz interior.
Serenidade nos Sentimentos.
Sabedoria nas palavras.

Suavidade nos acontecimentos.
Sensibilidade na intuição.
Sândalo na cor dos meus cabelos.

Serenatas apaixonadas.
Segredos Sussurrados ao ouvido.
Simpatia que aconchega como um casaco de malha num dia frio.

Sopa de legumes.
Sorrisos cúmplices.
Suspiros de prazer.

Sol morno e dourado.
Sementes de alegria.
Sossego no decorrer dos dias.

Sinceramente,



Móveis com pó. E uma Vida a ser Vivida.


A poeira que repousa silenciosamente sobre os livros nas estantes e ao longo da superfície dos móveis não é um sinal de desmazelo. Não, não. Pelo contrário.

Ela mostra-nos que há algum tempo nada precisa de ser mudado, porque tudo está bem como está.

Mas, acima de tudo, está lá também para testemunhar a mais nobre forma de passagem do tempo: Vivendo a Vida. Sem desperdiçar tempo - a limpar o pó. Que sempre volta. E a vida não.

No meio dos livros empoeirados,

Outra verdade, a mesma realidade, ou outro post de merda


Há dois tipos de pessoas: as que acordam cedo e bem dispostas por muito pouco que tenham dormido e as outras, rezingonas e monossilábicas que fazem tudo para adiar levantar o bofunfo da cama, de tão bem instalado que ele está. É preciso recorrer a técnicas avançadas de persuasão: talhar - de escopro e martelo - um buraco à volta dela; polvilhá-la com açúcar e indicar o caminho às formigas, espalhar urtigas pela cama, convidar a fanfarra local para ensaiar no quarto ao lado... acho que vocês me compreendem.

Eu estou noutra classe, mas falo-vos de uma pessoa que está na classe “B”:
- Vá, anda, que já devias estar vestida. Vá, anda, senão vamos chegar atrasados...
- Oh! Mas não como?
- Não temos tempo. Por isso é que tínhamos o despertador para as 6... Vá, anda. No plano de viagem temos tempo para comer qualquer coisa pelas 9h, em Santa Apolónia. E além disso, temos o lanche que preparei ontem.
- Mas vamos fazer este caminho todo em jejum?
- ...
Saímos porta fora e no caminho para o táxi:
- Blá, blá, blá, jejum, blá, blá, blá, preciso de comer, blá, blá, blá, jejum...

O senhor do táxi mais caro do mundo entrega-nos, explorados, na estação de Oeiras. Compramos os bilhetes e verificamos que ainda temos uns 10 minutos até o comboio chegar.
- Vamos ali ao café, digo eu. Assim podes comer qualquer coisa.
- BOM DIA! Diz o senhor do café, mais alto e com mais entusiasmo do que seria de esperar, até para alguém, que como eu, acorda invariavelmente bem-disposto.
- É um cafézinho e um croquete, se faz favor. E para ti?
- Eu.. (hesita...) também, pode ser. - Diz a pessoa, a medo.
- O que vais comer?
- Nada, só o café.
E pronto, foi isto. Este foi o momento a que toda a narrativa ficou condicionada.

Um café não deve ser pedido a medo. E não deve ser tomado, sobretudo às 7h45, sem qualquer coisa para ensopar. Como um croquete. Encolhi os ombros. Passados alguns segundos, começam a surgir novas cores na pessoa: uma palete de verdes digna dos melhores pintores.
- Estás bem?
- O café não me caiu bem.
- (no shit!)
- O quê?
- Nada...

Estação de Belém. A pessoa dá sinais de melhoras e o namorado dá-lhe um beijinho para encorajar a manhã de tão difícil madrugadora. Cais-do-Sodré: os verdes voltam, acompanhados de um amarelo suspeito.
Missão: encontrar uma casa de banho (banheiro) e comprar os bilhetes para o metro.
WC encontrado, atrás do Pingo Doce, daqueles em que é preciso meter uma nervosa moeda de 50 cêntimos. Não podem ser duas de 20 e uma de 10. Tem de ser uma de 50. Ia jurar que conseguia ouvir a voz interior da pessoa a gritar para a moeda, enquanto ela fazia o longo percurso desde o orifício até ao mecanismo que destranca a cancela: CAI POOORRRAAAA!

