A Lua chama pelas Bruxas

Segunda-feira é o dia da semana regido pela Lua e estamos sob uma Lua Cheia que está no seu expoente máximo (ainda que em Vazio de Curso até às 19:06).

Tudo é sentido com grande intensidade.
A Magia espalha-se silenciosamente pela Terra, como um manto.

Uns, não se apercebem de nada, embrenhados que estão no mundo da matéria.

Outros, escutam o chamado e páram as suas actividades mundanas para contemplar e saciar a avidez de Luz Branca.

Escrevi este pequeno texto esta semana, sob os raios dos últimos dias de Lua Crescente, e partilho-o para aqueles que quiserem falar com a Senhora da Magia, fazer pedidos, ou uma simples oferenda de incenso:

Senhora das vestes de madrepérola
Que reinas silenciosamente nos Céus
Envolve-me na tua Luz.

Preenche-me com a tua brancura
Concede-me a tua paz, a tua serenidade.

Dá-me a sabedoria do silêncio que atravessa todas as fases, 
Mesmo as de incerteza.

Abençoa-me com a clarividência que ofereces às escolhidas.
Para que eu saiba sempre. 
E mesmo quando não souber, 
Que o sinta no meu coração.

A 1ª hora nocturna regida pela Lua começa hoje às 22:22 e termina às 23:03 (hora de Lisboa).
Fica a proposta para este começo de semana.

No mundo da Lua,

Hazel

O lago do esquecimento


Debruçada sobre o lago do esquecimento, vejo tudo o que aconteceu e que irá acontecer, sem distinguir presente, passado ou futuro.

Correndo o risco de ficar presa neste transe hipnótico, preciso de perscrutar a negrura das águas e escutar o sussurro das vozes do tempo. Tudo o resto tem de esperar. Não sei quanto tempo; neste tempo fora do tempo, não há pressas, porque não se vai a lado algum.

Apenas se observa e se escuta. Parada, cristalizada, suspensa. O tempo que for necessário.

Nas margens do lago,



Prece antes de dormir


"Ó Graciosa Deusa
Ó Gracioso Deus

Agora entro no reino dos sonhos
Tecei uma teia protectora de Luz à minha volta

Protegei igualmente
o meu corpo adormecido e o meu espírito

Olhai por mim
até o Sol novamente governar a Terra

Ó Graciosa Deusa
Ó Gracioso Deus
Acompanhai-me durante a noite."


Scott Cunningham (adaptação)
Na teia de luz,


Hazel

Vou morar numa casa de férias

No outro dia, quando estava de rabo para o ar a proferir impropérios enquanto apanhava tralha que se espalha e acumula pelos cantos - quantos cantos tem uma casa? Apre! - tomei uma decisão importante: quero viver numa casa de férias.
Mas, assim, o ano inteiro.

Nas casas de férias, as pessoas só têm o que precisam, o essencial.

Agora é que finalmente percebi porque nos sentimos tão relaxados quando vamos para uma casa de férias...
... porque não há nada para arrumar!!

É tão óbvio (palmada na testa), como não percebi antes? Duh...
Foi preciso uma vida inteira de dona-de-casa desesperada para entender, foi? Foi.

Então, é isso. Decidi que vou viver numa casa de férias - que luxo! Uia!

Uma casa de férias sem tralha.
Sem gavetas que custam a fechar porque estão demasiado atafulhadas de roupa que nunca usamos, mas guardamos anos a fio à espera não-sei-de-quê.
Sem armários de cozinha que vomitam os tupperwares todos para cima de nós quando tentamos encaixar mais uma caixa como se fosse um jogo de Tetris.
Sem bibelots. Sem papelada. Sem merdinhas.

Vou mudar de casa sem ter de mudar de casa.

Depois das várias viagens que a vida me impôs, aprendi a desapegar-me do supérfluo. Objectos supérfluos, relações supérfluas, ocupações supérfluas...
Estou em processo de trocar raízes por asas.

Só quero ter o que realmente preciso e o que me faz sentir bem. Tão-simplesmente!

A riqueza de alguém não se conta pelos bens materiais que um dia acaba inevitavelmente por perder, mas pelos momentos felizes que se contabilizam - e ninguém nos pode roubar o que já vivemos. Por isso, não preciso de muitas tralhas!

E o que vou fazer com o que já não quero?, perguntais.
Aquilo que estiver danificado... lixo. O que puder ser útil a alguém, dou.
Outras coisas, entrego numa loja de artigos em 2ª mão - se forem vendidas, uso os dividendos para ir passear! Também mereço, ora.

Não sei quanto tempo vou demorar a conseguir chegar onde quero, mas sei que vou chegar lá, porque esta decisão partiu directamente do meu coração.

Agora, excusez moi, que vou tratar de transformar esta casa normal numa casa de férias.

De espanador na mão,


Hazel