E lá fiquei eu, feito namorado à porta de uma qualquer loja de roupa, carregado com as duas mochilas, a ouvir outras utilizadoras a comentarem com a senhora da limpeza: “Ah, bem empregues 50 cêntimos! Estava limpinha e tinha papel. No outro dia fui a Santa Apolónia e estava uma porcaria. Assim vale a pena pagar 50 cêntimos”.

Chegados a Santa Apolónia, fui beber outro café, sempre sem acúcar. A pessoa foi novamente ao WC e eu esqueci-me de a avisar. Não percebi se tinha sido falso alarme, conversa de circunstância entre a utente de meia idade e a senhora da limpeza, ou apenas sorte, mas a casa de banho estava limpa.

Já dentro do comboio com destino a Coimbra a pessoa ganhou outra cor. E não digo isto de uma forma positiva. Olhei para o chapéu e um post depois descobri que ambos conjecturámos sobre o futuro daquele pedaço de palha. Chegou são e salvo. E nós também.

Um almoço e pimbas, outro café. Eu, porque a pessoa...

Na viagem de autocarro que se seguiu resolvi enjoar também, por solidariedade apenas, que um bom namorado faz tudo por Amor.

Moral da história: quando alguém da classe “B” vos diz: “só mais 5 minutos”... não discutam.

Com Amor,

Marco

Um post de merda


Há dois tipos de pessoas no mundo. Os madrugadores, bem-dispostinhos, arrumadinhos e cheios de genica, que acordam ao raiar do dia, metem um café negro no bucho e estão prontos para tudo. O mundo é a sua ostra. Como os invejo.

E depois há os "classe B", onde eu me encaixo. Quando sabem que têm de se levantar muito cedo no dia seguinte, deitam-se sob pressão, ordenando ao corpo que adormeça depressa. E ele não adormece. Ficam a ver as horas desfiarem-se como contas de um colar, enquanto andam às voltas na cama.

Adormecem depois das 3, o diabo do despertador toca às 6. E eles, colados à cama, que os agarra num abraço lânguido e poderosamente narcótico. Mais 5 minutos. Mais 5 minutos. Mais 5 minutos. Mais 5 minutos. Porra!! Estou atrasada!

A pessoa levanta-se bêbeda de sono. Tem uma viagem de longo curso pela frente.
Enfia um chinelo no pé e desiste de procurar o outro que se escondeu - toda a gente sabe que os desgraçados dos chinelos se escondem. Vai com um pé calçado e outro descalço, olhos remelosos, ligar o esquentador para tomar duche.

Só há tempo para duche, vestir, pegar nas malas e sair.
Dois sacos ficam esquecidos. Já não há tempo para comer.

Estação de Oeiras. Compra os bilhetes para o comboio e verifica que afinal ainda sobrou tempo. Dirige-se ao Café da estação, o namorado (da pessoa) pede um café, e ela — a pessoa — pensa que pode fazer como os outros fazem e pede um café também.

Mal o café escorrega esófago abaixo, passa pelo estômago e vai directamente para os intestinos, tudo em linha recta, é nesse momento que a pessoa percebe que fez merda. Como fez. Ah, café dos infernos. Os intestinos contraem-se e dilatam-se com espasmos, como se tivesse acordado um monstro terrível, o adamastor das tripas.

"Vai passar. Só preciso de me sentar." O comboio chega, a pessoa senta-se e o monstro continua irrequieto. "Quero sair!", berra ele em fúria.

Estação de Belém. O monstro finalmente acalmou. A pessoa respira de alívio.
Cais do Sodré, estação terminal. A pessoa levanta-se, e o monstro redesperta, mais feroz do que nunca. O meu reino por uma sanita. Ai Senhores, agora é que é.

Conclui amargamente que não existe casa-de-banho no metro do Cais do Sodré. Tem de se apanhar o elevador para a superfície e depois a tão desejada casa-de-banho, qual El Dorado, fica por trás do Pingo Doce. A distância é directamente proporcional ao desespero. Paga-se 50 cêntimos para entrar e ai se uma pessoa não tem os 50 cêntimos certos no porta-moedas. Nem quero imaginar.

O mundo é um lugar hostil para aqueles que procuram loucamente por uma casa-de-banho com o mesmo desespero e angústia com que tentariam salvar a própria vida.

A casa-de-banho estava limpa. Havia papel higiénico e até piaçaba. Misericórdia.
Não há heróis nestes momentos. A pessoa teve até vontade de chorar.

De intestino limpo e ânimo renovado, há ainda o metro para apanhar e depois o comboio intercidades. Mais 2 horas de viagem pela frente. O maldito café-assassino que a pessoa julgava ter expelido até à última gota pelo orifício mais longe da boca manifesta-se agora no estômago. Oh Deuses. Ninguém merece. É como se o monstro tivesse deixado um filho que apanhou o elevador pelo esófago acima. Foram 2 horas em que o delicado e feminino chapéu de palha que repousava no colo (da pessoa) esteve prestes a servir de saco de vómito.

"Senhores passageiros, estamos a chegar à Estação Coimbra B". Esteve quase para beijar o chão, a pessoa. Terra firme. O cérebro flutua no crânio, coloca os óculos escuros e o chapéu de palha que escapou por um milímetro, e promete solenemente nunca mais beber café em jejum às 7 da manhã. Isso é para os outros. Arrumadinhos. Bem-dispostinhos.

Beijos merdosos,

Hazel

A Lua chama pelas Bruxas

Segunda-feira é o dia da semana regido pela Lua e estamos sob uma Lua Cheia que está no seu expoente máximo (ainda que em Vazio de Curso até às 19:06).

Tudo é sentido com grande intensidade.
A Magia espalha-se silenciosamente pela Terra, como um manto.

Uns, não se apercebem de nada, embrenhados que estão no mundo da matéria.

Outros, escutam o chamado e páram as suas actividades mundanas para contemplar e saciar a avidez de Luz Branca.

Escrevi este pequeno texto esta semana, sob os raios dos últimos dias de Lua Crescente, e partilho-o para aqueles que quiserem falar com a Senhora da Magia, fazer pedidos, ou uma simples oferenda de incenso:

Senhora das vestes de madrepérola
Que reinas silenciosamente nos Céus
Envolve-me na tua Luz.

Preenche-me com a tua brancura
Concede-me a tua paz, a tua serenidade.

Dá-me a sabedoria do silêncio que atravessa todas as fases, 
Mesmo as de incerteza.

Abençoa-me com a clarividência que ofereces às escolhidas.
Para que eu saiba sempre. 
E mesmo quando não souber, 
Que o sinta no meu coração.

A 1ª hora nocturna regida pela Lua começa hoje às 22:22 e termina às 23:03 (hora de Lisboa).
Fica a proposta para este começo de semana.

No mundo da Lua,

Hazel

O lago do esquecimento


Debruçada sobre o lago do esquecimento, vejo tudo o que aconteceu e que irá acontecer, sem distinguir presente, passado ou futuro.

Correndo o risco de ficar presa neste transe hipnótico, preciso de perscrutar a negrura das águas e escutar o sussurro das vozes do tempo. Tudo o resto tem de esperar. Não sei quanto tempo; neste tempo fora do tempo, não há pressas, porque não se vai a lado algum.

Apenas se observa e se escuta. Parada, cristalizada, suspensa. O tempo que for necessário.

Nas margens do lago,